O contexto e os objetivos do teatro de guerra de Bolsonaro

Pressionar outros poderes está entre as estratégias do presidente / Marcos Corrêa/PR

Montado numa máquina trilionária e com duas usinas de propaganda – a oficial, do Executivo, e a controlada pelo clã -, o presidente Jair Bolsonaro tem parte das condições objetivas para torná-lo favorito na disputa por um segundo mandato consecutivo, em 2022. O grande gargalo é seu governo  – a variável mais forte. Há pouco a ser exibido – se houver. Tragédia na pandemia, fiasco na economia, inabilidade na política, tensão no relacionamento institucional e vexame na arena internacional. Isso, sem mencionar meio ambiente, direitos humanos e outros focos geradores de narrativas tangentes, em uma eleição que deverá ser, fortemente, marcada por extremismos.

Esse é um ângulo de onde é possível se observar o cavalo de pau que o presidente deu nos últimos dias. A dança das cadeiras nos ministérios civis e a implosão da cúpula dos ministérios militares foram gestados, grosso modo, com três objetivos práticos: 1º) tentar realinhamento com o centrão, cedendo mais espaço; 2º) ao mesmo tempo, mandar recado ao Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, via pretenso controle político das Forças Armadas e 3º), derivado, diretamente, do segundo: ensaiar o chamado teatro de guerra contra o ultimato do Comitê Contra a Covid, formado pelo Legislativo e Judiciário, reforçado por governadores.

As várias formas de uma coisa chamada centrão
Muitas vezes retratado como um corpo sólido e firme, o centrão do Congresso é, na prática, um ser gelatinoso, quando não esponjoso. Uma mistura de colcha de retalhos, brinquedo lego e massa de moldar. Mesmo avançando, cada vez mais, sobre nacos de governos, não baixa a guarda. Pressionar, sempre. Sentir-se farto, jamais. Tal qual uma nuvem de gafanhotos, aqui e ali forma nuvens, de formato e densidade diversas, numa dança sinuosa e macabra, até começar a devorar a próxima lavoura. É coeso quando interessa. É disperso quando lhe convêm.

Sobre como grupos políticos morrem
O PSDB local, estadual e nacional precisa se reencontrar com sua história e conteúdo programático – diferenciais que um dia lhe fizeram grande na política brasileira – inclusive, cearense. Só assim a sigla entenderá os desafios atuais e do futuro. Ou isso ou será mais uma demonstração de como grupos políticos morrem, empurrando seus bons quadros para outras agremiações.

Formato vai forçar transição de perfis
Lá atrás, no início da pandemia, aqui foi dito que estávamos entrando numa nova era de fazer política. Sobretudo, por conta do ambiente online e formatos remotos – este último, por imposição da pandemia. Relatos de alguns políticos veteranos em mandato parlamentar são desanimadores. Na maioria, falta inspiração e energia. Bom para a moçada que está chegando.

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