Vai disputar mandato parlamentar ou trabalhar na campanha? Anote!

Vá direto ao ponto, seja claro e fuja dos bajuladores / Divulgação

Alguns políticos buscaram este escriba, sobre aspectos gerais da linguagem a ser adotada em uma campanha eleitoral. Vamos, portanto, a alguns aspectos: 1) temas locais: embora estejamos à beira de uma campanha em que questões ideológicas nacionais devam prevalecer, o candidato competitivo deve focar nos seu objetivo principal. O resto é bobagem e perda de tempo. Portanto, reduza o peso da briga, para compensar com falas sobre temas cearenses, municipais e locais. 2) linguagem: não adianta ser, tecnicamente, perfeito, se não conseguir deixar a mensagem simples para seu público. Diminua o tecnicismo e minimize os jargões. Fale com propriedade e mostre que domina a pauta.

Vá direto ao ponto: com informação rápida, agilidade em conteúdos é diferença entre vender o peixe e embromação. Não existe assunto tão complexo que não se consiga entrar no mérito com duas ou três frases curtas. Pare de ficar rodando o quarteirão, fingindo que não viu a vaga para estacionar. De maneira geral, políticos falam demais. Diferenças: diga o que o eleitor quer ouvir, simplifique a linguagem e vá direto ao ponto. Evite mais do mesmo. É possível, mesmo em assuntos de domínio público, repisado por outros candidatos, ser original na abordagem. Sempre há um olhar ou um viés ainda não explorado. É possível estabelecer diferenças.

Mando de campo
A atividade parlamentar divide-se entre questões genéricas, onde todos metem a colher, e temas de domínio restrito, sobre os quais poucos têm a habilidade e força de trabalho para tocar o debate, encaminhar e fazer acontecer. Não dá para abraçar o mundo com as pernas. Ser “dono” de bandeiras dá mais visibilidade do que se especializar em generalidades. Polêmicas: há apelos para embates. Polarização gera audiência nas redes, mas também atrai hates e perseguição. Herói é o cara que não teve tempo de correr. Fora isso, é puro ego. Tio, fuja dos bajuladores!

Mantras e clichês
Eleição é escolha de temas e bandeiras. Por isso, junto a falas, postagens e entrevistas em geral, insira palavras e expressões-chave, que buscam sintetizar a ideia geral do que você pensa sobre o assunto em questão. Frases curtas e de efeito são as melhores, as preferidas da imprensa e do público em geral e a base para a construção da reputação pública e política.

Venda o futuro
Em tese, candidatos são eleitos para cuidar dos problemas coletivos alheios. Portanto, é delegado aos próprios o papel de apontar caminhos e soluções. Trata-se, portanto, de um líder. E ninguém conseguirá liderar se não passar a mensagem de que hoje está sendo melhor do que ontem e amanhã será melhor do que hoje. Aponte para o futuro. Venda esperança. Faça-os acreditar. Colha os frutos.

Paulo Moura será o estrategista de Bolsonaro

Profissional também conversa com lideranças do Ceará / Divulgação

O internacionalmente premiado Paulo Moura, sócio-fundador da Exata Inteligência Política, será o homem forte do marketing e comunicação do presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

A informação foi publicada na noite desta quarta-feira (12), pelo Blog do Magno Martins, especializado em bastidores do poder, em Brasília. Ao Blog do Erivaldo Carvalho, Moura confirmou o acerto.

O marquetólogo bateu o martelo em conversa com o mandatário, no Palácio da Alvorada, da qual participou o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto.

Quem é
Paulo Moura é graduado em marketing político. Tem especialização na Universidade Harvard e é professor visitante da Universidade George Washington – ambas nos Estados Unidos.

Moura atuou em países como México, França, Rússia e Itália. Ao todo, são 116 campanhas eleitorais no currículo, das quais foi vitorioso em 101. Tem prêmios internacionais na área.

Pernambucano do Recife, esteve no Ceará, em setembro de 2021, para negociações presenciais, visando à disputa eleitoral de 2022.

Mercado, imprensa, políticos e a terceira via

Em 2018, houve erros grosseiros nas previsões / Freepik

Nos últimos dias circularam reportagens e análises, segundo as quais a disputa presidencial de 2022 será, efetivamente, entre o bolsonarismo e o lulopetismo. As apostas estariam vindo, particularmente, de parte do mercado, da imprensa e do meio político. Ora, ora! O mercado, conservador por natureza, vê a curta distância. No máximo, tenta algum tipo de previsibilidade, para melhor se proteger. A chamada grande imprensa – não mais tão grande assim! -, segue mais ou menos a mesma toada. Ancorada ora no próprio mercado ora no oraculismo que lhe é peculiar, busca se valorizar em meio às águas turvas. Para tanto, puxa para si o farol da sucessão de 2022. É por onde vislumbra sair da própria crise.

E o que dizer do mundo político-partidário? Nesse ponto, há bem menos o que afirmar. Somente que envelhecidos, alguns dos ainda chamados líderes políticos no Brasil entraram na lógica inercial. Jogam com a bola parada, à espera da posse do próximo inquilino no Palácio do Planalto, para criarem problemas e venderem solução. Sempre foi assim. E o que une muitos dos porta-vozes do mercado, imprensa e meio político, aos se dizerem descrentes sobre o surgimento de um nome que aglutine o largo espectro eleitoral da terceira via? Acertou quem pensou nos prognósticos grosseiramente errados que todos eles cometeram em 2018.

Lula mãos de tesoura
A metáfora é velha, mas não custa nada citar aqui. Na política, há situações e contextos em que (não é pleonasmo) as aparências enganam. Vejamos o noivado Lula-Alckmin, depois de duas décadas de tapas e tapas. Sem trocadilho, a costura entre os dois remete a tesoura. Explicando: trata-se de objeto afiado, com duas hastes, cujos objetivos são cortar e furar. Mas, atenção, tesouras são, em regra, manuseadas pela mesma mão. Lula e Alckmin seriam faces da mesma moeda. Separados ou unidos, ao bel interesse. Créditos originais da teoria são atribuídos ao chefe russo Lênin.

O governo Dilma existiu?
Estou começando a desconfiar que não. Pelo menos a julgar pelas omissões que petistas vêm cometendo, ao falarem dos supostos anos dourados do PT no governo. Onde estão 2014-2015 e suas extravagâncias? É a mesma lógica, só que invertida: fale uma mentira mil vezes até virar verdade. Dê chá de amnésia em doses homeopáticas até os fatos caírem no esquecimento.

Nãos mãos da militância
Inácio Arruda (PCdoB) faz planos de voltar ao Parlamento, depois de 30 anos de parlamento e sete de governo Camilo Santana. No apagar das luzes de 2021, deixou a Secitece – onde deixou legados -, para ajudar o partido na luta para fugir da degola. Em entrevista ao programa Política, da TV Otimista, listou os primeiros obstáculos: consultar a família e seduzir a militância comunista.

Em tempos de infodemia

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/5:

Justiça Eleitoral e imprensa serão desafiadas neste 2022 / Julieta Ulanovsky/freepik

Este escriba é do tempo em que, nos bancos de faculdade, paraninfos professores de jornalismo, do alto de sua sapiência, construída com livros e experiências profissionais, cravavam a seguinte frase de efeito: “Todo fato tem pelo menos três versões: a minha, a sua e a verdade”. Corta para 2022. Vivemos a era da pós-verdade, verdades subjetivas e narrativas alternativas à realidade. Em meio a fronteiras borradas e preso em sua bolha, cada personagem passou a criar, ao bel interesse, modelos de opinião, nos quais “fatos objetivos” – acredite, hoje em dia, a expressão não é redundante -, tem menos influência do que os apelos a condicionamentos pessoais e emocionais.

São graves os riscos e desafios implicados à modernidade. Cite-se a pandemia de covid-19. Mais do que polêmica, a mistura ensandecida está, no limite, custando vidas humanas. O ano eleitoral chegou, já construindo seus heróis e vilões, menos à base de debates civilizados e consistentes do que às custas de fake news, inverdades e meias verdades. Geralmente, disputas políticas em nações civilizadas funcionam assim: a Justiça Eleitoral organiza o pleito e a imprensa narra o jogo. Essa não será tarefa fácil nem para uma nem para a outra. Navegar em mares turbulentos, dominados pela desinformação, é um dos desafios do ano. O fenômeno já tem até nome: infodemia.

Fevereiro é logo ali

Começa contagem repressiva para definição do comando do União Brasil no Ceará / Divulgação

Daqui a um mês, no retorno aos trabalhos do Judiciário, o ministro Edson Fachin (STF/TSE) deverá homologar a criação do União Brasil. A decisão diz respeito, diretamente, à sucessão estadual no Ceará. Não havendo nenhum cavalo de pau nos rumos das conversas, a sigla será comandada por Capitão Wagner (atual Pros). Não custa repetir: será o maior e mais endinheirado partido do País.

2022 e o planejamento estratégico das campanhas eleitorais

Na política, quem planeja tem futuro; quem não planeja tem destino / Reprodução

Cada vez mais profissionalizadas, campanhas eleitorais dependem, na mesma proporção, de planejamento, com períodos muito bem definidos, nos quais estão determinados os resultados previstos e as metas a bater. Ter ou não essa estrutura é mais ou menos a diferença entre ter futuro ou destino. Com a chegada do ano eleitoral, é hora de revisar o que já foi feito até aqui, repassar o check list do que vem nas próximas semanas e, principalmente, renovar a disposição física. Tais premissas valem, sobretudo, para a corrida a deputado federal, estadual e a majoritária da oposição. Isso porque a eleição de quem está no Executivo funciona sob outra lógica. Sabemos disso.

Na média geral entre estrategistas políticos, é pacífica a ideia de que uma campanha, com razoável potencial, assenta-se no tripé político, jurídico e comunicacional. Rapidamente: o primeiro item, por óbvio, diz respeito ao partido e suas variáveis, em termos de tamanho, capilaridade, reputação, negociações, acordos e demais nomes que entrarão na briga eleitoral. Muitos tentarão chegar lá, mas o máximo que conseguirão será amealhar votos para correligionários mais votados. O lado jurídico vai da situação formal do partido, junto à Justiça Eleitoral, aos aspectos da candidatura, propriamente, assim como a eventuais embates com adversários – dentro e fora da sigla.

O peso da comunicação
Comunicação de campanhas eleitorais é um caso à parte. Não é fácil construir, melhorar e massificar perfis políticos. Quando jovens, a maioria dos candidatos pensa que um celular à mão é o suficiente para acessar o eleitorado e converter votos. Já os experimentados costumam confiar mais no empirismo do que no profissionalismo. Em todo o caso, importa pouco se a equipe tem traquejo político e bons advogados eleitorais. Sem a retaguarda da comunicação, não chegará muito longe.

De olho na energia renovável

O presidente da Câmara, Artur Lira (PP-AL), conversa com o parlamentar cearense / Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Danilo Forte (PSDB-CE), presidente da Frente Parlamentar de Energia Renovável na Câmara dos Deputados, solicita a instalação de Comissão Especial de acompanhamento do leilão de reserva de capacidade da Aneel. Ele quer que a atividade seja acompanhada de perto durante o período de recesso da Câmara. Entre outros pontos, Danilo questiona o processo licitatório que, via judicial, permitiu a participação de empresas que contradizem as metas de redução de carbono do Brasil. O requerimento está na mesa do presidente Arthur Lira.

O protagonismo do Parlamento

Legislativo federal apoiou ações do Executivo e tomou iniciativas / Antonio Cruz/ Agência Brasil

Em recesso desde a semana passada, o Congresso Nacional foi – para o bem e para o mal -, o grande protagonista da política brasileira em 2021. No topo dos fatos que justificam tal posição está a CPI da Covid, instalada no Senado. Durante seis meses, manteve apontado para o governo Bolsonaro um canhão de luz, com graves acusações sobre supostos crimes cometidos pelo presidente da República e seus principais aliados no combate e prevenção da pandemia de covid-19. Já a Câmara dos Deputados puxou para si a pauta nacional, quer apoiando e melhorando ações do Executivo no socorro aos mais atingidos pela crise econômica quer por iniciativas próprias.

Muitos itens da pauta ficaram pelo caminho, a exemplo das reformas tributárias e administrativas. Outras, foram levadas a cabo quase que por não haver plano B, como foi o caso da PEC dos Precatórios. Houve, ainda, situações em que senadores e deputados federais ficaram devendo à opinião pública. O pior exemplo é o famigerado orçamento secreto – um adequado apelido das emendas do relator. Trata-se do suprassumo da indecência com o dinheiro do cansado contribuinte. Na mesma linha, tivemos a aprovação do fundão eleitoral que vai bancar as campanhas eleitorais do ano que vem, justamente quando o País vive um de seus piores momentos nas contas públicas.

A meta de Evandro Leitão
O presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, um dos nomes do PDT que poderá disputar o Governo do Estado, correu o Ceará nos últimos meses, levando debates e serviços ao Interior do Estado. Foi uma das formas que encontrou para ser conhecido pelo grande público. Como efeito paralelo positivo, aproximou – e muito – o Poder da sociedade.

O destaque de Antonio Henrique
Ao fazer um balanço das ações da Câmara Municipal de Fortaleza, o presidente Antonio Henrique (PDT) destacou votações, diálogo político e parcerias que, no conjunto, apontaram o rumo do desenvolvimento da Cidade. Pré-candidato a deputado estadual, o pedetista elevou a atuação do legislativo local, nem sempre compreendido em seu mister.

Comentários sobre política e Natal


Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/24:

Brasil é um dos países de maior concentração de renda do mundo / Wilson Dias/Agência Brasil

De forma quase automática, política é, invariavelmente, associada a propósitos pouco nobres. De fato, não raramente é muito pesado o clima no ambiente do jogo do poder. Brinco, às vezes, que quem trabalha na área – e não é político -, deveria receber adicional por insalubridade. Entretanto, neste Natal, dado que os espíritos costumam ficar elevados, proponho olhar para a área com outros olhos. Política é convergência, aceitação das diferenças, arte do diálogo e uma infinidade de outras definições nessa linha. O homem pré-histórico só conseguiu evoluir para a civilização porque dividiu tarefas. Para isso, lançou mão da política. É impossível imaginar o mundo sem isso.

Voltando ao Natal. Milhões e milhões de pessoas hoje, ao redor do mundo, estão de roupa nova, diante de mesas fartas e rodeadas de parentes e amigos, ouvindo músicas alegres. Outros tantos ou mais seguirão maltrapilhos, com o estômago doendo de fome, sozinhos e em silêncio. Longe das cercanias da riqueza, alguns se perguntarão se Deus existe – e, se existe, porque não o enxergam. Cada um tem meia dúzia de explicações ou teorias para essa vergonhosa divisão do mundo – particularmente no Brasil, um país de renda ultraconcentrada. Todas as assertivas têm um tronco em comum: o mau uso da política, que gera noites de Natal desiguais como a de hoje.

Jesus de Nazaré
Muito já foi dito sobre o homem histórico Jesus, o Cristo. Rebelde, o nazareno desafiou autoridades terrenas, pregou revoluções, construiu sólida liderança e expandiu conceitos de causas coletivas. Era convincente ao falar e dava provas de prestígio. Quase todos conhecem o final dessa história. Num tempo de sangrentas brigas pelo poder, Jesus atraiu inimigos poderosos, foi traído, julgado e morto. Pela contagem oficial, isso se deu há exatos 2021 anos. Mas permanece atual, mostrando como a política, quando incompreendida ou mal exercida, comete injustiças comoventes.

Bons velhinhos
A política constrói coisas belas, como mostram os grandes feitos da humanidade e pequenas iniciativas de comunidades locais. Muitos homens e mulheres públicos, sensíveis à dor alheia, atuam para construir inclusão e dignidade humanas, além de deixar, como legados, exemplos de esperança e fé. Se feita com “P” maiúsculo, o jogo do poder pode produzir bons velhinhos.

Missa do Galo
Há uma significativa parcela de personagens adeptos do quanto pior, melhor: os próprios maus políticos. Com o afastamento de homens públicos honrados, acabam por se saciar às tetas do poder. Estes, podem até sentar na primeira fila na Missa do Galo, nesta noite de Natal, mas não aprenderam nada das lições que Jesus Cristo, o aniversariante do dia, ensinou a quantos quisessem ouvir.

Sobre covardia, fraqueza e burrice na política

Queiroga alinha-se a Bolsonaro para se manter no governo / Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Dia desses falamos aqui da separação do pragmatismo político de sentimentos, digamos, mais nobres, cultivados por pessoas, medianamente, civilizadas, a exemplo de gratidão. Este predicativo não existe na realpolitik. E, no jogo do poder, há muitas outras situações em que o suposto rebaixamento moral, como covardia, fraqueza e burrice, também se fazem presentes. Vejamos o caso de Jair Bolsonaro, diante do atual estágio de negacionismo no combate à pandemia. Enquanto a comunidade científica global e a elite política do planeta discutem as melhores formas de reduzir a faixa etária para imunização contra covid-19, o presidente segue isolado e afundando.

A Anvisa aprovou a vacina para crianças, o que provocou forte reação. A pressão que o Planalto e os seus vêm fazendo sobre a agência é covardia. Principalmente, no tom relatado de ameaças e incitação à violência. Esse é o primeiro ponto. O segundo é a fraqueza do bolsonarismo, que diante das evidências, em qualquer parâmetro razoável, continua remando contra a maré, num discurso que convence cada vez menos seguidores. Agarrar-se a antigas convicções também é burrice. Argumento básico: todas as vacinas que chegaram ao braço do brasileiro foram bancadas pelo governo federal, que até agora capitalizou zero em cima dos bilhões que desembolsou.

Queiroga vai se dar muito bem ou muito mal
A dissecação das relações de poder também expõe o quão a bajulação é profícua. Em algumas situações, não escolhe currículo nem qualificação. No contexto do governo Bolsonaro, ninguém veste melhor este figurino do que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ele é o check list do que se deve fazer e dizer para se manter no poder e no emprego. Isso, a qualquer custo – mesmo que isso implique em vidas humanas. Nos últimos dias, em vida de crianças. Mas, esse filme é conhecido: casos como o do Queiroga costumam, para o tipo dele, dar muito certo ou muito errado.