A corrida de obstáculos para a definição do candidato governista no Ceará

São várias as características do perfil buscado / Reprodução

Quatro ou cinco pedetistas abrigados no principal grupo político do Estado tentam se viabilizar para ser ungido candidato ao Palácio da Abolição. A coluna reuniu alguns critérios, a partir dos quais – ou da maioria deles -, a definição deverá acontecer. Confiança política: o discurso autorreferente dos líderes diz tratar-se de um projeto de longo prazo. O postulante, portanto, não deve passar a ideia – ou ter histórico – de rompimento. Nome conhecido: com a escolha no limite do prazo, ser um concorrente já massificado no grande público é fator competitivo. Esse diferencial associa-se ao potencial de crescimento nas intenções de voto – outro item a ser considerado.

Capacidade de gestão: como há muito em jogo, os critérios que apontarão o candidato vão além da campanha eleitoral e chances de vitória. É na possível administração futura que a cúpula saberá se fez a escolha certa. É daí que vêm as chances de sobrevida ao projeto e ao próprio grupo. Mínimo de arestas: ter bom trânsito político entre aliados também é fundamental. Nada pior numa campanha do que corpo mole ou fogo amigo. Isso pesa na hora de bater o martelo tanto sobre a cabeça de chapa quanto na definição do candidato a vice, senador e suplentes. Passado ilibado: não menos importante, ter uma folha corrida exemplar poderá evitar vexames ao longo da disputa.

Vai disputar mandato parlamentar ou trabalhar na campanha? Anote!

Vá direto ao ponto, seja claro e fuja dos bajuladores / Divulgação

Alguns políticos buscaram este escriba, sobre aspectos gerais da linguagem a ser adotada em uma campanha eleitoral. Vamos, portanto, a alguns aspectos: 1) temas locais: embora estejamos à beira de uma campanha em que questões ideológicas nacionais devam prevalecer, o candidato competitivo deve focar nos seu objetivo principal. O resto é bobagem e perda de tempo. Portanto, reduza o peso da briga, para compensar com falas sobre temas cearenses, municipais e locais. 2) linguagem: não adianta ser, tecnicamente, perfeito, se não conseguir deixar a mensagem simples para seu público. Diminua o tecnicismo e minimize os jargões. Fale com propriedade e mostre que domina a pauta.

Vá direto ao ponto: com informação rápida, agilidade em conteúdos é diferença entre vender o peixe e embromação. Não existe assunto tão complexo que não se consiga entrar no mérito com duas ou três frases curtas. Pare de ficar rodando o quarteirão, fingindo que não viu a vaga para estacionar. De maneira geral, políticos falam demais. Diferenças: diga o que o eleitor quer ouvir, simplifique a linguagem e vá direto ao ponto. Evite mais do mesmo. É possível, mesmo em assuntos de domínio público, repisado por outros candidatos, ser original na abordagem. Sempre há um olhar ou um viés ainda não explorado. É possível estabelecer diferenças.

Mando de campo
A atividade parlamentar divide-se entre questões genéricas, onde todos metem a colher, e temas de domínio restrito, sobre os quais poucos têm a habilidade e força de trabalho para tocar o debate, encaminhar e fazer acontecer. Não dá para abraçar o mundo com as pernas. Ser “dono” de bandeiras dá mais visibilidade do que se especializar em generalidades. Polêmicas: há apelos para embates. Polarização gera audiência nas redes, mas também atrai hates e perseguição. Herói é o cara que não teve tempo de correr. Fora isso, é puro ego. Tio, fuja dos bajuladores!

Mantras e clichês
Eleição é escolha de temas e bandeiras. Por isso, junto a falas, postagens e entrevistas em geral, insira palavras e expressões-chave, que buscam sintetizar a ideia geral do que você pensa sobre o assunto em questão. Frases curtas e de efeito são as melhores, as preferidas da imprensa e do público em geral e a base para a construção da reputação pública e política.

Venda o futuro
Em tese, candidatos são eleitos para cuidar dos problemas coletivos alheios. Portanto, é delegado aos próprios o papel de apontar caminhos e soluções. Trata-se, portanto, de um líder. E ninguém conseguirá liderar se não passar a mensagem de que hoje está sendo melhor do que ontem e amanhã será melhor do que hoje. Aponte para o futuro. Venda esperança. Faça-os acreditar. Colha os frutos.

Eleições em Fortaleza: as estratégias dos principais candidatos à sucessão de Roberto Cláudio

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/16:

Capitão Wagner, José Sarto, Luizianne Lins, Heitor Férrer e Heitor Freire: diferentes nos perfis, semelhantes no objetivo / montagem

Com candidaturas e alianças finalizadas nesta quarta-feira (16/09), último dia para convenções partidárias, já é possível perceber as linhas gerais que nortearão as estratégias eleitorais dos principais grupos políticos que disputarão a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT). Isso porque para cada cenário, impõe-se uma leitura diferente do jogo. Eis o ponto: o desfecho das coligações e apoios surpreendeu, por um lado, e frustrou, por outro. E, assim como na guerra, perfil, armas e moral da tropa do adversário político são o que decidem as táticas no ataque e os métodos de defesa.

Forte nas redes sociais, mas com pouca força partidária e irrisório tempo no rádio e TV – resultado de negociações muito aquém do que esperava -, o candidato Capitão Wagner (Pros) deve jogar muitas de suas fichas no ambiente online. Também explorará a empatia e o carisma pessoais, desenvolvidos ao longo dos últimos anos. Do outro lado do ringue, com atributos diferentes do concorrente do Pros, o candidato José Sarto (PDT) deverá vincular-se, fortemente, aos legados da atual gestão e defesa de continuidade, e contar com depoimentos de aliados de sua robusta base de apoio.

Isolada, Luizianne vai depender muito de si

Se o desfecho não foi o idealizado por Capitão Wagner, o mesmo pode ser dito sobre Luizianne Lins. Depois de muitos impasses internos e externos, o PT vai de chapa pura em 2020 – isso não aconteceu nem em 2004, quando ela foi eleita contra tudo e todos. Resultado: a deputada federal, isolada, politicamente, vai depender muito da força dela mesma para se tornar competitiva, ao longo do processo. E ainda terá de enfrentar um fenômeno que veio à tona, nos últimos dias: o antiluiziannismo no próprio partido.

De assédio para vice a aliado do MDB

Outro que contará com a própria reputação pública nesta disputa pela Prefeitura da Capital é Heitor Férrer (SD) que, em mais de uma oportunidade, rejeitou convite para ser candidato a vice. Mas isso não seria o suficiente. Por isso, fechou apoio de Eunício Oliveira, com seu MDB – sigla com fatia expressiva de tempo no rádio e TV.

Valores familiares e alvos preferenciais

Filiado ao ex-nanico PSL – ex-partido do presidente Jair Bolsonaro -, o candidato Heitor Freire, assumidamente de direita, deve investir pesado na retórica dos valores familiares conservadores e cristãos. Na artilharia do deputado federal também deverão estar ataques a dois de seus alvos preferenciais: cirismo e petismo.

Os impactos do coronavírus nas eleições municipais

De forma diferente, Covid-19 afetou estratégias de governo e oposição na disputa pelo voto

As eleições municipais acontecerão em 2020. Significa que, independentemente da extensão e distensão da pandemia, todas as forças políticas terão de se ajustar à nova realidade. Mas não está fácil para ninguém.

Governo – Antes das primeiras contaminações e mortes pelo Covid-19, prefeitos já ensaiavam regimes financeiros rígidos, por força da crise econômica pré-pandemia.

Agora, com o desafio de caixa ainda maior, terão de rever para baixo muitas expectativas na entrega de resultados – obras, por exemplo -, a clássica fórmula da musculatura eleitoral.

Muitos gestores terão em seus rastros denúncias de mau uso de verbas, uma certa antipatia da população – previsível em tempos de crise -, e a tensão política nacional, que deverá ficar cada vez mais animada.

Oposição: do outro lado não é muito diferente. Independentemente do tamanho do município, as articulações de opositores não fluem como planejadas. Com o isolamento social e o deslocamento restrito, campanhas de filiação, por exemplo, foram canceladas.

O compasso de espera da oposição derrubou eventos partidários, como anúncios de alianças e, com sessões parlamentares remotas, os que estão em mandato perderam holofotes.

Em busca de alternativas, alguns opositores denunciam supostas falhas no combate à Covid-19. É um risco. Poderão tanto lograr êxito quanto serem acusados de fazer política com um olho na urna eletrônica e o outro na urna funerária.

Tudo somado e considerado, temos, em plena pandemia, um calendário eleitoral em curso, mesmo sem sabermos quando e como será a campanha, propriamente, e governos e oposições desorientadas, com mais dúvidas do que respostas.

Mas em um ponto a maioria concorda: levará a melhor nas eleições deste 2020 quem souber reelaborar suas estratégias pós-pandemia e, principalmente, executá-las a tempo.