Padrinhos políticos: para onde aponta o discurso de Wagner

Pré-candidato: “Quero ser o candidato do povo / Divulgação

Uma das principais forças políticas de Fortaleza, o pré-candidato a prefeito, Capitão Wagner (União Brasil), soltou uma boa frase, neste sábado, durante encontro do partido.

“Em 2024 tem candidato do Bolsonaro, do Ciro, do Camilo; eu quero ser o candidato do povo”. Detalhes do ato político aqui.

Mesmo sendo um clichê em disputas eleitorais, a declaração do ex-deputado federal é reveladora do cenário de sucessão municipal que se avizinha.

Na cotação do dia, haverá quatro palanques relevantes na Capital: o dele, dos dois palácios – Bispo e Abolição -, e um do PL bolsonarista.

A saber: o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiará André Fernandes (PL) e o ex-governador Ciro Gomes (PDT), o candidato da atual gestão.

Em outra raia, o ministro Camilo Santana (PT), juntamente com o staff do governo do Estado, pedirá voto para o nome ungido pelo seu partido.

É bom ou ruim?
Como o próprio Wagner deu a entender, apenas ele não terá apoio de um personagem de expressão nacional.

Isso é bom ou é ruim? Depende. Ao dizer o que disse, Wagner aponta para a estratégia de tentar desqualificar os futuros adversários, quem têm padrinhos políticos.

Desse ponto de vista, ele está correto. Por que poupar um possível diferencial competitivo dos oponentes?

Ao mesmo tempo, Wagner abre o flanco, admitindo fragilidade política, por não ter um grande apoiador no ano que vem.

Lembremos que ele perdeu o apoio do PL e do partido Novo, do senador Eduardo Girão.

Há apoiadores e apoiadores. Alguns, vamos combinar, espantam voto. Há até casos em que precisam ser escondidos.

Mas, na média, os chamados cabos eleitorais de luxo sempre agregam algo.

Isso vai do poder político à experiência de campanha, passando pela viabilização de apoio financeiro e network político – além de outros itens, que não vêm ao caso.

Apostas
No encontro partidário deste sábado, Wagner criticou os futuros adversários apadrinhados. Ok. Mas não precisa fazer disso um cavalo de batalha.

O grupo do prefeito Sarto vai apostar nos resultados da gestão; o do PT, no alinhamento político; o PL vai focar no denuncismo e pauta de costumes.

Agora, com perfil repaginado, Wagner Sousa, o notável secretário da saúde de Maracanaú, deveria se concentrar em diagnósticos e projetos para Fortaleza.

Se assim o fizer, o pré-candidato do União Brasil poderá se destacar entre os demais – independentemente de padrinhos.

O debate eleitoral de 2024 será sobre a realidade local de Fortaleza. Mas, anotem: muitos passarão a campanha falando em apoios externos.

Ficar mirando em quem vai receber o apoio de quem, do outro lado, é reforçar a ideia de que quem não tem padrinho morre pagão.

Fortaleza é muito mais do que isso.

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