Em tempos de infodemia

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/5:

Justiça Eleitoral e imprensa serão desafiadas neste 2022 / Julieta Ulanovsky/freepik

Este escriba é do tempo em que, nos bancos de faculdade, paraninfos professores de jornalismo, do alto de sua sapiência, construída com livros e experiências profissionais, cravavam a seguinte frase de efeito: “Todo fato tem pelo menos três versões: a minha, a sua e a verdade”. Corta para 2022. Vivemos a era da pós-verdade, verdades subjetivas e narrativas alternativas à realidade. Em meio a fronteiras borradas e preso em sua bolha, cada personagem passou a criar, ao bel interesse, modelos de opinião, nos quais “fatos objetivos” – acredite, hoje em dia, a expressão não é redundante -, tem menos influência do que os apelos a condicionamentos pessoais e emocionais.

São graves os riscos e desafios implicados à modernidade. Cite-se a pandemia de covid-19. Mais do que polêmica, a mistura ensandecida está, no limite, custando vidas humanas. O ano eleitoral chegou, já construindo seus heróis e vilões, menos à base de debates civilizados e consistentes do que às custas de fake news, inverdades e meias verdades. Geralmente, disputas políticas em nações civilizadas funcionam assim: a Justiça Eleitoral organiza o pleito e a imprensa narra o jogo. Essa não será tarefa fácil nem para uma nem para a outra. Navegar em mares turbulentos, dominados pela desinformação, é um dos desafios do ano. O fenômeno já tem até nome: infodemia.

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