Na mira de um pedido de CPI, Operação Lava Jato enfrentará seu mais duro teste

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) decidirá destino das investigações / Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/3:

O Brasil vive o mais longo período democrático de sua república. Mas não foram as urnas, e sim a Operação Lava Jato que produziu histórica mudança de paradigmas jurídicos e políticos no combate à corrupção, entranhada no Estado brasileiro. “Nunca na história desse país” se prendeu tanta gente de colarinho branco, rica, poderosa e até então inalcançável pela lei. Seis anos e 71 fases depois, a força-tarefa, que já executou mais de mil mandados de busca e apreensão, está diante de seu maior desafio: resistir à ofensiva de uma CPI, protocolada e pronta para ser instalada na Câmara dos Deputados.

Por onde passou, a Lava Jato deixou um rastro de cadáveres políticos, alimentou polêmicas e acumulou inimigos. Não foram poucas as acusações de abuso de autoridade e interesses eleitorais – vide o périplo de seu célebre garoto-propaganda, o hoje ex-juiz Sérgio Moro, sobre quem pesam especulações de projetos políticos. A gota d´água veio há poucos dias, quando o procurador-geral da República, Augusto Aras, revelou que a força-tarefa em Curitiba (PR) tem “documentos encobertos” de cerca de 38 mil pessoas, que estariam servindo de matéria-prima para “bisbilhotagem” e “chantagem”.

Clima político definirá investigação

Protocolado pelo deputado André Figueiredo (PDT-CE), o pedido de CPI da Lava Jato traz outros sete coautores, distribuídos entre PCdoB, PSB, PT e Psol. Foram recolhidas 176 assinaturas – todas validadas. Tecnicamente, a instalação está nas mãos do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mas o que definirá mesmo o destino da investigação será o clima político. O País está às vésperas de uma campanha eleitoral e, para usar um clichê, sabe-se como começa uma CPI, mas não como termina.

Tucanato nacional: de presidenciáveis a denunciados pela Lava Jato

Conte comigo: de cinco presidenciáveis tucanos, três são acusados de corrupção

Alcançado pela Operação Lava Jato, o senador e ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) entra para a “seleta” lista de políticos de expressão nacional que receberão um destrutivo carimbo em sua extensa biografia.

Serra foi denunciado por lavagem de dinheiro, cuja origem seria propina que o então governador teria recebido entre 2006 e 2007, nas obras do Rodoanel Sul.

No próprio PSDB, Serra fará companhia a outros tucanos de lustrosa plumagem, como o também paulista Geraldo Alckmin e o mineiro Aécio Neves, também alvos de processos do tipo.

Desde a redemocratização brasileira, no final dos anos 1980, houve oito eleições presidenciais – o PSDB encabeçou chapa em todas elas. Veja o histórico:

1989 – Mário Covas
1994 – Fernando Henrique
1998 – Fernando Henrique
2002 – José Serra
2006 – Geraldo Alckmin
2010 – José Serra
2014 – Aécio Neves
2018 – Geraldo Alckmin

Três dos presidenciáveis do PSDB – disputaram as últimas cinco eleições -, se vêm agora tendo de se explicar à Justiça e à opinião pública por corrupção.

De lá para cá, o eleitor brasileiro fez outras escolhas, das quais há sérias dúvidas se foram as melhores para o País.

Por outro lado, vejam de quem nos livramos!