Comunicação e política

Meios de comunicação: forma como são usados por governos pode significar sucesso ou fracasso

Tão antiga quanto a política, a comunicação – de qualquer tipo, plataforma ou alcance -, tornou-se um dos principais desafios da atualidade, ao ponto de confundir-se com a própria forma de disputa de poder. Assim, diz-se que um governo vai bem quando se comunica bem. O inverso também é verdadeiro. Dito isso, é gritante a constatação de que o governo Bolsonaro precisa se comunicar muito melhor do que faz atualmente. Isso é admitido pelos próprios bolsonaristas. Aliados do Governo Federal, de maneira geral, ressentem-se de ações, projetos e recursos enviados aos estados e municípios, sem a informação clara de que foram iniciativas de ministérios.

Quando muito, um parlamentar ou outro posa de “pai da criança” junto a prefeitos e demais líderes locais – até mesmo na instância estadual -, como sendo o grande responsável por esta ou aquela verba ou desentrave de uma demanda de impacto. O erro de origem está na própria União, que não consegue fazer chegar à ponta, ao povão, aos rincões e às rodas de conversa, a imagem de benfeitor, que deveria ter – dinheiro para tanto, pelo menos, não falta. Sem a informação básica chegando ao incauto, fica fácil para o aliado esperto acima da média colher todos os frutos e bônus dos acessos privilegiados que tem a órgãos federais, ministros e demais despachantes de luxo de Brasília.

Planalto subutiliza estrutura à disposição
Para ficar somente no fluxo oficial de divulgação, ressalte-se que o Palácio do Planalto tem à disposição um gigantesco sistema de difusão de informações. São veículos altamente estruturados, com tecnologia de ponta, equipes qualificadas, treinadas e recicladas. São emissoras de TV, programas em rádios e dezenas de portais. São produtores de conteúdos para a internet e equipes itinerantes de imagem, vídeo e som que rodam o Brasil, diuturnamente, acompanhando autoridades, ao custo de milhões. Mas o Planalto parece não saber o que fazer com tudo isso.

O desprezo como erro estratégico
Nas consultorias, costuma-se dizer e ouvir que em gestões ruins e incompetentes não há comunicação eficiente que funcione a contento. Não há milagreiros nessa área. Mas, provavelmente, talvez nem seja o caso. Como esporte favorito, o governo Bolsonaro despreza a mídia tradicional – da porta para fora e, também, da porta para dentro. Eis um de seus maiores erros estratégicos.

Agressões, confrontos e ataques
Se o Planalto não valoriza a grande estrutura de comunicação que tem, alguma coisa ocupa esse vácuo. A saber, saiu o jornalismo profissional, mesmo oficial, e entrou a milícia digital, baseada em fake news e meias verdades. Assim, no lugar de comunicação empática, acolhedora e convergente, há uma política de agressões, confrontos e ataques. Claro que não teria como dar certo.

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