A peculiar relação do PT e Lula com o Ministério Público, imprensa e TCU

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/11:

O ex-presidente da República, durante discurso para militância / Ricardo Stuckert/IL

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) é autor do texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia os poderes do Congresso Nacional sobre o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O novo desenho institucional ameaça desfigurar o Ministério Público como o conhecemos. O caça às bruxas remonta à Operação Lava Jato e outras investigações cabeludas. Polêmica, a matéria está travada na Câmara dos Deputados.

Noutra frente, o ex-presidente Lula, há algumas semanas, fez uma série de desabafos sobre a imprensa e relação da cobertura com o governo da sucessora Dilma Rousseff (PT). Em síntese, o petista questionou porque a gestão da companheira não tinha avançado na ideia do conselho de comunicação social. A iniciativa suscitaria mecanismos de controle dos meios. Para os mais críticos, significaria censura. Sem consenso no PT e percebendo o ato falho, Lula jogou o debate para o Legislativo.

Durante o período em que esteve presidente da República, Lula fez vários discursos contra a atuação do Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2010, com a “mãe do PAC” às voltas com 32 obras federais paradas por indícios de irregularidade, o então mandatário chegou a defender “revisão no trabalho de fiscalização do TCU”. Da série recordar é viver.

Rejeição a Bolsonaro pode vitaminar União Brasil

Com rusgas domésticas e desembarque político, Bolsonaro tem futuro incerto / Divulgação

A rejeição recorde ao presidente Bolsonaro, que segundo o Datafolha chega a 59%, é uma boa notícia para o PT de Lula e uma excelente informação para o União Brasil – a nova maior força política da Câmara dos Deputados.

Para o lulopetismo, o índice não é motivo de plena alegria porque o próprio Lula, na mesma pesquisa, aparece com 38%, com tendência de subida, à medida em que o ex-presidente for atacado por seus adversários.

Já Bolsonaro, com força da caneta, tem chances de remover parte da montanha que o separa da popularidade, desde que reduza a auto sabotagem a que se assiste dia sim e outro também.

Entre parlamentares do DEM e PSL, de onde saiu o UB-44, a sensação deve ser de alívio ao, pelo menos formalmente, não mais se identificar com a atual gestão federal.

O movimento de distanciamento do bolsonarismo já vinha sendo sentido nas últimas semanas. As crises e rusgas domésticas criadas pelo centrão é um bom parâmetro para se medir a aceitação – ou não -, do presidente da República.

O resultado final da CPI da Covid poderá ser a pá de cal nas pretensões do ex-capitão do Exército em tentar ficar mais quatro anos no Palácio do Planalto. Ele mesmo vem colocando em dúvidas a candidatura à reeleição.

Até porque vai depender, muito, dos resultados práticos da plataforma política do União Brasil. O bloco vai, efetivamente, ter um nome viável? Se a reposta for “sim”, deveremos assistir a um gradual isolamento político do presidente.

Voltando ao PT, o ideal era que Bolsonaro não desistisse. Afinal, seria um passeio disputar voto com um presidente recordista em rejeição.

Mas, a quase um ano da eleição e ainda com tantas variáveis em aberto, é cedo imaginar algo do tipo.

Melhor mesmo é esperar para sabermos qual o efeito da rejeição a Bolsonaro no União Brasil, que passa a ter diante de si a possibilidade de acenar para os que rejeitam o atual e o ex-presidente.

Emprego, saúde e segurança

Governo e oposição já elaboram discursos e propostas / Arquivo Agência Brasil

Os três itens acima, variando um pouco, são os gargalos concretos do Ceará. Certamente, estarão presentes nos debates dos próximos meses, quando o clima de sucessão eleitoral chegar para valer. Isso, de forma explícita, porque, no dia a dia, já é perceptível a preocupação e o trabalho focado no tripé, de quem está no poder, e a construção de propostas que ofereçam melhores saídas, de quem quer chegar lá. Será um duelo proveitoso, desde que os principais personagens não se percam em pelejas ideológicas – convenientes para alguns, mas sem resultado prático para a maioria.

O Brasil descolado da agenda do mundo

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/11:

Plenário do Congresso, onde, em tese, são debatidos os grandes temas nacionais / Antonio Cruz/ Agência Brasil

Além de fazer a humanidade pisar fundo no freio, em vários aspectos, a pandemia evidenciou – ou aprofundou, como queiram -, a pobreza; há décadas, o planeta já emitia graves sinais de esgotamento eco ambiental; a indústria da tecnologia e informação, também há bastante tempo, impunha novos desafios a governos e sociedade. Por isso, na média geral, as nações mundo afora têm uma agenda, que com diferenças pontuais, vão na seguinte linha: combate à desigualdade social, novo pacto pela sustentabilidade e regulamentação das big techs. Essa foi, inclusive, a tônica dos discursos mais relevantes dos chefes de Estado, há alguns dias, na Assembleia Geral da ONU.

Enquanto isso, no Brasil, o debate nacional segue girando em torno da responsabilização pelos mandos e desmandos no manejo da pandemia, a superficial discussão de reformas pretensamente estruturantes e o já enfadonho enfrentamento a questões que rondam as polêmicas vazias do presidente da República. São itens que, dependendo do olhar e da boa vontade, formam uma pauta. No máximo. Mas não uma agenda nacional, pela qual se vislumbre um antes e um depois ou aponte caminhos para o País a médio e longo prazos. Não é um projeto. O tempo não espera por ninguém, muito menos a linha da história, que lá fora está sendo construída por quem olha para o futuro.

A cobrança de Danilo

Danilo defende renegociação de dívidas de desenvolvimento regional / Agência Câmara

O Brasil poderia retomar a economia a passos largos. Exemplo: nesta quinta-feira (7), o Congresso Nacional adiou a votação de vetos presidenciais à MP 1016/21 que prevê renegociação de dívidas com os fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro Oeste (FCO). Com a pandemia, a situação foi agravada. Atento, o deputado Danilo Forte (PSDB-CE) cobrou a votação. O parlamentar argumenta que pequenos empresários e produtores aguardam a regulamentação da matéria para renegociação das dívidas e retomada de atividades. Simples.

A homenagem de Sérgio

Deputado estadual é ex-vereador de Camocim / AL/Divulgação

Nem sempre compreendido em suas atribuições, o vereador é a ponta de capilaridade do poder institucional em uma comunidade – quer seja no micromundo do bairro ou na escala da cidade. Para homenagear essa espécie de ouvidor social, a Assembleia Legislativa faz sessão solene nesta sexta. A iniciativa é do ex-vereador de Camocim e municipalista, deputado Sérgio Aguiar (PDT).

A fila de Evandro

Presidente da Assembleia está na linha de sucessão de Camilo / Marcos Moura/AL/CE

Todo presidente de Legislativo é da linha de sucessão no Executivo. É assim na letra da lei. Evandro Leitão que o diga. O pedetista está numa seletíssima lista para sair candidato à sucessão de Camilo. Na cotação do dia, o dirigente da AL-CE vem logo atrás de Izolda Cela e Cid Gomes – com a diferença de que, nessa sequência, é a política, não a lei, que define o lugar na fila.

União Brasil: prós e contras da fusão DEM-PSL

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/6:

Partido nascerá como maior bloco parlamentar da Câmara, mas isso não é tudo / PSL/Divulgação

Eis que temos o já considerado maior bloco político da Câmara dos Deputados, em vias de virar partido, quando for oficializado pela Justiça Eleitoral. Algumas considerações – primeiramente, as positivas: a fusão entre DEM e PSL mostra, grosso modo, que as duas siglas tinham mais convergências do que divergências; a futura agremiação abrigará muitos dos mais importantes personagens da atual política brasileira – com opções presidenciáveis, inclusive; há um projeto de poder, nacional e regional, mais ou menos definido na cúpula do grupo; pelo tamanho, terá dinheiro a rodo para bancar candidaturas e o nome “União Brasil” é um presente para os marqueteiros.

Mas há alguns senões. A mera exibição de uma grande bancada fará do agrupamento um grande partido? O que a sigla apresenta para os principais gargalos do País? Há, efetivamente, um pensamento e um projeto de desenvolvimento nacional? Já tivemos várias bancadas gigantescas no Congresso que não passaram disso. Nunca chegaram ao Palácio do Planalto. Outra: o gigantismo arreganhou os olhos e os bolsos de muita gente. A disputa por controle regional, já em curso, pode atrapalhar, inclusive. Finalmente: há vários nomes à sucessão presidencial? Então é porque não há “o” nome. Assim, qual será a estratégia para tentar quebrar a polarização Bolsonaro-Lula?

O mundo das big techs

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/6:

Redes sociais detêm maior fluxo de informações do planeta / Divulgação

Além do WhatsApp e Instagram, o conglomerado encabeçado pelo Facebook inclui a Beat Games (realidade virtual), Diem (criptomoeda) e Onavo (análise de fluxo online), entre muitas outras estruturas. Simulações apontam que o público planetário circulante nestas plataformas supera os quase 8 bilhões de terráqueos. E que a quantidade de informações – pessoais, corporativas e institucionais – captadas, nem sempre, de forma clara – e armazenadas em seus servidores supera o volume de dados atualmente em poder do seleto clube da espionagem mundial.

Estamos falando de CIA e NSA (Estados Unidos), FSB (antiga KGB, Rússia), MSS (China), Stasi (Alemanha), Mossad (Israel), MI5 e MI6 (Reino Unido) e DPSD (França). A maioria destas nações também figura na lista dos maiores PIBs mundiais, compõe o clube nuclear e tem assento no Conselho de Segurança da ONU. Ou seja, trata-se de quem dá as cartas ao redor do mundo, decidindo sobre guerras, vidas e comportamentos.

Pelo menos era assim há até duas décadas, quando as atuais big techs – além do Face, o top five inclui Microsoft, Amazon, Apple e Google -, ainda eram linhas indecifráveis de programação de computador, que desafiavam sonhos de adolescentes com espinha em dormitórios de Harvard.

No limite, a democracia está em jogo
Entre necessidade e vício, o mundo travou, na última segunda-feira (4), com o apagão tecnológico do Facebook e subsidiárias. A pane global foi proporcional à importância com que cada um sentiu a ausência das redes e mensageiro, em praticamente todos os quadrantes do cotidiano. Monopólios, de forma generalizada, são sempre temerosos. Em se tratando de comunicação e informação, passam a representar perigos reais à coletividade, já que podem passar a controlar, censurar ou mesmo definir a forma de pensar de milhões de pessoas. No limite, é um risco à democracia.

Diferencial na região

BNB é principal instituição financeira com sede na região / BNB/Divulgação


A semana foi marcada pela mudança no comando do Banco do Nordeste, a mais importante instituição financeira sediada na região – mais precisamente, em Fortaleza. Para dizer pouco, somente no primeiro semestre de 2020, foram mais de R$ 20 bilhões em investimentos. Que siga assim, sendo diferencial desenvolvimentista em uma das regiões mais pobres do País.

Em defesa da instituição
O BNB é uma das jóias da coroa do Governo Federal no Nordeste. Por isso, para a instituição voltam-se muitos olhares. Entretanto, independentemente de pontuais barulhos, o banco deve ser defendido, pela história e seriedade, como fez o deputado federal Danilo Forte (PSDB), em pronunciamentos na Câmara dos Deputados, para quem “resultados não têm ideologia”. Correto.