O futuro político de Capitão Wagner

Ex-candidato a governador poderá ter liderança contestada / Reprodução Instagram

Com quase 23 pontos percentuais atrás do vitorioso Elmano Freitas (PT), o candidato derrotado ao Governo do Estado, Capitão Wagner (União Brasil), tem vários desafios políticos, no médio e longo prazos: essa é a terceira derrota consecutiva dele para o Executivo; o resultado também foi frustrante na corrida proporcional e ele ficará sem mandato, a partir do ano que vem.

Em paralelo, nomes do mesmo espectro político do líder oposicionista estão em ascensão, a exemplo de André Fernandes (PL). Assim como Wagner, o político do PL foi recordista de voto para a Assembleia Legislativa, há quatro anos e, agora, conseguiu o mesmo feito para a Câmara dos Deputados.

A chapa UB-PL, que disputou o Palácio da Abolição, foi de ocasião, dentro das circunstâncias dadas. Passado o pleito, cada subgrupo seguirá seu rumo. O PL, mais estruturado no Ceará do que o UB, poderá fazer sombra à liderança de Wagner. É, a partir desse cenário, que ele deverá traçar suas metas, já olhando para 2024.

A favor de Wagner há o fato de ele ter sido vitorioso em Fortaleza, este ano, e seguir presidente do partido, no Estado. Mas, dificilmente, ele será o candidato natural à sucessão do prefeito José Sarto (PDT), daqui a dois anos, sem nenhum tipo de questionamento. Ele sai de 2022 menor do que era, há dois ou três meses.

Roberto Cláudio e as eleições de 2024

RC foi vítima de erros estratégicos / Reprodução Instagram

A exemplo de Wagner, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), também terá de fazer um diagnóstico preciso dos fatores que o levaram ao distante terceiro lugar. No pacote estão muitos erros estratégicos. No limite, RC poderia, até mesmo, repensar sua permanência no partido, caso queira entrar na disputa pelo retorno à PMF, em 2024. Isso poderá fazer a diferença entre um futuro político exitoso e o declínio precoce de um valiosos quadro político.

Voto em família
A história da política é prodigiosa em casos de crises e rompimentos. Daí o gosto que líderes têm por construir herdeiros dentro do próprio clã. Em 2022, tivemos vários casos na Assembleia Legislativa. Os votos de André Fernandes (PL) ficaram com o pai, Pr. Alcides Fernandes (PL); os de Patrícia Aguiar (PSD) foram para a filha, Gabriella (PSD); Nezinho Farias (PDT) transferiu para a esposa, Jô (PT); Augusta Brito (PCdoB) apoiou o cunhado, Alysson Aguiar (PCdoB) e Lia (PDT) é a quarta dos irmãos Ferreira Gomes a chegar à Alece.

Segundo turno
A primeira semana do segundo turno presidencial foi de fria a morna, com movimentações em torno de busca e anúncio de apoios – a maioria previsível. E só. Acabou sendo uma situação, digamos, de empate técnico: a desmobilização, por um lado, pode favorecer Bolsonaro, mas há uma maioria pró-Lula, com efeito inercial.

Pesquisas
Os institutos de pesquisa precisam rever seus métodos, atualizar suas bases de dados e se desintoxicarem dos interesses políticos imediatos. Ou alguém acredita em isenção de índices, quando a própria imprensa editorializa a campanha presidencial e escolhe um lado? Credibilidade nunca foi um ativo tão imprescindível.

O cacife de Evandro Leitão

Atual presidente tem bom trânsito entre forças da Casa / Agência Alece

Bem avaliado por seus pares, com bom trânsito político na futura base de Elmano Freitas (PT) e com reeleição convincente, o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão (PDT), sai na frente nas análises pelo controle da Mesa Diretora da Casa, na próxima legislatura. Há, claro, outros fatores e personagens em questão. Entre eles, o ex-presidente Zezinho Albuquerque (PP), que devotou apoio à candidatura petista, sem nenhuma condicionante, pedido ou resistência. A posição do pepista seria argumento-chave para entrar no páreo e tentar voltar à cúpula do Poder. PS: o senador eleito e conselheiro de Elmano, Camilo Santana (PT), quando governador, conviveu de perto com os dois.

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