Um mês depois da posse, Izolda segue apostando na curta safra de entregas

Tecnicamente, a pedetista é pré-candidata à reeleição / Governo do Estado/Divulgação

Nesta segunda-feira (2) faz um mês de governo Izolda Cela (PDT). A primeira mulher a chegar à Chefia do Executivo do Ceará o fez por méritos próprios e de terceiros – como é próprio da política. À psicóloga e professora foi entregue a hercúlea tarefa de elevar o nível educacional do Estado. Missão dada, missão cumprida, cá está a pedetista, tecnicamente, pré-candidata à própria sucessão. É o que diz a lei eleitoral. Mas não é tão simples assim. Numa metáfora futebolística, o poder é um jogo coletivo dos mais imprevisíveis. Daí porque ambos os esportes, por assim dizer, afloram tanta paixão, olho gordo e outras vicissitudes humanas.

Espécie de fetiche da imprensa, efemérides são, em regra, usadas como marcos para os famosos balanços de gestão. Um mês, cem dias, um ano… A governadora Izolda tem oito meses de governo pela frente. Antes do pleito, a maior fatia do período estará engessada pela restritiva legislação. Depois, o foco será outro, voltado para posse dos eleitos, formação de governo, transição etc. 

Tudo somado e noves fora, não tem lá muito sentido esperar que a gestão Izolda Cela aconteça, ao ponto de impor a governadora como opção inarredável de candidata governista. Em circunstâncias típicas, será uma curta safra de entregas, ancoradas nas ações já em andamento. Não há tempo para ficar inventando. Izolda sabe disso. Tanto é assim que a própria, um mês depois da posse, segue batendo na tecla da continuidade.

Os argumentos de Acrísio pró-governadora
Prossegue repercutindo no PT a declarada preferência do partido pelo nome da governadora Izolda Cela (PDT) para disputar o Governo do Estado, em detrimento do ex-prefeito de Fortaleza, o também pedetista Roberto Cláudio. Um dos defensores de Izolda, o inquieto deputado estadual Acrísio Sena (PT) levanta dois pontos interessantes. 1) O petista diz que “em nenhum momento questionou-se a prerrogativa do PDT” na indicação do nome. Ou seja, por esse raciocínio, o PT também teria liberdade política para declarar sua preferência. 2) Pesquisas: Acrísio cita os então candidatos Roberto Cláudio, em 2012, e Camilo Santana, dois anos depois. “Ambos iniciaram a campanha com menos de 5% das intenções de voto e foram vitoriosos”. Por certo, os argumentos do parlamentar entrarão no cálculo – além de vários outros.

Blindagem?
É inegável o marco histórico de Izolda Cela ser a primeira mulher a chegar à Chefia do Palácio da Abolição. Pergunta-se: o gênero da governadora será um diferencial competitivo na campanha eleitoral, caso venha ela a ser a candidata? Um experiente observador respondeu a este colunista, com outra indagação: você lembra de alguma blindagem à Luizianne Lins ou Dilma Rousseff?

Recordar é viver
Eleições municipais de 2020, em Fortaleza. Caminhando para o desfecho do primeiro turno, a então candidata do PT à sucessão do hoje ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT), Luizianne Lins (PT), foi alvo de duros ataques da campanha do candidato que seria eleito no segundo round, José Sarto (PDT). Também na disputa, Capitão Wagner (ex-Pros, hoje União Brasil), definiu as investidas como “covardia”.