Bolsonaro, Datafolha e a busca por salas maiores

Presidente “não tem culpa nenhuma” pela morte dos 100 mil por Covid-19, dizem 47% dos entrevistados do Datafolha

Até poucas semanas atrás, Jair Bolsonaro era um leproso político. Os adversários mais otimistas acreditavam que, sob intensa artilharia político/midiática, acusações e desarticulação de seu governo no enfrentamento à pandemia, o hóspede do Planalto chegaria em frangalhos à campanha eleitoral.

Não está sendo bem assim.

O Datafolha mostrou, na última quinta/13, que o presidente atingiu sua melhor avaliação, desde o começo do mandato. Neste sábado, o mais acreditado instituto de pesquisa do País revelou que para 47%, Bolsonaro “não tem culpa nenhuma” pelas 100 mil mortes por Covid-19.

Não fossem os riscos de aglomeração humana, a maioria dos dirigentes partidários, pré-candidatos, marqueteiros, consultores e afins, todos com prancheta na mão, estariam se acotovelando numa sala, revisando, ajustando – talvez, refazendo – suas estratégias.

Quem sobe, quem desce e quem fica parado diante das espantosas novidades trazidas pelo Datafolha?

Por enquanto, todos ficam onde estão. Ainda é muito cedo para que um novo cenário, sem os clichês do antibolsonarismo, seja considerado na corrida por prefeituras e cadeiras de vereador.

Os índices do Datafolha formam um retrato da média nacional. Cada realidade local sofre variáveis específicas – como é o caso de Fortaleza.

Mas não custa nada os antibolsonaristas encomendarem mais café, convidarem mais “especialistas” para o staff das pré-candidaturas e providenciarem salas maiores.

Com participação de Tasso, live do PSDB Mulher debate presença feminina na política

Live do Secretariado das Mulheres do PSDB-CE discutiu perspectivas das mulheres na política

Dados de 2018 mostram que o eleitorado do Ceará é dividido entre 53% de mulheres e 47% de homens. Nos dois principais parlamentos do Estado – Assembleia Legislativa e Câmara Municipal de Fortaleza -, entretanto, são vexatórios os índices de participação feminina.

São seis deputadas estaduais (13% das 46 cadeiras) e seis vereadoras na Capital (14% de 43 assentos). Na bancada federal, o índice é ainda mais inexpressivo, com apenas uma mulher deputada federal (4,5% de 22 vagas).

Para enfrentar esse grande desafio – e até mesmo para cumprir a legislação eleitoral, que prevê no mínimo 30% das candidaturas para cada gênero -, o Secretariado das Mulheres do PSDB no Ceará debateu a participação feminina na política.

O encontro reuniu, remotamente, parlamentares e pré-candidatas do partido que disputarão as eleições municipais de novembro. Principal liderança tucana no Estado, o senador Tasso Jereissati destacou a necessidade de engajamento das mulheres no debate político e na formulação das políticas públicas.

“A ética e o espírito público são características das mulheres. Deposito enorme confiança nas candidaturas das mulheres do PSDB no Ceará”, afirmou o senador na live. O Secretariado do PSDB Mulher é presidida no Ceará por Maria Jesus Bertolo.

Líder do Partido na Assembleia Legislativa, a deputada Fernanda Pessoa destacou o papel da ex-primeira dama, Renata Jereissati. “Foram inúmeras ações de fortalecimento do artesanato cearense com investimentos na qualificação e na geração de novos negócios”, lembrou.

Também presente no encontro, a vereadora de Caucaia e pré-candidata a Prefeita do Município, Emília Pessoa, defendeu maior participação das mulheres na política.

Já o presidente do Diretório Estadual do PSDB, Luiz Pontes, ressaltou que eventos dessa natureza serão cada vez mais frequentes no PSDB e que o partido estimula o surgimento de mais lideranças femininas na política.

Élcio: campanha em Fortaleza será “bastante difícil”

Élcio (acima, à direita) diz querer liderar projeto de novas ideias e avanços / Reprodução Youtube

O ex-secretário-chefe da Casa Civil e pré-candidato a prefeito de Fortaleza, Élcio Batista (PSB), disse hoje, durante live, que a disputa eleitoral para a sucessão de Roberto Cláudio (PDT) será “bastante difícil”.

Um dos nomes colocados à mesa pelo governador Camilo Santana (PT), Élcio é uma das oito opções do arco de aliança em torno do Paço Municipal, que inclui cinco pré-candidatos do PDT, um do Cidadania e outro do PT.

“O projeto, o compromisso e o contexto vai ser definidor (sic) para saber quem é o melhor pré-candidato para enfrentar os desafios de uma campanha eleitoral que imagino será bastante difícil aqui na cidade de Fortaleza”, disse o pré-candidato.

Élcio não detalhou quais seriam as “dificuldades”.

Ao logo da live, entretanto, o pré-candidato do PSB firmou compromisso com valores como igualdade e liberdade, e criticou a postura do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Realizada no início da tarde desta quarta/12, a live com Élcio abriu a série de entrevistas com os pré-candidatos à Prefeitura de Fortaleza, realizada pelo jornal O Otimista. Íntegra aqui.

Élcio deu a declaração quando respondia uma pergunta sobre os motivos que o teriam levado a entrar na disputa.

O pré-candidato lembrou que está inserido nos desafios da Cidade de Fortaleza desde a primeira campanha de Roberto Cláudio (2012), quando foi um dos coordenadores do plano de governo.

O pré-candidato citou, em tom elogioso, pelo menos três áreas – educação, infância e habitação – da gestão Roberto Cláudio com as quais assumiu o compromisso de fazer mais.

“Queremos liderar um projeto de novas ideias e avanços significativos”, disse Élcio, para quem o principal compromisso é com a Cidade.

Questionado sobre a possibilidade de vir a ser indicado candidato a vice-prefeito na chapa governista, Élcio disse que “nem o PSB faz exigência para ser cabeça de chapa nem o PDT deve fazer exigência para ser cabeça de chapa”.

TrendsCE: Bruno Girão, da Betânia Lácteos, participa da série “O sucesso das empresas familiares no Ceará”


A série “O sucesso das empresas familiares no Ceará: um potencial de bons investimentos” segue nesta terça/11, com Bruno Girão, CEO da Betânia Lácteos, marca cearense líder do setor no Nordeste.

Realizado pela TrendsCE, plataforma especializada em conteúdos de negócio do Estado, o webinar, segundo da série, começa às 20h.

Transmitido pelas plataformas digitais da TrendsCE, o diálogo será mediado por Eduardo Gomes de Matos, sócio e chairman da Gomes de Matos Consultores Associados.

A iniciativa objetiva compartilhar modelos de empresas familiares que foram implementados, gerando cases de sucesso no Estado.

De acordo com a assessoria de imprensa da plataforma, além de Bruno Girão, estarão entre os convidados Ticiana Rolim, Ari de Sá Neto e Jorge Pinheiro.

Confira programação:
11/08: Convidado Bruno Girão (CEO da Betânia Lácteos)
19/08: Convidada Ticiana Rolim (diretora de Gente e Impacto Social da C. Rolim Engenharia)
25/08: Convidado Ari de Sá Neto (fundador e CEO da Arco Educação)
31/08: Convidado Jorge Pinheiro (presidente do Hapvida)

A clara posição política como peça de marketing eleitoral

Carmelo Neto (Republicanos) se apresenta como “maior representante da direita na Capital / Divulgação

Como já analisado pelo Blog aqui e aqui, o pleito de novembro próximo será marcado pelas posições dos candidatos em relação a seus espectros ideológicos.

Ou seja, no Brasil da política personalista, teremos pelo menos três raias – bolsonarista, cirista e lulista -, com os respectivos polos antagônicos – antibolsonarista, anticirista e antilulista.

Para alguns concorrentes, não será fácil assumir, claramente, a posição. Para outros, entretanto, é quase uma questão de marketing demarcar bem a faixa na qual pretende correr.

Neste último caso se enquadra Carmelo Neto, filiado ao Republicanos.

Habitué das redes sociais, o jovem era, até esta segunda/10, conselheiro Nacional de Juventude, vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Carmelo desincompatibilizou-se do cargo, mas não se afastou de seu líder maior, o presidente Jair Bolsonaro. Pelo contrário.

Carmelo se diz “próximo de diversos ministros e figuras do governo”, a exemplo dos ministros Gomes de Freitas (Infraestrutura), Damares Alves (Mulher) e da inquieta deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Disposto ao debate, Carmelo se define como o “maior representatividade na direita entre os nomes da Capital”.

Com esse alvo político na testa e forte marca do bolsonarismo – a la ame-o ou o odeie – o republicanista pretende disputar uma das 43 cadeiras da Câmara Municipal de Fortaleza.

Sem apoio de prefeitos de capitais, reforma tributária avança nos estados

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/10:

PEC 45, defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, têm ampla aderência do setor privado / Tânia Rêgo/Agência Brasil

Depois de mastigada em nível federal – onde foi amplamente debatida e recebeu contribuições dos principais setores representativos do PIB nacional, a reforma tributária chega aos estados. A comissão mista do Congresso Nacional que discute a Proposta de Emenda à Constituição 45/2019 (PEC 45) que tramita na Câmara dos Deputados, deverá reunir, nesta quarta/12, secretários estaduais da Fazenda. Participarão o presidente da Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Fazenda (Comsefaz), Rafael Fonteles, titular da pasta do Piauí, e representantes das cinco regiões do País.

Mas há pedras no caminho. A começar pelo bate-cabeça entre o Congresso e o Planalto. Enquanto deputados e senadores discutem uma proposta mais ampla, produzida pelo Parlamento, o Executivo enviou somente uma fatia do que seria a proposta do governo Bolsonaro. Já no mérito, enquanto a proposta dos parlamentares é aceita por governadores e agrega mais apoio do setor privado, é rejeitada por prefeitos de capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes. Motivo? Os gestores destas cidades não querem a inclusão do importante Imposto Sobre Serviço (ISS) na reforma tributária.

Mais abrangente e com aval de Maia

No miolo da proposta tributária em tramitação na Câmara dos Deputados, cinco impostos que incidem sobre o consumo (ICMS, PIS, Cofins, ISS e IPI) serão substituídos por apenas um, chamado Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS). É bem mais abrangente, portanto, do que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de autoria do Executivo, que unifica somente PIS e Cofins. Em mais um ponto de divergência com Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está em campanha aberta pela aprovação da PEC do Congresso.

Por que o PSD consolidou-se como segunda maior força política do Ceará

Domingos Neto, Erika Amorim, Domingos Filho e Patrícia Aguiar: liderança e capilaridade / Divulgação

Nem só de caça ao voto, bandeiras e projetos vivem os partidos políticos. São igualmente imprescindíveis lideranças consolidadas, infraestrutura e capilaridade político-eleitoral no ecossistema em que atuam.

É isso o que faz do PSD a segunda maior força política do Ceará – atrás somente do PDT, que há cinco anos abriga os Ferreira Gomes.

Uma dessas demonstrações de força foi vista nesta sexta-feira, quando a sigla de Domingos Filho, Domingos Neto e Patrícia Aguiar promoveu seminário virtual para pré-candidatos a prefeito, vice-prefeitos e vereadores de todo o Ceará.

Na pauta, dúvidas sobre legislação eleitoral, prestação de contas, marketing digital e, como ponto alto do encontro remoto, painel dedicado à mulher – cujo núcleo do gênero no Estado é presidido pela deputada estadual Erika Amorim.

Um dos grupos que mais cresceram nos últimos meses no Ceará, o PSD administra, atualmente, 36 cidades e terá candidatos a prefeito em 116 municípios, vice-prefeitos em 32 cidades e centenas de pré-candidatos a vereadores em todo o Estado.

Força relevante do Congresso Nacional – Domingos Neto é relator do Orçamento da União na Câmara dos Deputados -, o PSD é liderado no Ceará pelo ex-vice governador do Estado, o veterano Domingos Filho.

Ao final do seminário, o presidente Domingos Filho resumiu o evento assim: “A participação foi massiva. As mobilizações devem continuar. Esse será um pleito diferente e desafiador, mas sairemos fortalecidos”.

Pela organização, tamanho e alcance da mobilização desta sexta, há boas chances de Domingão estar certo.

Alexandre Pereira, Felipe Adjafre e a boa música em homenagem ao Dia dos Pais

O pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza (e) é ex-secretário de Turismo da Capital / Divulgação

Parceiros em vários projetos e amigos de longa data, o pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza, Alexandre Pereira (Cidadania) e o pianista Felipe Adjafre promovem, a partir das 11h23min deste sábado, live musical em homenagem ao Dia dos Pais.

Transmitido pelas redes sociais de ambos, o concerto ao piano terá músicas populares e clássicos que fizeram parte do repertório do Por do Sol – projeto idealizado pela dupla, quando Alexandre esteve à frente da Secretaria de Turismo da Capital.

A dupla prestará homenagens aos profissionais da saúde que estão na linha de frente no combate à Covid-19. Também serão lembrados os profissionais de cultura da Cidade, em difícil situação por conta da pandemia.

Mesmo com o isolamento social, Alexandre mantém frenética agenda, na construção de sua plataforma politica, de olho no Paço Musical.Felipe segue no concorrido roteiro de apresentações.

Mas quem disse que não cabe uma paradinha para uma justa homenagem? Alexandre e Felipe mostram que sim e, sem trocadilho, acertarão a mão – e os dedos -, naquilo que mais toca o coração de todos os pais: a boa música.

SERVIÇO
Live – Concerto musical com Felipe Adjafre e Alexandre Pereira
Data: 8/8 (sábado)
Horário: 11h23min
Transmissão ao vivo: Youtube e Instagram de Felipe Adjafre @felipeadjafre, Instagram de Alexandre Pereira @alexpereira1

Multa por não uso de máscara é antídoto contra insensatez

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, edição desta sexta/7:

Virou lugar comum a constatação de que a Codiv-19 mudou o mundo para sempre. Na política, isso já é um fato – da nova geopolítica internacional às receitas mais insanas, à base de ozônio. Entre um polo e outro, muitos desdobramentos do dia a dia vão se somando, dividindo opiniões e acumulando polêmicas. Particularmente, nesta pré-temporada de caça ao voto, em que o jogo de simpatia com o distinto público torna-se decisiva na vida pública de personagens, grupos políticos e gestões. De longe, o ponto mais barulhento, depois do case cloroquina, é o uso obrigatório de máscara.

Nesse sentido, foi muito acertada a aprovação, pela Assembleia Legislativa, de multa para quem não usar o EPI em locais públicos ou de uso coletivo. Na versão mais pesada, a sanção aproxima-se de R$ 1 mil. Conforme O Otimista mostrou nesta quinta-feira, 6/8, os indicadores da pandemia no Ceará seguem melhorando, mesmo com a retomada das atividades. E poderiam estar ainda mais consistentes, não fossem as cotidianas cenas de descuido e insensatez observadas, ultimamente. Num país em que há “leis que pegam e leis que não pegam”, é esperar para saber o alcance prático da medida.

Questão de fé e defesa da vida

Apresentado por Walter Cavalcante (MDB), o projeto que prevê multa pelo não uso de máscara enfrentou resistências, a exemplo da deputada Dra. Silvana (PL), que, médica, disse preferir tomar hidroxicloroquina, preventivamente, a usar o artefato. Silvana pertence às fileiras evangélicas, enquanto Walter é católico militante. Ambos têm plateias específicas. Mas o uso obrigatório de máscara vai muito além da questão da fé – na base da qual, independentemente do credo, deve estar a enfática defesa da vida.

Na mira de um pedido de CPI, Operação Lava Jato enfrentará seu mais duro teste

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) decidirá destino das investigações / Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/3:

O Brasil vive o mais longo período democrático de sua república. Mas não foram as urnas, e sim a Operação Lava Jato que produziu histórica mudança de paradigmas jurídicos e políticos no combate à corrupção, entranhada no Estado brasileiro. “Nunca na história desse país” se prendeu tanta gente de colarinho branco, rica, poderosa e até então inalcançável pela lei. Seis anos e 71 fases depois, a força-tarefa, que já executou mais de mil mandados de busca e apreensão, está diante de seu maior desafio: resistir à ofensiva de uma CPI, protocolada e pronta para ser instalada na Câmara dos Deputados.

Por onde passou, a Lava Jato deixou um rastro de cadáveres políticos, alimentou polêmicas e acumulou inimigos. Não foram poucas as acusações de abuso de autoridade e interesses eleitorais – vide o périplo de seu célebre garoto-propaganda, o hoje ex-juiz Sérgio Moro, sobre quem pesam especulações de projetos políticos. A gota d´água veio há poucos dias, quando o procurador-geral da República, Augusto Aras, revelou que a força-tarefa em Curitiba (PR) tem “documentos encobertos” de cerca de 38 mil pessoas, que estariam servindo de matéria-prima para “bisbilhotagem” e “chantagem”.

Clima político definirá investigação

Protocolado pelo deputado André Figueiredo (PDT-CE), o pedido de CPI da Lava Jato traz outros sete coautores, distribuídos entre PCdoB, PSB, PT e Psol. Foram recolhidas 176 assinaturas – todas validadas. Tecnicamente, a instalação está nas mãos do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mas o que definirá mesmo o destino da investigação será o clima político. O País está às vésperas de uma campanha eleitoral e, para usar um clichê, sabe-se como começa uma CPI, mas não como termina.