Para passar projetos na Câmara, Lula terá de pagar pedágio

Lula (d) precisa das bênçãos políticas de Lira / Reprodução

Ambos são experientes, pragmáticos e precisam um do outro. No encontro dos interesses mútuos, eis que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Arthur Lira (PP-AL) estão fumarando o cachimbo da paz – o que poderá garantir pelo menos alguns meses de tranquilidade para o Palácio do Planalto.

A confirmação do deputado federal Celso Sabino (União Brasil-PA) para o lugar de Daniela Carneiro no Ministério do Turismo, acontece poucas semanas depois de Lula sofrer um forte revés na Casa. É o mais caro pedágio que o petista paga, até aqui. E pode vir muito mais.

Tudo começou lá atrás, quando Lira, o chefe supremo do Centrão, reelegeu-se, de lavada, com os próprios votos. Ou seja, não precisou ser apadrinhado pelo Executivo. Demonstrando força inigualável a presidentes do Legislativo, o pepista cedo sinalizou que iria dar as cartas.

Na sequência, vieram recados, cobranças, carões e uma série de outros sinais de dificuldades para o Palácio, que a propósito, não conta com mais de 160 votos entre aliados. Já Lira controla um conglomerado de partidos, blocos e frentes que, facilmente, passa dos 400 – de um total de 513 cabeças.

Por óbvio, o presidente da República vai fazer a substituição no Turismo a contragosto. A olho nu, diriam alguns, são 60 milhões de votos dados a Lula contra menos de 220 mil a Lira. Isso faria sentido, se a política fosse exata. Não é. Eis a beleza do jogo do poder.

Com clima ruim, agenda não avança no Congresso

Fatos conspiram contra governo / Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Arcabouço fiscal, reforma tributária e redesenho de políticas públicas são apenas alguns dos projetos mais relevantes que o governo Lula mantém no topo das prioridades no Congresso Nacional. Mas o clima não é do melhores. Por vários motivos: resultado eleitoral, animosidade pós-eleição entre governo e oposição e, para piorar um pouco mais, a instalação de CPIs. Tudo conspira para o travamento da agenda do governo. E seis meses já se foram.

Uma justa preocupação
Candidatos à Chefia de Executivo, de todos os tipos, gostos e níveis de governo, costumam manter em alta a preocupação com a disputa para o Legislativo – mesmo quando a própria eleição é dada como certa. Faz todo sentido. Chegar lá sem uma base de apoio consistente e confortável é o pior dos mundos. Será, em regra, um governo de agonias políticas, em cada votação relevante, Em alguns casos, terá de pagar um alto preço para construir a sua. Ou mesmo os dois problemas juntos, já que muitos só querem o bônus.

Antes e depois
Há um clichê no marketing político, segundo o qual toda campanha eleitoral começa na gestão e toda gestão se inicia na campanha. Vejamos os três governos – municipal, estadual e federal. Com pequenos ajustes aqui e ali, é o que está acontecendo. Isso vale, inclusive, para erros crassos que candidatos ou governantes costumam repetir.

Está na pauta
A Câmara Municipal de Fortaleza tem uma pauta muito mais atraente do que a Assembleia Legislativa. A comparação, feita por um político experiente – conhece muito bem as duas Casas –, chama a atenção. Se a avaliação proceder, porque o Legislativo Municipal tem tão pouca visibilidade nos debates públicos, em comparação à Alece?

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