Em 2018, Ciro Gomes foi vítima de acordo PT-PSB

Candidatura petista de Marília Arraes foi retirada em PE e Márcio Lacerda foi rifado em MG. No acordo, Ciro ficou sem o PSB

O anúncio do apoio de Ciro Gomes à pré-candidatura de Elmano de Freitas (PT), em Caucaia, para atrair o apoio do PT em Fortaleza, em detrimento de Luizianne Lins, remete a outras tentativas do gênero, cujos desfechos não foram os mais alvissareiros.

O exemplo mais emblemático, porque ganhou repercussão nacional na última corrida presidencial, deu-se em 2018.

Candidato ao Palácio do Planalto, o ex-ministro Ciro assistiu à uma manobra do PT e PSB nacionais, pela qual os dois partidos abriram mão de candidaturas próprias – competitivas, diga-se -, para apoiar as reeleições do petista Fernando Pimentel (MG) e do peessebista Paulo Câmara (PE).

O golpe em Ciro, porém, veio do alcance do acordo: pelo acertado, o PSB ficaria neutro na eleição presidencial, sem se coligar com nenhuma outra força. No caso, com o presidenciável pedetista.

À época, PDT e PSB nacionais estavam em avançadas conversas para selarem uma aliança, que poderia ter feito a diferença ao projeto palaciano cirista.

Resultado da opereta: Paulo Câmara foi reeleito, Pimentel rodou e o presidente da República é um criador de emas.

Cenários em Fortaleza com e sem candidatura do PT

Com Luizianne Lins candidata:

Capitão Wagner (Pros) será um candidato anticirista e antipetista.

Luizianne Lins (PT) será uma candidata antibolsonarista e anticirista.

O nome pedetista será um candidato antibolsonarista.

O pedetista disputará voto com Luizianne no campo antibolsonarista.

Luizianne disputará voto com o Capitão no campo anticirista.

Nessa dinâmica, o Capitão leva vantagem.

Os votos que não irão para o candidato do Pros serão divididos entre PDT e PT.

Os votos que não forem nem para o PT nem PDT irão para o Capitão.

Sem Luizianne candidata:

Capitão Wagner (Pros) será um candidato anticirista e antipetista.

Nome do PDT, apoiado pelo PT, será maciçamente antibolsonarista.

Nessa dinâmica, não haveria divisão dos votos antibolsonaristas.

PT versus PT em Fortaleza

Luizianne é pré-candidata à sucessão de Roberto Cláudio / Diego Camelo/Divulgação

No Roda Viva desta segunda-feira, 8, o governador Camilo Santana, petista-cirista, defendeu uma coligação PDT-PT para a disputa da sucessão de Roberto Cláudio. “Pelo bem de Fortaleza, da democracia, seria importante uma aliança”, disse.

Mas foi o finalzinho da fala do governador, na mesma declaração, que mais chamou a atenção deste blogueiro: “Se isso ocorrerá, só o tempo dirá”, afirmou Camilo, parecendo profetizar a queda de braço que surge no horizonte.

Controlado por alas ligadas aos deputados federais Luizianne Lins e José Nobre Guimarães e outros menos vistosos, o PT da Capital segue célere, rumo à candidatura própria. A tese é apoiada pelo ex-presidente Lula, que vê no protagonismo eleitoral do PT, em capitais e maiores cidades, agora em 2020, uma espécie de ensaio geral para 2022.

Conforme dito pelo Blog do Erivaldo Carvalho, a ex-prefeita e pré-candidata Luizianne, anticirista, poderá se beneficiar da rejeição de Ciro Gomes ao lulopetismo. Agora, com a declaração de Camilo, já há sinais de que o movimento de resistência aumentará, o que consolidaria a unidade em torno do PT na cabeça de chapa.

Por óbvio, petistas graúdos defensores da aliança, que orbitam em torno do Abolição, não assistirão parados nem calados aos desdobramentos. Entre eles, Nelson Martins, ex-articulador-mor de Camilo, e Acrísio Sena, defensor de uma frente partidária ampla em Fortaleza.

Com remotas chances de recuo de ambos os lados, a tendência é termos PT contra PT em Fortaleza – por candidatura própria, aliança com o PDT ou mesmo por uma candidatura blasé.

Luizianne conhece o jogo que será jogado. Ela costuma crescer na briga. Faltava-lhe, entretanto, a figura do inimigo externo, maior e mais poderoso. Faltava. Agora, ela e seus seguidores tentarão reeditar o Davi contra Golias – a famosa aula de como vencer um gigante.

Por falar em ensinamentos, sabe-se que a história jamais se repete. Por outro lado, é totalmente inseguro dizer, a preço de hoje, que o PT subirá no palanque do PDT em Fortaleza. Como ponderou o próprio governador, ““Se isso ocorrerá, só o tempo dirá”.

Rejeição de Ciro Gomes ao lulopetismo pode beneficiar Luizianne Lins em Fortaleza

Ex-ministro prega aliança com PT em Fortaleza, mas rejeita aproximação com lulopetismo nacional

O cirismo disputa com o lulopetismo o protagonismo da centro-esquerda no Brasil. Foi assim em 2018 e deverá ser em 2022 – com uma eleição municipal no meio.

No jogo de xadrez que está sendo jogado, Lula acenou para Ciro, no âmbito nacional, enquanto Ciro sinalizou aliança com o PT, em Fortaleza, neste 2020.

Ao gesticular para Ciro, o lulopetismo quer ser o carro-chefe antibolsonarista em 2022, tendo Lula como estrela maior.

Já em Fortaleza, ao acenar para uma aliança com o PT, Ciro pretende galvanizar para si a simbologia de uma eventual vitória sobre o bolsonarismo em seu berço político.

Também de olho em 2022.

Em entrevista ao jornalista Mino Carta (assista aqui), poucas horas depois de defender aliança com o PT, Ciro mandou os “fanáticos do lulopetismo” para a PQP – por extenso e em bom áudio.

A centro-esquerda tem muitas histórias de derrotas para contar, sempre que o umbigo falou mais alto do que o perigo do inimigo comum.

Então, fica assim: com a reação de Ciro, a aliança nacional PT-PDT, que já era improvável, para 2022, andou algumas casinhas para trás.

Já a pré-candidatura de Luizianne Lins – anticirista -, em Fortaleza, andou algumas casinhas para frente.