Arcabouço: Arthur Lira cria dificuldade para vender facilidade

Presidente foi reeleito com 464 dos 513 votos / Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Começou, oficialmente, na noite desta terça-feira (18), o mais importante teste político do terceiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Trata-se da entrega, pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda, PT) à Câmara dos Deputados, do projeto de novo arcabouço fiscal do governo federal.

O envelope foi recebido pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Na ocasião, houve uma rápida coletiva de imprensa.

Em linhas gerais, a proposta prevê rearranjos na arrecadação e novo cálculo de piso e teto de investimentos, sem perder de vista o equilíbrio fiscal.

Na prática, o Palácio do Planalto quer gastar mais. O lulopetismo sabe que essa é a fórmula da popularidade.

Mas vamos ao ato da entrega do envelope de Haddad a Lira.

Perguntado por um jornalista se haveria alguma dificuldade política na aprovação das novas regras, o presidente devolveu a pergunta;

“O senhor acha que eu vou dificultar? Se você não acha eu também não acho que eu vou dificultar”, declarou, ao lado do ministro da Fazenda.

Lira respondia a uma pergunta sobre o perfil do relator da proposta – se da base governista ou da oposição – a ser definido por ele.

Atos contrariam
O histórico do presidente da Casa contraria as próprias palavras.

Muito bem reeleito presidente do Poder, em fevereiro – foram 464 dos 513 votos – o alagoano movimenta-se para ser, no mínimo, o principal fiador do arcabouço.

No máximo, pretende seguir sendo uma espécie de despachante fora da Esplanada dos Ministérios, em cargos, verbas e outros tipos de barganhas e facilidades.

Não foi por menos que dias antes do envio da proposta, Lira anunciou um blocão, com quase 180 parlamentares.

São quase 40 deputados a mais do que um grupo anterior, formado pela base lulista na Casa, que chegou a 142 nomes.

Nesta terça, durante a rápida conversa com veículos de comunicação, o presidente da Câmara citou o apoio mínimo necessário à proposta do Executivo.

Lira lembrou que são necessários 257 votos -, mas disse que iria trabalhar para o governo obter, por baixo, 308.

Ou seja, o placar passaria do piso de voto necessário, em maioria absoluta, a de quórum qualificado – o que daria mais respaldo às futuras regras de arrecadação e despesas da União.

Há poucos dias, entretanto, o chefe dos deputados afirmou que o governo precisava “azeitar” a base para votar o novo arcabouço.

Considerando-se toda a dinâmica e declarações do presidente da Câmara, constata-se que, ao fazer o conhecido movimento morde-assopra, Lira quer criar problemas para vender soluções.

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