Manifesto pode ser embrião de alianças para 2022

Um nome de terceira via pode quebrar a polarização política que surge no horizonte

Chamou muito a atenção no meio político o “Manifesto pela Consciência Democrática”. Menos pelo conteúdo em si, também importante, mais pelos nomes que o subscreveram, “lançados”, cotados ou pelo menos citados como candidatos à sucessão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022: o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), ambos do PSDB, João Amoêdo (Novo), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido). Não está de todo descartada a possibilidade de aliança no sexteto, que resultaria em pelo menos duas chapas presidenciais – há várias combinações possíveis. Isso prosperando, o manifesto terá sido o melhor lance, até aqui, para  tentar desmontar a polarização bolsonarismo-lulopetismo.

Bolsonaristas e petistas, prováveis polos, acusaram o incômodo com o sexteto
Tanto foi exitosa a iniciativa do manifesto que reuniu pré-candidatos presidenciais que a reação foi imediata. Sem esconder o incômodo, bolsonaristas, de um lado, e petistas, do outro, logo trataram de fazer críticas. O PT, que perdeu uma boa chance de fazer coro à defesa democrática, foi às redes destilar mesquinhez. Já os palacianos ironizaram. Previsível.

Por um projeto nacional
Mandetta ou Amoêdo para vice em chapa encabeçada por Ciro, prévia no PSDB entre Doria e Leite, Huck em chapa tucana – o sonho de FHC -, são cenários possíveis, tanto quanto desafiadores. Há um complexo projeto político nacional a ser construído, com pouco tempo hábil para isso.

O contexto e os objetivos do teatro de guerra de Bolsonaro

Pressionar outros poderes está entre as estratégias do presidente / Marcos Corrêa/PR

Montado numa máquina trilionária e com duas usinas de propaganda – a oficial, do Executivo, e a controlada pelo clã -, o presidente Jair Bolsonaro tem parte das condições objetivas para torná-lo favorito na disputa por um segundo mandato consecutivo, em 2022. O grande gargalo é seu governo  – a variável mais forte. Há pouco a ser exibido – se houver. Tragédia na pandemia, fiasco na economia, inabilidade na política, tensão no relacionamento institucional e vexame na arena internacional. Isso, sem mencionar meio ambiente, direitos humanos e outros focos geradores de narrativas tangentes, em uma eleição que deverá ser, fortemente, marcada por extremismos.

Esse é um ângulo de onde é possível se observar o cavalo de pau que o presidente deu nos últimos dias. A dança das cadeiras nos ministérios civis e a implosão da cúpula dos ministérios militares foram gestados, grosso modo, com três objetivos práticos: 1º) tentar realinhamento com o centrão, cedendo mais espaço; 2º) ao mesmo tempo, mandar recado ao Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, via pretenso controle político das Forças Armadas e 3º), derivado, diretamente, do segundo: ensaiar o chamado teatro de guerra contra o ultimato do Comitê Contra a Covid, formado pelo Legislativo e Judiciário, reforçado por governadores.

As várias formas de uma coisa chamada centrão
Muitas vezes retratado como um corpo sólido e firme, o centrão do Congresso é, na prática, um ser gelatinoso, quando não esponjoso. Uma mistura de colcha de retalhos, brinquedo lego e massa de moldar. Mesmo avançando, cada vez mais, sobre nacos de governos, não baixa a guarda. Pressionar, sempre. Sentir-se farto, jamais. Tal qual uma nuvem de gafanhotos, aqui e ali forma nuvens, de formato e densidade diversas, numa dança sinuosa e macabra, até começar a devorar a próxima lavoura. É coeso quando interessa. É disperso quando lhe convêm.

Sobre como grupos políticos morrem
O PSDB local, estadual e nacional precisa se reencontrar com sua história e conteúdo programático – diferenciais que um dia lhe fizeram grande na política brasileira – inclusive, cearense. Só assim a sigla entenderá os desafios atuais e do futuro. Ou isso ou será mais uma demonstração de como grupos políticos morrem, empurrando seus bons quadros para outras agremiações.

Formato vai forçar transição de perfis
Lá atrás, no início da pandemia, aqui foi dito que estávamos entrando numa nova era de fazer política. Sobretudo, por conta do ambiente online e formatos remotos – este último, por imposição da pandemia. Relatos de alguns políticos veteranos em mandato parlamentar são desanimadores. Na maioria, falta inspiração e energia. Bom para a moçada que está chegando.

Com vacina própria, Brasil tentará lugar à mesa

Brasil é uma das poucas nações relevantes do mundo que não desenvolveram o próprio imunizante

Não chega a surpreender a politização em torno das possíveis vacinas com tecnologia totalmente nacional, num país em que o novo normal político é montar palanque eleitoral em cima de cadáveres humanos. Excluindo-se esse lamentável aspecto, o Brasil, a partir de agora, tenta um lugar à mesa ao redor da qual estão as grandes nações que imunizam suas populações contra o novo coronavírus com vacinas próprias. Para uma comparação menos injusta, éramos o único país dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que ainda depende de fórmulas estrangeiras para produzir o antídoto. Fica a lição para esta e as próximas gerações.

Ter a própria vacina não é uma questão de orgulho nacional, ufanismo ou outros penduricalhos. O vírus não tem bandeira nem sabe o que é o mapa-mundi. O ponto central é: a vacina brasileira, na prática, vai tirar do Brasil a necessidade de importar a matéria-prima, num contexto de uma guerra trilionária planetária, a preços draconianos, e justamente quando temos a mais desastrosa equipe de relações exteriores da nossa história moderna. No mais, o meio científico brasileiro recebeu a boa notícia entre comemoração e expectativa por mais informações sobre os estudos em andamento. De preferência, sem a politicagem de praxe.

A briga onde todos perdem e ninguém ganha
A maior cilada dos políticos brasileiros foi politizar a pandemia. A atitude matou pessoas, destruiu negócios, colocou o Brasil de joelhos diante do mundo e, numa espécie de efeito bumerangue, está, agora, se voltando contra os próprios, que têm de combater uma crise sanitária cada vez maior, com cada vez menos recursos. A tese do quanto pior melhor costuma resultar em terra arrasada, onde todos perdem ou, na melhor das hipóteses, quando são eleitos, herdam gestões falidas, com um árduo caminho pela frente.

Políticos versus politicagem
Há quem esteja colocando muita expectativa no Comitê Contra a Covid-19, criado em Brasília, para articular uma ampla reação à pandemia. Está marcada para hoje a primeira reunião de trabalho, envolvendo governadores estaduais. Será um foro, sobretudo, político, formado por políticos. Mas não precisa ser pautado pela politicagem.

O centrão sendo centrão
Uma espécie de adjetivo da política nacional, o centrão no Congresso Nacional, com apurado instinto de sobrevivência, já percebeu que o barco do governo Bolsonaro está fazendo água. O comitê anti-covid é um gesto de quem quer salvar um governo ao qual pertence. Mas não afundará junto. Foi assim desde a redemocratização.

Para (tentar) entender o governo Bolsonaro

Presidente: falsas convicções, desorganização do pensamento, mania de perseguição e até delírio / montagem


De maneira geral, gestões adquirem características da imagem de quem está no comando. Daí, traços pessoais são claramente identificados, tanto no discurso daquele líder quanto nas ações e reações, diante dos desafios do dia a dia. Nesse sentido, o governo Bolsonaro é a cara do presidente, com suas falsas convicções, desorganização do pensamento, mania de perseguição e até delírio. De forma bem superficial, no conjunto, são sintomas de esquizofrenia. Isso ajuda a explicar porque, mesmo sob intensa pressão e com graves ultimatos públicos dos próprios aliados, ainda estamos assistindo a um mandatário sem arredar o pé daquilo no que acredita.

O problema é que estamos falando de um presidente da República, que chegou ao poder por vias democráticas, num processo eleitoral seguro e votação livre. Mas que, no manejo do enfrentamento da pandemia de covid-19, arrastou o País para o abismo, num cenário de muito sofrimento, desespero e morte. Em circunstâncias do dia a dia, pacientes esquizofrênicos, dependendo do grau, são afastados de suas rotinas e passam a ser assistidos, já que podem representar riscos para si e terceiros. Parece ser esse o diagnóstico político do Brasil. PS: o acompanhamento médico pode ajudar, mas a esquizofrenia não tem cura.

A polarização domina clima na OAB-CE
Assim como a tóxica política partidária nacional, a OAB-CE está polarizada. O atual presidente, Erinaldo Dantas, já se movimenta, de olho na reeleição. A entidade tem um largo histórico de recondução de seus dirigentes. Já a oposição enxerga descumprimento de propostas e projetos pensados na campanha para a advocacia e dificuldades nos repasses como forma de suposto boicote a estruturas internas, como ESA e CAACE. Eis a base do discurso do movimento Muda OAB, que deverá lançar chapa. As eleições, no formato remoto, estão marcadas para novembro.

A mancada de Bolsonaro contra Ciro
Ao mandar a Polícia Federal processar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o presidente Bolsonaro errou feio. Em somente um lance, o Palácio do Planalto acendeu mais holofotes sobre o pré-candidato em 2022, vitimizou o pedetista e passou o recibo de que a PF se presta a politicagens – uma mácula para a instituição. Sem falar que o inquérito não vai dar em nada.

Motivos e resultados animam Tasso
Experiência, respeito e voz firme é o trinômio que define o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), além da marcante produção. Tanto é assim que a avaliação geral é de que o tucano cumpre um segundo mandato (2014-2022), bem acima do primeiro (2003-2010). O ex-governador trabalha como quem está querendo mais oito anos em Brasília. Motivos e resultados não faltarão.

Por sobrevivência, Bolsonaro pode tentar uma saída honrosa

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/24:

O Palácio do Planalto, endereço funcional do presidente da República / DIVULGAÇÃO


Principal variável, até aqui, dos próximos dois processos eleitorais – 2022 e 2024, pelo menos -, a pandemia de covid-19 pode obrigar o governo Bolsonaro a mudar o rumo. Não por convicção, mas por instinto de sobrevivência e oportunismo. As pressões política e jurídica internas só tendem a aumentar e a comunidade internacional, através da Organização Mundial da Saúde (OMS), já deu o recado. Some-se a isso a forte narrativa da opinião pública nacional, que fixa no presidente parte da responsabilidade pelo “genocídio” em curso. Nada disso é suficiente? É cedo para dizer. O fato é que, por várias vezes, Bolsonaro já tentou mudar o discurso

Aqui e ali, o presidente dá sinais, mesmo que tímidos, de que procura uma saída honrosa para a péssima aposta que fez, quando começou a minimizar a crise sanitária, na metade do primeiro semestre do ano passado. Ninguém seria capaz de imaginar a extensão da tragédia. De lá para cá, quanto mais a pandemia escala números, mais Bolsonaro radicaliza, sempre sinalizando para seu núcleo duro. A questão é que, atualmente, segundo as últimas pesquisas, o apoio consolidado do presidente não passa de 25% do eleitorado. Na outra ponta, 54% apontam a gestão federal como ruim e péssima. Ele vem dobrando a aposta. Mas, nem sempre a mesa ganha.

Polarização Bolsonaro-Lula cada vez mais perto
A votação da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou parcial a atuação do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, nos processos da Lava Jato contra o ex-presidente Lula, coloca mais pressão sobre a chamada terceira via da corrida presidencial de 2022. Isso porque o petista, o grande vencedor do impasse jurídico, ficará cada vez mais perto da absolvição ou prescrição dos delitos que supostamente cometera. Com a decisão, na prática, a polarização Bolsonaro-Lula ficou mais próxima.

Chance de terceira via está no desgaste dos polos
A terceira via, como o conceito já define, não estará nos polos do espectro político de 2022. O desafio será construir uma ampla plataforma que atraia ou puxe de volta parte do eleitorado que, por inércia ou ausência de força gravitacional, esteve com o bolsonarismo ou o lulopetismo em 2018. Dado o desgaste de Bolsonaro e Lula, não é missão impossível.

O centrão como fiel da balança e a pandemia
O centrão, hoje no comando do Congresso Nacional, será, cada vez mais, o fiel da balança do governo Bolsonaro. Instalação da CPI da Covid, abertura de processo de impeachment ou mesmo isolamento político do presidente podem abrir crises no Planalto, ao ponto de mudar o cenário e inviabilizar a reeleição. Vai depender do trato com a pandemia.

A marcha da insensatez bolsonarista

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/22:

Em ritmo sempre crescente, presidente vem afrontando as instituições democráticas do País e a sociedade brasileira / DIVULGAÇÃO

Assim como a democracia vai se consolidando à medida que amadurece seus processos e fortalece as instituições, sistemas ditatoriais não nascem do dia para a noite. É um rito, que começa, basicamente, com sede de poder, métodos autoritários e desrespeito às várias formas de liberdade. É mais ou menos nesse ponto em que se encontra o governo Bolsonaro. Pior: está em movimento, parecendo saber onde quer chegar. O comportamento – palavras e atitudes – do presidente da República deixa poucas dúvidas de que há uma orquestração em curso. Somente isso explica os recados e incitações que o mandatário vem praticando, de forma cada vez mais forte.

Misturar, deliberadamente, os protocolos sanitários e decretos de isolamento social rígido dos estados brasileiros com “estado de sítio”, sugerir que seus seguidores poderão cometer desobediência civil e que “o meu Exército” não vai impedir é forçar a mão. Bolsonaro está pisando na risca, de onde é impossível ou muito difícil voltar. Um aspecto é Bolsonaro equilibrar-se, politicamente, na ideologia discordante de outras correntes de pensamento. Outro, é afrontar e ameaçar a sociedade brasileira, num frontal atropelo à Constituição Federal, que ele jurou defender. O Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional precisam reagir à altura. Antes que esse cidadão ultrapasse a linha.

Felizmente, centrão não gosta de se queimar
Os presidentes Arthur Lira (PP-AL), na Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Senado, são aliados de Bolsonaro. Entende-se, portanto, o indisfarçável esforço de pôr panos quentes na pressão que vêm sofrendo para conter os excessos do Chefe do Executivo Federal. Mas a situação é mais profunda. Bolsonaro está tentando arrastar o País para o confronto, tendo a pandemia de covid-19 como pano de fundo. O presidente corre o risco de autocombustão. Felizmente, pelo que se conhece do centrão, Lira e Pacheco fogem desse tipo de fogo.

Parcelas do eleitorado pode voltar
Riscos institucionais à parte, as jogadas de Bolsonaro no tabuleiro político unificará, cada vez mais, seus seguidores em torno de si. Estamos, dessa forma, diante de um processo de radicalização do bolsonarismo. Por outro lado, a oposição poderá ter de volta grandes parcelas do eleitorado que apoiaram o então candidato a presidente em 2018.

Radicalismo favorece oposição, mas…
Com a radicalização de Bolsonaro, o jogo sucessório de 2022 pode ficar bem mais em aberto do que está atualmente. Isso acontecendo, o mais provável é que muitos nomes sejam lançados ao Palácio do Planalto. Significa que a tão sonhada frente de oposição ficará pelo caminho – o que poderá, ironicamente, abrir uma larga estrada para o presidente, rumo à reeleição.

Comentários sobre a ação da Polícia Federal contra Ciro Gomes

Ex-ministro é pré-candidato à sucessão de Jair Bolsonaro pelo PDT / DIVULGAÇÃO

1 – A reação de Bolsonaro foi um erro. Presidente mordeu a isca.
2 – A polêmica atiçou o cirismo. Importante para o pré-presidenciável.
3 – Há limites entre crítica política e crime contra a honra. Alguém sabe?
4 – “Fabrício Queiroz”, “miliciano” e “rachadinha” na mesma frase? Pleonasmo.
5 – Objetivo de Bolsonaro é intimidar adversários. Não funciona com Ciro.
6 – O inquérito da PF vai dar em absolutamente nada. Até meu pet sabe disso.
7 – A PF não pode ser transformada em polícia política. Perderá prestígio.
8 – Moro também foi alvejado por Ciro. Bem vindo ao ringue.
9 – Ciro fez as acusações na rádio Tupinambá. De Sobral para o mundo.

Sobre pandemia, calamidade pública e ética dos gestores

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/19:

Plenário da Assembleia Legislativa do Ceará, onde são aprovados os decretos de calamidade pública municipal / DIVULGAÇÃO

A pandemia de covid-19 desencadeou uma onda de calamidade pública em todo o País. Do Governo Federal a municípios “perdidos” no mapa, passando por todas as Unidades da Federação. O dispositivo, aprovado pelos respectivos legislativos, é uma espécie de facilitador de contratação de prestadores de serviços, compras de vários tipos e outras demandas, tendo em vista as óbvias situações de emergência disparadas pelo novo coronavírus. Mas se engana quem acredita ser a situação um liberou geral, como fazem crer os desconhecedores da lei, ou uma porta escancarada para os gestores mal intencionados.

Desde o início da pandemia, vaticinou-se que este tenebroso período revelaria o pior e o melhor das pessoas – aí incluídos os políticos. Mas, estes, acredita-se, seguirão sendo o que sempre foram. Os honestos continuarão honestos, independentemente do rigor da lei e dos filtros aplicados às suas práticas. Já os desonestos verão nos decretos um salvo conduto para meter a mão no erário, já que, em tese, as regras foram afrouxadas. Estes, entretanto, se já faziam antes da pandemia e farão no pós-pandemia, por que deixarão de fazer agora?

É bem verdade que o ditado “a ocasião faz o ladrão” vez por outra pode ser um péssimo conselheiro de quem gere a coisa pública. Em contraponto, lembremos que ética é aquilo que se faz quando ninguém está olhando. No caso de administrações sob calamidade pública, equivale ao que gestores estão fazendo, mesmo se considerando a fiscalização e o controle mais flexíveis.

O exemplo de transparência, do Ceará para o Brasil
Em tempos de priorização de gastos com a pandemia, em que todo dinheiro é pouco e governadores e prefeitos estão fazendo de tudo para salvar vidas, não medindo esforços financeiros, vale o registro brioso do Estado do Ceará, que lidera, pela segunda vez, o Ranking Escala Brasil de Transparência 360º. Em síntese, trata-se da disponibilidade de acesso de dados das contas públicas como um todo – não somente em relação à covid-19 -, sob a liderança do governador Camilo Santana. O ranking é mantido pela Controladoria Geral da União (CGU) – a maior autoridade no meio do País.

A crise do governo e a fórmula de Mourão
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB) vem colocando panos quentes na crise – alimentada pelo titular do cargo, Jair Bolsonaro (sem partido). O general diz que a ampla vacinação e o auxílio emergencial devolverão o governo aos trilhos. Como assim? Estamos longe de ter vacinação massificada e o socorro financeiro será muito aquém.

A sentida ausência de Odorico Monteiro
O professor de medicina e pesquisador da Fiocruz, médico Odorico Monteiro, está fazendo falta na Câmara dos Deputados, onde exerceu mandato de 2015 a 2018. Se lá estivesse, o ex-parlamentar, certamente, estaria em evidência nos debates da Casa, pela capacidade técnica e talento político. Mas Odorico não saiu da política. É vice-presidente do PSB-CE.

Queiroga na Saúde: mais um lance na paz armada entre Bolsonaro e centrão

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/17:

Atual ministro, Marcelo Queiroga, e o antecessor, Eduardo Pazuello: substituição tensa / FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL


Política é feita de formalidades, liturgias, acordos e interesses. E cada histórico nestes dois últimos quesitos vai montando o perfil dos personagens em questão. Vejamos o presidente Bolsonaro e membros do centrão. Velhos conhecidos um do outro. Tanto que, naturalmente, fizeram um arranjo de conveniência mútua. E, como aqui já registrado, trata-se de casamento que apresenta fissuras. A mais recente foi a nomeação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ao perceber que a turma do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), movimentava-se para emplacar o substituto de Eduardo Pazuello, o Planalto apressou o processo.

No Senado, houve situação semelhante, só que com muito mais potencial de estrago. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) fez chegar ao Planalto a pressão que vinha sofrendo para segurar o pedido de CPI da Pandemia, cujo alvo era o então ministro da Saúde, com respingos – na realidade, o alvo principal -, o presidente Bolsonaro. O pedido tem 33 assinaturas, mais do que o suficiente. A substituição de Pazuello por Queiroga, portanto, foi providencial, uma vez que o pedido de CPI, se não perdeu o objeto, fez, no mínimo, a pressão baixar vários graus. Tudo somado e considerado, a nomeação do cardiologista abortou duas operações de pressão de líderes do centrão sobre Bolsonaro. Só não se sabe até onde a estratégia vai funcionar.

2022: os pólos e a larga faixa do centro
Os principais observadores políticos fazem os cálculos e avaliam que, grosso modo, um pouco mais de 1/5 do eleitorado nacional pertence, atualmente, ao núcleo duro bolsonarista. Dependendo do cenário e da simulação de palanque, uma faixa semelhante ou rapidamente acima estaria no outro polo. Isso significa que 3/5 de aptos a votar estão soltos e flutuantes, entre possíveis nomes de centro e a tendência a se abster, anular o voto ou deixar em branco. São índices que, potencialmente, colocam um candidato competitivo no segundo turno. Potencialmente.

No lugar da resistência, solidariedade
Por mais que haja discordância pontual ou pedido de ajuste, não temos grandes líderes da economia local frontalmente contrários ao distanciamento social rígido. Menos ou mais, a maioria está perdendo – ou deixando de ganhar. Por outro lado, há uma grande corrente do bem, a exemplo do esforço que ajudou o Governo do Estado a montar uma ala inteira, com 30 leitos de UTI, voltada à covid-19.

ACMP: avançar com independência
A partir de abril, a Associação Cearense do Ministério Público (ACMP) estará de diretoria nova. Sai da presidência Aureliano Rebouças, entra Herbet Santos. Eleito no último dia 5, com 61% dos votos, o promotor de Justiça assume com a responsabilidade de dar sequência ao aprovado trabalho do antecessor, cujo legado inspirou o batismo da chapa vitoriosa: “Avançar com Independência”. 

Sucessão 2022: a lista de Tasso

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/15:

Ex-governador citou dois governadores filiados ao próprio PSDB/AG. SENADO

É fato que a hipotética entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pré-articulações para 2022 está mexendo com os possíveis cenários de sucessão do atual hóspede do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro (sem partido). Sobretudo no centro do espectro político nacional, uma vez que, na cotação do dia e pelo tom do petista, há forte tendência de haver polarização entre o atual e o ex-mandatário da República. Parte dessa estratégia de cada um que, convenientemente, se retroalimentam, já foi abordada neste espaço. Pois bem. Com isso, abre-se uma larga avenida para a terceira via – justamente onde o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) elucubrou suas apostas.

São elas: os atuais governadores, João Dória (SP) e Eduardo Leite (RS), ambos do PSDB; os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), além do apresentador de TV  Luciano Huck (sem partido). Obviamente que, cada um com perfil e potencial distintos, vai trilhar rumos que, dependendo das muitas variáveis, poderá se viabilizar, surpreender, positivamente, ou mesmo ser um retumbante fracasso. Estes e outros fatores considerados, e olhando a fotografia do momento, é demonstrável que as chances dos nomes listados pelo senador tucano segue, com pequenas oscilações, a seguinte ordem decrescente: Ciro, Dória, Eduardo, Mandetta e Huck.

Por que sim Ciro e por que não Dória
O ex-governador do Ceará é o que, de muito longe, tem o maior recall eleitoral, com grande conhecimento de Brasil, larga experiência em disputas do tipo e exímio orador-debatedor. Além disso, tem boas vitrines para exibir ao Brasil, a exemplo das gestões pedetistas instaladas no Ceará. Este ponto nos leva a Dória, que em meio à pandemia e enfrentando dificuldades de todos os lados, vê sua popularidade cair no estado que governa. Não há fardo mais pesado para um pretendente do tipo, sem falar no desgaste de seu partido, que a cada dia perde relevância.

Corrida não é tarefa para inexperientes
Eduardo Leite, o atual governador dos gaúchos, entra na lista mais como deferência de Tasso, que deve enxergar no correligionário mais potencial do que chances reais de disputar o Planalto. O senador sabe que isso não é tarefa para inexperientes. Particularmente, numa disputa em que bolsonarismo e lulo-petismo vislumbram um jogo para lá de duro.

Um bom contraponto e muito barulho
Respeitado no meio sanitário e em alta, politicamente, por ser um dos mais sérios contrapontos à política desastrosa de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia, Mandetta, como nome a suceder o atual presidente é um bom pré-candidato ao governo do Mato Grosso do Sul. Chegamos, por último, ao outsider Luciano Huck. Sem comentários. Quem gostou faz barulho!