Sobre mulheres na política e verdades incômodas

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/31:

Plenários da Assembleia Legislativa do Ceará e Câmara Municipal de Fortaleza: ocupação feminina muito abaixo dos 30%

Na última contagem (2018), éramos, no Ceará, 6.344.483 eleitores. Destes, 3.361.941 do gênero feminino (53%) e 2.980.778 do masculino (47%). As últimas disputas eleitorais no Ceará mostram, no entanto, que estamos muito distantes da representatividade deste gênero: em 2016, foram eleitas seis deputadas estaduais – Erika, Augusta, Aderlânia, Fernanda, Silvana e Patrícia. Pouco acima de 13% das 46 cadeiras. No mesmo pleito, Luizianne foi enviada a Brasília (4,5% de 22 vagas). Dois anos depois, foram alçadas a vereadoras Bá, Cláudia, Marta, Priscila, Marília e Larissa – menos de 14% das 43 cadeiras da CMF.

Os dados acima mostram que a política brasileira, assim como no Ceará e em Fortaleza, é operada por homens, em detrimento da maioria feminina. Percebendo o óbvio, a Justiça Eleitoral faz força para que a situação se altere. Pelos critérios postos, cada partido deverá disponibilizar, necessariamente, pelo menos 30% das vagas para cada gênero. Na realidade prática, significa que cada partido deverá ter, no mínimo, três mulheres em cada lista de dez candidatos. Mas isso é puro formalismo. Como já dito aqui, as machistas direções partidárias operam na velha lógica: se mexem para não saírem do lugar.

Recordar é viver

Em 2004, PT e PCdoB nacionais articularam acordo para tentar barrar a candidatura de Luizianne Lins à Prefeitura de Fortaleza. Inácio Arruda (PCdoB) seria apoiado pelo PT na capital cearense e Jandira Feghali (PCdoB) receberia a reciprocidade petista no Rio de Janeiro. Resultado: a camarada ficou em 4º lugar e Luizianne foi eleita. Fica a reflexão.

No bico do lápis

Camilo e RC estão sob intensa pressão para escancarar as atividades econômicas. Além de consistentes, os argumentos são justos. Mas quem pagará pela provável elevação das curvas de infecção e óbitos pela Covid-19? Numa conta em papel de padaria, custos sanitários, políticos e econômicos vão muito além dos benefícios.

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