Élcio: campanha em Fortaleza será “bastante difícil”

Élcio (acima, à direita) diz querer liderar projeto de novas ideias e avanços / Reprodução Youtube

O ex-secretário-chefe da Casa Civil e pré-candidato a prefeito de Fortaleza, Élcio Batista (PSB), disse hoje, durante live, que a disputa eleitoral para a sucessão de Roberto Cláudio (PDT) será “bastante difícil”.

Um dos nomes colocados à mesa pelo governador Camilo Santana (PT), Élcio é uma das oito opções do arco de aliança em torno do Paço Municipal, que inclui cinco pré-candidatos do PDT, um do Cidadania e outro do PT.

“O projeto, o compromisso e o contexto vai ser definidor (sic) para saber quem é o melhor pré-candidato para enfrentar os desafios de uma campanha eleitoral que imagino será bastante difícil aqui na cidade de Fortaleza”, disse o pré-candidato.

Élcio não detalhou quais seriam as “dificuldades”.

Ao logo da live, entretanto, o pré-candidato do PSB firmou compromisso com valores como igualdade e liberdade, e criticou a postura do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Realizada no início da tarde desta quarta/12, a live com Élcio abriu a série de entrevistas com os pré-candidatos à Prefeitura de Fortaleza, realizada pelo jornal O Otimista. Íntegra aqui.

Élcio deu a declaração quando respondia uma pergunta sobre os motivos que o teriam levado a entrar na disputa.

O pré-candidato lembrou que está inserido nos desafios da Cidade de Fortaleza desde a primeira campanha de Roberto Cláudio (2012), quando foi um dos coordenadores do plano de governo.

O pré-candidato citou, em tom elogioso, pelo menos três áreas – educação, infância e habitação – da gestão Roberto Cláudio com as quais assumiu o compromisso de fazer mais.

“Queremos liderar um projeto de novas ideias e avanços significativos”, disse Élcio, para quem o principal compromisso é com a Cidade.

Questionado sobre a possibilidade de vir a ser indicado candidato a vice-prefeito na chapa governista, Élcio disse que “nem o PSB faz exigência para ser cabeça de chapa nem o PDT deve fazer exigência para ser cabeça de chapa”.

Candidato governista em Fortaleza: os critérios de escolha

O Palácio do Bispo, sede da Prefeitura da Capital

Conhecida a lista de onde poderá – não, necessariamente, deverá – sair os candidatos governistas a prefeito e vice de Fortaleza, vale uma leitura mais pragmática sobre os critérios de escolha.

Para isso, recorre-se ao manual dos Ferreira Gomes, cujo histórico é muito linear em pelo menos três características: capacidade de gestão e liderança, inteligência política e potencial eleitoral.

A esse filtro triplo serão submetidos Samuel Dias, Ferrucio Feitosa, Alexandre Pereira, Élcio Batista e Nelson Martins – que deixaram as gestões municipal e estadual -, José Sarto e outros menos cotados.

Capacidade de gestão e liderança: uns mais e outros menos, os citados acima conhecem, tocam ou já tocaram a burocracia pública. Mas uma coisa é gerir uma lojinha no final do corredor. Outra é administrar um mega shopping center.

Um sucessor de Roberto Cláudio – supondo que seja um continuista -, que frustre resultados esperados da gestão abre uma fissura no projeto do grupo.

Inteligência política: aqui entra a ampla capacidade de articulação, convergência e definição de rumos, dado o tamanho do condomínio político, interesses pontuais e projetos pessoais. Isso vai muito além da máquina partidária, tempo de filiação e mandatos já exercidos.

Todos na lista têm essa visão, habilidade e sensibilidade?

Potencial eleitoral: por óbvio, não adianta o ungido passar pelos dois critérios acima sem ter competitividade e chances de sentar na cadeira de prefeito a partir do próximo 1º de janeiro.

Na lista há veteranos e novatos, com seus respectivos bônus e ônus. Isso é o de menos. O fato é que não há estratégia de campanha que resista a um candidato muito ruim de voto.

Dito isso, registre-se que o próximo prefeito de Fortaleza vai pegar uma Cidade com muitas conquistas e legados – e outros tantos gargalos. Com o agravante de uma crise econômica sem precedentes e um distante ponto de luz no fim do túnel.

Até lá, haverá muitas análises de cenário, simulações, balões de ensaio, pesquisas qualitativas, plantação de notas na imprensa e outros tipos de especulação, para finalmente, o martelo ser batido.

Cabe, ainda, registrar que a palavra final caberá aos FGs – particularmente Ciro e Cid -, com base em muitas conversas – internas e externas ao grupo -, sondagens e observações. Tudo isso em sintonia com o próprio feeling e instinto político.

Mas isso eles têm de sobra.

Rejeição de Ciro Gomes ao lulopetismo pode beneficiar Luizianne Lins em Fortaleza

Ex-ministro prega aliança com PT em Fortaleza, mas rejeita aproximação com lulopetismo nacional

O cirismo disputa com o lulopetismo o protagonismo da centro-esquerda no Brasil. Foi assim em 2018 e deverá ser em 2022 – com uma eleição municipal no meio.

No jogo de xadrez que está sendo jogado, Lula acenou para Ciro, no âmbito nacional, enquanto Ciro sinalizou aliança com o PT, em Fortaleza, neste 2020.

Ao gesticular para Ciro, o lulopetismo quer ser o carro-chefe antibolsonarista em 2022, tendo Lula como estrela maior.

Já em Fortaleza, ao acenar para uma aliança com o PT, Ciro pretende galvanizar para si a simbologia de uma eventual vitória sobre o bolsonarismo em seu berço político.

Também de olho em 2022.

Em entrevista ao jornalista Mino Carta (assista aqui), poucas horas depois de defender aliança com o PT, Ciro mandou os “fanáticos do lulopetismo” para a PQP – por extenso e em bom áudio.

A centro-esquerda tem muitas histórias de derrotas para contar, sempre que o umbigo falou mais alto do que o perigo do inimigo comum.

Então, fica assim: com a reação de Ciro, a aliança nacional PT-PDT, que já era improvável, para 2022, andou algumas casinhas para trás.

Já a pré-candidatura de Luizianne Lins – anticirista -, em Fortaleza, andou algumas casinhas para frente.