Lula é diplomado para um mandato que, na prática, já está começando

Lula e apoiadores ocupam espaços do poder simbólico / Ricardo Stuckert/Divulgação

Cabe à Justiça Eleitoral a organização dos pleitos, com suas regras, datas e prazos. Mas o timming da política, como ela é, propriamente, tem seu próprio ritmo e fases. O exemplo mais emblemático disso está em pleno curso.

Vitorioso na disputa eleitoral de outubro último, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será diplomado presidente da República, nesta segunda-feira (12), em Brasília. Ao seu lado, estará o vice, Geraldo Alckmin (PSB). É o rito final dos trabalhos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No dia 1º de janeiro de 2023, conforme determina a Constituição Federal, Lula tomará posse, na Praça dos Três Poderes. Mas, o mandato de quatro anos do petista, politicamente considerando, teve
início. Vejamos.

A futura base aliada de Lula está aprovando cerca de R$ 300 bilhões no Congresso Nacional. Ficarão à disposição do Planalto, pelos próximos dois anos, para gastos sociais; os próximos ministros fazem tratativas e organizam equipes; os mercados, da política e da esfera privada, estão se acostumando aos novos inquilinos de Brasília.

Alguns membros do staff lulista já são tratados com distinção e atuam com ares de prerrogativas quase discricionárias. É a velha e boa expectativa de poder, que se faz ser percebido e sentido.

O apagão administrativo e político do governo Bolsonaro

Presidente se mantém silente / Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil

O centro do poder simbólico em Brasília nunca se deslocou tão rapidamente entre um atual e um futuro governo. Mal perdedor, Bolsonaro optou pela auto clausura e silêncio. O noticiário dá conta de desorganização que beira o apagão administrativo. O clichê de que não há vácuo na política nunca fez tanto sentido. O lulopetismo ocupou o espaço. Dizem que, por essa época, até o café esfria. Sem dinheiro, o Palácio do Planalto ainda está servindo café?

Lula e a imprensa
O futuro presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse, no anúncio de seus primeiros ministros, que a imprensa experimentará novos tempos, blá, blá blá. Segundo o petista, a cobertura política será democrática – aqui entendida como exercício profissional pleno. Isso, em tese. Na boa: só se saberá como a nova dinâmica vai funcionar quando a realidade chegar. Os patrulheiros ideológicos de vários lados comemoraram. Já os reticentes ficaram onde sempre estiveram: na dúvida, reforçam que poder e jornalismo nunca devem se misturar.

Resíduo
A semana que começa poderá ser decisiva sobre o destino do projeto, enviado pelo prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT) à Câmara Municipal. A gestão pedetista quer implantar novos parâmetros para a coleta e manuseio de resíduos sólidos. A oposição, sempre atenta e cirúrgica, quer, no mínimo, ter seus momentos de fama.

Sucessão
Sem inspiração nem criatividade, a oposição ao prefeito Sarto, na CMFor, vem tentado sobreviver, a partir de questões pontuais, a exemplo do debate sobre resíduos sólidos. O grupo, sem coesão política, vai querer emplacar um bom discurso em relação à tarifa, ora em debate na Casa. A maioria avalia que 2024 pode ter começado. Aguardemos.

O foco e a cobrança de Célio Studart

Parlamentar amplia visão e abraça educação superior / Divulgação

O Ceará tem 22 deputados federais em Brasília. A maioria, sem foco, atira para todos os lados. Outros, ou fogem do tiroteio ou não têm bala. Mas há os que tem tiro certeiro – no bom sentido, claro. Entre estes, está Célio Studart (PSD). Um bom exemplo: Célio acaba de cobrar, oficialmente aos ministros da Economia e Educação, Paulo Guedes e Victor Godoy, a recomposição orçamentária e financeira da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Cariri (UFCA) e Instituto Federal do Ceará (IFCE). As três instituições, que tiveram recursos bloqueados pelo governo federal, representam, no Ceará, o melhor quilate de formação acadêmica, pesquisa e extensão. Boa!

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