Em 30 dias de suspensão, deputado André Fernandes ganha mais de 240 mil seguidores nas redes sociais

Durante suspensão do mandato, parlamentar improvisou atendimento na calcada da Assembleia / Reprodução Instagram

Arroz de festa no ambiente digital muito antes de ser eleito deputado estadual, André Fernandes (Republicanos) reassume o mandato hoje, depois de trinta dias suspenso, pelo plenário da Assembleia Legislativa.

Sem entrar no mérito do processo que o parlamentar respondeu no Conselho de Ética da Casa, chama a atenção a quantidade de seguidores/inscritos que André ganhou durante o período.

Somando-se as quatro redes/canais – Facebook, Youtube, Instagram e Twitter -, André obteve 241 mil admiradores digitais.

Foram, em média, mais de 8 mil novos adeptos por dia, incluindo finais de semana e feriados.

A votação contra André na Assembleia aconteceu no dia 20 de agosto – data em que o Blog do Erivaldo Carvalho anotou a quantidade de seguidores/inscritos.

No Facebook, André passou de 1.618.640 seguidores para 1.798.814. Um salto de 180.174 pessoas.

O canal no Youtuber teve um incremento de 44 mil inscritos. Lá, o público de André era 490 mil. Hoje, são 528 mil.

O Instagram registrou mais 22 mil seguidores extras, já que o deputado pulou de 457 mil para 479 mil.

No Twitter, o deputado que reassume o mandato soma outros 1,8 mil em cima dos 154,1 mil seguidores anteriores. São, portanto, atualmente, 155,9 mil pessoas no microblog.

Com faro fino para o marketing pessoal, André dispensou o gabinete funcional na Casa.

Nesse período, passou a atender ao público e despachar com sua equipe em uma prosaica mesa de plástico, na calçada da Avenida Desembargador Moreira, a poucos metros da entrada principal da Assembleia.

A suspensão de 30 dias atingia as funções de deputado – proposituras, discussões e votações em comissões e plenário – e o salário do parlamentar. Mas não o impedia de frequentar as dependências do Poder.

Somando-se as quatro principais redes/canal mantidos pelo parlamentar, o state deputy influencer beira, atualmente, os dois milhões de seguidores/inscritos.

Com repercussão nacional, suspensão de André Fernandes pode acirrar ânimos políticos

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/21:

É difícil dizer se a suspensão por 30 dias do mandato do deputado estadual André Fernandes (Republicanos) foi uma sanção justa ou desproporcional à quebra de decoro parlamentar. Mas é fácil prevê que o episódio não se encerrou ontem. Sem provas, André encaminhou representação ao Ministério Público, afirmando que o também deputado Nezinho Farias (PDT) teria ligações com facções criminosas. Tecnicamente, trata-se de uma denunciação caluniosa, tipificada no Código Penal Brasileiro. É crime contra a administração pública. Mas a Assembleia é uma casa política. Foi, portanto, um julgamento político.

O debate foi da imunidade parlamentar a queixas de perseguição política, passando por apelos de inexperiência pessoal e pregação bíblica sobre misericórdia. Mas, assim como a punição, a reação será política. Suspenso, André voltará de pilha nova, às vésperas da campanha. Engajado nas redes, foi campeão de votos em 2018. É bolsonarista de crachá e apoiador do pré-candidato a prefeito de Fortaleza, Capitão Wagner (Pros). A punição pode ter repercussão nacional. Ontem, André pediu desculpas, mas não pediu arrego. Perdeu, mas saiu atirando. Pode ser a senha de que vem muito mais barulho por aí.

Multa por não uso de máscara é antídoto contra insensatez

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, edição desta sexta/7:

Virou lugar comum a constatação de que a Codiv-19 mudou o mundo para sempre. Na política, isso já é um fato – da nova geopolítica internacional às receitas mais insanas, à base de ozônio. Entre um polo e outro, muitos desdobramentos do dia a dia vão se somando, dividindo opiniões e acumulando polêmicas. Particularmente, nesta pré-temporada de caça ao voto, em que o jogo de simpatia com o distinto público torna-se decisiva na vida pública de personagens, grupos políticos e gestões. De longe, o ponto mais barulhento, depois do case cloroquina, é o uso obrigatório de máscara.

Nesse sentido, foi muito acertada a aprovação, pela Assembleia Legislativa, de multa para quem não usar o EPI em locais públicos ou de uso coletivo. Na versão mais pesada, a sanção aproxima-se de R$ 1 mil. Conforme O Otimista mostrou nesta quinta-feira, 6/8, os indicadores da pandemia no Ceará seguem melhorando, mesmo com a retomada das atividades. E poderiam estar ainda mais consistentes, não fossem as cotidianas cenas de descuido e insensatez observadas, ultimamente. Num país em que há “leis que pegam e leis que não pegam”, é esperar para saber o alcance prático da medida.

Questão de fé e defesa da vida

Apresentado por Walter Cavalcante (MDB), o projeto que prevê multa pelo não uso de máscara enfrentou resistências, a exemplo da deputada Dra. Silvana (PL), que, médica, disse preferir tomar hidroxicloroquina, preventivamente, a usar o artefato. Silvana pertence às fileiras evangélicas, enquanto Walter é católico militante. Ambos têm plateias específicas. Mas o uso obrigatório de máscara vai muito além da questão da fé – na base da qual, independentemente do credo, deve estar a enfática defesa da vida.