Com quadro indefinido, Fortaleza vive sob apreensão das pesquisas

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/26

Pesquisas da semana poderão apontar tendências e movimentos decisivos da disputa / divulgação

A menos de três semanas do resultado do primeiro turno eleitoral, não dá para dizer que entramos no momento decisivo da campanha eleitoral. Com raríssimas exceções, o período crítico é, sempre, o trecho depois da última curva, na cabeceira da reta final. Ou seja, a poucos dias da votação. Particularmente, em Fortaleza, onde o quadro, na cotação do dia, sugere que o próximo prefeito sairá do trio que vem pontuando em dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto desde o início: Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT) e José Sarto (PDT). E só. Nem a dupla que irá ao segundo turno dá para cravar.

São três grupos experientes, estruturados, com talentos políticos em cada um deles muito acima da média, com líderes nacionais consolidados e conhecedores do tabuleiro do jogo. Além de – não menos importante -, se conhecerem de verões passados. Mesmo isso considerado, porém, esta semana vem com a expectativa de apreensão, por conta de mais uma rodada de pesquisas. No caso, Datafolha e Instituto Paraná. Estaremos diante de um divisor de águas, porque para muito além da “fotografia do momento”, será possível comparar índices com a mesma metodologia, com tendências e movimentos. Tremei.

Como o batismo das coligações ajuda a definir as estratégias eleitorais

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/23:

Os dois palanques mais competitivos: “Uma Fortaleza de Todos” versus “Fortaleza Cada Vez Melhor”

No Brasil, planos de governo dos candidatos a cargos majoritários (prefeito, governador e presidente) têm dois objetivos: cumprir a exigência cartorial da Justiça Eleitoral e servir como peça de marketing para a campanha. São, no máximo, intenções protocolares. Tanto que nenhum gestor até hoje foi punido por não cumprir o que prometeu em papel carimbado. Voltaremos a este rico ponto em outra edição. Por ora, vale a deixa de que é no registro das plataformas administrativas que se conhece o batismo da coligação. Uma espécie de ideia-síntese, de onde sairão as estratégias de comunicação com o grande público.

Candidato da situação, José Sarto (PDT) lidera a coligação “Fortaleza Cada Vez Melhor”. A mensagem política é muito clara: com o pedetista no Paço Municipal, a partir de janeiro de 2021, o conjunto de parâmetros e avanços da atual gestão, vistos por seus defensores, será ampliado. Para o principal nome da oposição, Capitão Wagner (Pros), não é bem assim. Encabeçando a coligação “Uma Fortaleza de Todos”, o candidato do Pros terá como linha mestra da plataforma o combate à desigualdade socioeconômica da Capital que, na avaliação de seus aliados, será a prioridade numa eventual gestão Wagner.

Da “Ordem” de Freire à “Luta” de Roseno

Correndo em raias diametralmente opostas, as coligações puxadas por Heitor Freire (PSL-PRTB) e Renato Roseno (Psol-PCB) reforçam a ideia de que o batismo da coligação diz muito dos motes que as candidaturas pretendem explorar durante a campanha. À direita, o candidato do PSL, da “Coligação Fortaleza Livre”, aposta no tripé “Ordem, Amor e Progresso”. Já o combativo esquerdista do Psol, da aliança “Organizar a Luta e a Esperança” vai do debate sobre política à ressignificação dos espaços da Cidade.

A aposta do Capitão

O presidente do Podemos, Fernando Torres, e os candidatos a prefeito, Capitão Wagner, e a companheira de chapa, Kamila Cardoso: Fortaleza como capital nacional da inclusão

A advogada Kamila Cardoso é a candidata a vice-prefeita na chapa do agora candidato a prefeito de Fortaleza, Capitão Wagner.

Ela do Podemos, ele do Pros, foram oficializados em convenção partidária, nesta segunda/7.

Não é a chapa dos sonhos. É a possível. Um desfecho depois de muitas tentativas de ampliação da coligação.

Além de seu Pros e do Podemos do senador Eduardo Girão, Capitão Wagner vai disputar a sucessão de Roberto Cláudio (PDT) com o apoio do Republicanos, PSC, PTC, Avante, PMN e PMB.

Pelo menos três outras forças relevantes passaram pela mesa de negociações.

Heitor Freire tentou emplacar seu PSL na vice. Não conseguiu.

Em movimento inverso, Capitão tentou, sem sucesso, a adesão dos irmãos siameses PSDB e DEM.

Foram igualmente frustrantes as conversas com o MDB de Eunício Oliveira.

Restou ao Podemos indicar a então pré-candidata a vereadora.

Casada, 42 anos, mãe de dois filhos, Kamila atua a favor de portadores de deficiência e tratamentos de saúde.

O candidato a prefeito do Pros diz que Kamila, em uma eventual gestão Wagner, contribuirá para transformar Fortaleza na capital nacional da acessibilidade e inclusão.

Sem PSDB, DEM e MDB na coligação, parte do discurso manjado destes grupos políticos perde força nas estratégias da coligação Pros-Podemos.

Em seu lugar, entra um rosto novo, feminino e abraçado a bandeiras de sensibilidade social.

Essa passou a ser, portanto, a grande aposta do Capitão.

Com alianças ainda em aberto, Capitão Wagner prestigia aliados do Podemos

Senador Eduardo Girão, Capitão Wagner, General Theophilo e Fernando Torres: ideias para Fortaleza / Divulgação

Principal pré-candidato da oposição na disputa pela sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT), o deputado federal Capitão Wagner (Pros) corre contra o tempo, com todos os esforços, para atrair partidos relevantes para seu palanque.

Até agora, além da própria legenda, estão garantidos o Podemos, Avante, PSC, PMN, PTC e PMB.

É uma composição irrisória, tendo em vista a força da coligação governista, liderada pelo PDT, juntamente com PSD, PSB, Cidadania, PCdoB e PV, para citar alguns.

Isso explica o prestígio que partidos aliados, como o Podemos, vem usufruindo junto ao Capitão.

O partido, presidido no Ceará pelo engenheiro Fernando Torres, elaborou e entregou ao pré-candidato do Pros propostas de seus doze núcleos temáticos.

São ideias voltadas para educação, sustentabilidade, segurança; economia, empreendedorismo e inovação, social, cultura, justiça social, esporte, jovem, mulher, saúde e diversidade.

Outras forças políticas estão na mira do Capitão – o PSDB e o DEM, por exemplo -, embora estas sejam possibilidades cada vez mais distantes.

Entretanto, enquanto o desfecho não acontece, faz parte do script dar atenção a quem já está no arco de aliança.

Cenários em Fortaleza com e sem candidatura do PT

Com Luizianne Lins candidata:

Capitão Wagner (Pros) será um candidato anticirista e antipetista.

Luizianne Lins (PT) será uma candidata antibolsonarista e anticirista.

O nome pedetista será um candidato antibolsonarista.

O pedetista disputará voto com Luizianne no campo antibolsonarista.

Luizianne disputará voto com o Capitão no campo anticirista.

Nessa dinâmica, o Capitão leva vantagem.

Os votos que não irão para o candidato do Pros serão divididos entre PDT e PT.

Os votos que não forem nem para o PT nem PDT irão para o Capitão.

Sem Luizianne candidata:

Capitão Wagner (Pros) será um candidato anticirista e antipetista.

Nome do PDT, apoiado pelo PT, será maciçamente antibolsonarista.

Nessa dinâmica, não haveria divisão dos votos antibolsonaristas.