A saída de Mayra da Saúde e a estratégia dos bolsonaristas

A então secretária do Ministério da Saúde, durante depoimento à CPI da Covid, em 2021 / Jefferson Rudy / Agência Senado

Pressionado pelos índices de intenção de voto, que ameaçam não lhe conceder mais quatro anos no Palácio do Planalto, o governo Bolsonaro parece estar modulando suas atitudes em relação à covid. Um dos sintomas está na saída da médica cearense Mayra Pinheiro do Ministério da Saúde. Não é uma situação isolada. No gancho, o ministro Marcelo Queiroga movimenta-se para fazer uma espécie de limpa dos bolsonaristas rasga-lata. No último final de semana, o próprio Queiroga saiu em conselho aos pais, para que levassem os filhos para serem vacinados. Pré-candidato – Mayra idem -, Queiroga vem se notabilizando por enfatizar a aquisição da vacina pela União.

Em paralelo, o centrão está convencido de que o governo, nas condições atuais, vai afundar, em termos eleitorais, mesmo com a distribuição de dinheiro aos mais pobres ou abaixo disso. O super grupo político, que manda nos escaninhos do Executivo e no Congresso Nacional, debita grande parte da conta ao negacionismo bestial do bolsonarismo. Ninguém sabe se haverá tempo útil para uma manobra tão radical, mas o recado foi dado. No fantástico mundo animal também é assim: o instinto de sobrevivência pode levar exemplares da espécie a atitudes desesperadas. Em regra, o bicho, sob severos riscos, tem diante de si a seguinte situação: muda, adapta-se ou morre.