Auxílio emergencial muda governo Bolsonaro de patamar e deve impactar eleições

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/24:

Presidente da República melhorou imagem, segundo o Datafolha, ao nível de início de mandato

O Planalto prepara, esta semana, uma grande cerimônia. Previsto para esta terça-feira (25), o evento pretende anunciar medidas de recuperação da economia nacional. O ponto alto deverá ser a prorrogação do auxílio emergencial, até dezembro deste ano. Anotem: esse ato político poderá ser a consolidação da virada de imagem de Jair Bolsonaro Brasil afora, com impactos diretos na disputa por prefeituras e câmaras municipais – inclusive em Fortaleza, na sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT).

O ato acontecerá poucos dias depois de o terceiro andar do Palácio correr para o abraço, com pelo menos duas notícias alvissareiras, anunciadas pelo prestigiado Datafolha: a recuperação da imagem do inquilino mor – equivalente ou melhor em relação ao início do mandato -, e a desvinculação da imagem do presidente das dezenas de milhares de mortes provocadas pela Covid-19.

O que tudo isso tem a ver com a disputa eleitoral em Fortaleza? Tudo. A força do bolsonarismo ou antibolsonarismo – duas das principais variáveis deste atípico 2020 -, será proporcional ao agregado eleitoral – ou repelência -, de Jair Bolsonaro. O raciocínio é simples: com o governo e o desempenho pessoal bem avaliados, o presidente será um dos maiores – se não o maior -, cabo eleitoral de novembro próximo.

Bolsonaro, Datafolha e a busca por salas maiores

Presidente “não tem culpa nenhuma” pela morte dos 100 mil por Covid-19, dizem 47% dos entrevistados do Datafolha

Até poucas semanas atrás, Jair Bolsonaro era um leproso político. Os adversários mais otimistas acreditavam que, sob intensa artilharia político/midiática, acusações e desarticulação de seu governo no enfrentamento à pandemia, o hóspede do Planalto chegaria em frangalhos à campanha eleitoral.

Não está sendo bem assim.

O Datafolha mostrou, na última quinta/13, que o presidente atingiu sua melhor avaliação, desde o começo do mandato. Neste sábado, o mais acreditado instituto de pesquisa do País revelou que para 47%, Bolsonaro “não tem culpa nenhuma” pelas 100 mil mortes por Covid-19.

Não fossem os riscos de aglomeração humana, a maioria dos dirigentes partidários, pré-candidatos, marqueteiros, consultores e afins, todos com prancheta na mão, estariam se acotovelando numa sala, revisando, ajustando – talvez, refazendo – suas estratégias.

Quem sobe, quem desce e quem fica parado diante das espantosas novidades trazidas pelo Datafolha?

Por enquanto, todos ficam onde estão. Ainda é muito cedo para que um novo cenário, sem os clichês do antibolsonarismo, seja considerado na corrida por prefeituras e cadeiras de vereador.

Os índices do Datafolha formam um retrato da média nacional. Cada realidade local sofre variáveis específicas – como é o caso de Fortaleza.

Mas não custa nada os antibolsonaristas encomendarem mais café, convidarem mais “especialistas” para o staff das pré-candidaturas e providenciarem salas maiores.

Mapa do poder municipal começa a mudar antes mesmo das eleições

Marcha dos Prefeitos, em Brasília, em 2019: em busca de verbas e apoio político

Levantamento da Folha de S.Paulo desta quinta/9, mostra que, entre 2017 e 2020, houve um forte movimento, em nível nacional, de prefeitos municipais, da centro-esquerda para a centro-direita.

DEM, PSD, PP, Cidadania e PSL engordaram suas fileiras, enquanto MDB, PSDB, PSB, PDT e PT sofreram desidratação.

O jornal paulista atribui a migração ao fato de o controle político do governo federal ter mudado de lado.

De pires na mão, a maioria dos chefes municipais Brasil afora teve de se render a quem hoje tem acesso a verbas, emendas e projetos.

É verdade que em algumas situações camaleônicas específicas, os anfitriões brasilienses não mudam – não importa os rumos do poder.

Berço do cirismo e governado por um petista, o Ceará é uma situação sui generis desse novo mapa do poder municipal.

Mesmo em campos opostos no Congresso Nacional, o PDT dos Ferreira Gomes atraiu novos prefeitos, enquanto o PSD de Domingos Filho dobrou o número de prefeitos.

Na outra ponta, o PSDB de Tasso Jereissati e o MDB de Eunício Oliveira sofreram as maiores baixas – situação análoga ao cenário nacional.

Toda a dinâmica, claro, tem relação direta com a disputa eleitoral que se aproxima.

Em novembro próximo, a depender do padrinho político, prefeitos e/ou candidatos podem levantar a taça ou beijar a lona.

Também é óbvio que esse é somente uma das variáveis que definirão o novo mapa político municipal.