Bancada cresceu. E agora?

Todas as bancadas sentirão pressão interna por mais votos / Divulgação


O PT na Assembleia Legislativa do Ceará tinha quatro deputados – Fernando Santana, Moisés Braz, Elmano Freitas e Acrísio Sena. A bancada foi ampliada para sete, com a entrada de Júlio César Filho (ex-Cidadania), Augusta Brito (ex-PCdoB) e Nizo Costa (ex-PSB). É a maior bancada petista da história do partido na Casa. Todos os listados acima serão candidatos em outubro. Daí uma pergunta boba: haverá votos para todos?

Choro e ranger de dentes
O PT na AL-CE não é situação isolada. Por conta do fim das coligações e a janela partidária, praticamente todos os grupos parlamentares que disputarão novos mandatos este ano – os médios e grandes, já que os pequenos serão cuspidos fora –, brigarão, internamente, por voto nas respectivas bases eleitorais. Isso deve acontecer tanto em nível estadual quanto federal. Anotem: haverá muito choro e ranger de dentes.

Janela partidária: março será de intensa negociação, cálculos, idas e voltas

Na última legislatura, cerca de 20% dos deputados federais mudaram de partido / Agência Brasil

Começa nesta quinta-feira (3) e vai até 1º de abril um dos mais aguardados intervalos do calendário eleitoral de 2022: a janela partidária, uma maroto batismo do libera geral para o troca-troca de siglas. É uma espécie de legalização do que antes corria solto, ao arrepio dos interesses políticos do momento. Antes disso, lembremos, havia uma zona nebulosa, em que a nova filiação suscitava pendengas judiciais – geralmente, o partido do sainte queria ficar com o mandato. Na legislatura passada (2015-2018), cerca de 20% dos deputados federais eleitos pularam de uma legenda para outra, tendo entre si um motivo em comum: aumentarem as chances de renovar o mandato.

Neste 2022, a guilhotina do quociente eleitoral segue sendo o grande conselheiro para parlamentares afivelarem as malas. Mas não somente isso. Endinheirados, os maiores partidos deverão priorizar a formação de bancadas robustas, já de olho nas negociações com o próximo inquilino do Palácio do Planalto – seja quem for. Nesse aspecto, há agremiações atrativas. Será um mês de intensa negociação, cálculos, idas e voltas. Principalmente porque, com o fim das coligações partidárias, ficou cada um por si. E não será surpresa a figura do “bucha boa”, como já estão sendo apelidados pré-candidatos que, mesmo sem chances, entrarão na disputa, para ajudar o partido.