O cálculo de AJ Albuquerque

Deputado federal é presidente do Partido Liberal no Ceará / leia Viana / Câmara dos Deputados


O presidente do Partido Progressistas (PP) no Ceará, deputado federal AJ Albuquerque, faz os cálculos e acredita que deverá renovar o mandato em outubro. Isso, se forem mantidas as previsões de voto de aliados. Trabalhando discretamente, o parlamentar montou uma rede de apoio de líderes no Interior do Estado, dentro das 23 pré-candidaturas à Câmara Federal.

Um mês depois da posse, Izolda segue apostando na curta safra de entregas

Tecnicamente, a pedetista é pré-candidata à reeleição / Governo do Estado/Divulgação

Nesta segunda-feira (2) faz um mês de governo Izolda Cela (PDT). A primeira mulher a chegar à Chefia do Executivo do Ceará o fez por méritos próprios e de terceiros – como é próprio da política. À psicóloga e professora foi entregue a hercúlea tarefa de elevar o nível educacional do Estado. Missão dada, missão cumprida, cá está a pedetista, tecnicamente, pré-candidata à própria sucessão. É o que diz a lei eleitoral. Mas não é tão simples assim. Numa metáfora futebolística, o poder é um jogo coletivo dos mais imprevisíveis. Daí porque ambos os esportes, por assim dizer, afloram tanta paixão, olho gordo e outras vicissitudes humanas.

Espécie de fetiche da imprensa, efemérides são, em regra, usadas como marcos para os famosos balanços de gestão. Um mês, cem dias, um ano… A governadora Izolda tem oito meses de governo pela frente. Antes do pleito, a maior fatia do período estará engessada pela restritiva legislação. Depois, o foco será outro, voltado para posse dos eleitos, formação de governo, transição etc. 

Tudo somado e noves fora, não tem lá muito sentido esperar que a gestão Izolda Cela aconteça, ao ponto de impor a governadora como opção inarredável de candidata governista. Em circunstâncias típicas, será uma curta safra de entregas, ancoradas nas ações já em andamento. Não há tempo para ficar inventando. Izolda sabe disso. Tanto é assim que a própria, um mês depois da posse, segue batendo na tecla da continuidade.

Os argumentos de Acrísio pró-governadora
Prossegue repercutindo no PT a declarada preferência do partido pelo nome da governadora Izolda Cela (PDT) para disputar o Governo do Estado, em detrimento do ex-prefeito de Fortaleza, o também pedetista Roberto Cláudio. Um dos defensores de Izolda, o inquieto deputado estadual Acrísio Sena (PT) levanta dois pontos interessantes. 1) O petista diz que “em nenhum momento questionou-se a prerrogativa do PDT” na indicação do nome. Ou seja, por esse raciocínio, o PT também teria liberdade política para declarar sua preferência. 2) Pesquisas: Acrísio cita os então candidatos Roberto Cláudio, em 2012, e Camilo Santana, dois anos depois. “Ambos iniciaram a campanha com menos de 5% das intenções de voto e foram vitoriosos”. Por certo, os argumentos do parlamentar entrarão no cálculo – além de vários outros.

Blindagem?
É inegável o marco histórico de Izolda Cela ser a primeira mulher a chegar à Chefia do Palácio da Abolição. Pergunta-se: o gênero da governadora será um diferencial competitivo na campanha eleitoral, caso venha ela a ser a candidata? Um experiente observador respondeu a este colunista, com outra indagação: você lembra de alguma blindagem à Luizianne Lins ou Dilma Rousseff?

Recordar é viver
Eleições municipais de 2020, em Fortaleza. Caminhando para o desfecho do primeiro turno, a então candidata do PT à sucessão do hoje ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT), Luizianne Lins (PT), foi alvo de duros ataques da campanha do candidato que seria eleito no segundo round, José Sarto (PDT). Também na disputa, Capitão Wagner (ex-Pros, hoje União Brasil), definiu as investidas como “covardia”.

Sobre vice e suplência na base governista cearense

Vagas a substitutos imediatos de Izolda e Camilo são cobiçadas por aliados / Divulgação

Poucas vezes na história recente da política cearense os olhos dos aliados ficaram tão arregalados para o posto de candidato a vice-governador ou suplente de senador na chapa majoritária governista. E com razão. Atual governadora, a pedetista Izolda Cela, na hipótese de ser ela a candidata do partido e, também, supostamente, ser eleita em outubro vindouro, teria pela frente somente quatro anos na chefia do Executivo. Ou seja, quem for vice-governador, nesse cenário, terá o caminho mais curto, a partir de janeiro de 2023, para ascender ao comando do Palácio da Abolição. Na prática, passará quatro anos fazendo campanha para 2026.

O mesmo vale para a suplência do pré-candidato ao Senado, petista Camilo Santana. O ex-governador parte como franco favorito para ocupar a cadeira onde senta, atualmente, Tasso Jereissati, cujo mandato vai até o final do ano. O raciocínio é meio longo, mas vale o esforço: caso Camilo chegue ao Congresso e o PT volte ao Planalto, o suplente será virtualmente senador da República. Isso porque, nos cálculos de aliados, o titular poderá ser puxado para a Esplanada dos Ministérios.

As duas possibilidades acima explicariam o hercúleo esforço que aliados vêm fazendo para indicarem a candidatura a vice-governador e suplência ao Senado. Inclusive porque sequer precisariam fazer campanha. Em circunstâncias normais, só se pede voto para o titular. Ou como diz a jocosa lembrança: não existe nem escola nem rua batizada com nome de vice, suplente ou ex.

O cálculo de Pedro Matos

Vereador de Fortaleza é pré-candidato a deputado federal / Divulgação


O PL de Acilon Gonçalves está se empolgando com a candidatura majoritária ao Abolição, que deve ter na cabeça de chapa o ex-deputado federal Raimundo Gomes de Matos. O raciocínio é simples: seguraria os votos do grupo e vitaminaria a lista de candidaturas parlamentares. Num bom cenário, o partido pretende conquistar em torno de 900 mil votos – entre quatro e cinco deputados federais, segundo um dos pré-candidatos, o vereador de Fortaleza, Pedro Matos (PL).

A gestão Sarto na eleição ao Governo do Estado

A avaliação do pedetista em Fortaleza poderá definir a força – ou não -, de Capitão Wagner na Capital / Prefeitura de Fortaleza/Divulgação

Quinto maior eleitorado do País, o Município de Fortaleza responde por cerca de 28% desse contingente do Ceará. Mas, na eleição para o governo do Estado, é mais do que os quase dois milhões de pessoas com título de eleitor. A capital cearense é, simbolicamente, o centro nervoso da disputa. É a principal batalha da guerra eleitoral. Há, obviamente, resultados dissonantes. Ou seja, ganhar na maior cidade não carimba o passaporte nas urnas, mas conta muito – literalmente.

Aqui entra a gestão do prefeito José Sarto Nogueira (PDT). Aliado histórico do grupo hoje alojado no Palácio da Abolição, o pedetista sagrou-se chefe do Executivo da Capital no segundo turno, quando obteve 51,69% dos votos, contra 48,31% do agora pré-candidato a governador, Capitão Wagner (União Brasil).

A sequência de candidaturas do deputado federal licenciado – a prefeito, em 2020, e, agora a governador -, favorece o opositor. Explica-se: mesmo sendo outra disputa e outra campanha, com cenários e variáveis diferentes, mais de 624 mil eleitores em Fortaleza queriam Wagner prefeito. Outros 668 mil votaram e elegeram Sarto, com a óbvia expectativa de terem feito a melhor escolha.

Tudo acima peneirado e considerado, a aprovação da gestão Sarto em 2022 será fundamental não somente para o candidato pedetista ao governo. Por tabela e diretamente, poderá definir a força – ou não -, de Capitão Wagner na Capital. Daqui partirão, rumo ao Interior do Estado, muitos dos sinais de vitória ou derrota, de um lado ou do outro. Mas essa já é outra história.

Pesquisa: parede de contenção, de um lado, e bola de ferro, do outro

Candidato apoiado por Lula/Camilo alcança 57% de favoritismo / Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pesquisa Grupo Otimista/Real Time para o Governo do Estado deste já emocionante 2022 não poderia ter chegado em melhor hora: justamente quando estamos indo para a reta final da janela partidária e demais grandes decisões, aqui e alhures, estão consolidadas – ou dadas como certas. A saber: nacionalmente, os palanques presidenciais estão sendo montados e, aqui no Ceará, o União Brasil ficou com a oposição, o PSDB e companhia serão governistas e, na cotação do dia, Camilo Santana deixa de ser governador até a virada do mês e o PT de guerra baixou a bola no debate sobre candidatura própria.

Conforme está nos cânones da consultoria política, pesquisa não define eleição. Mas tem o condão de consolidar caminhos que podem levar à vitória, fundamentar cenários de risco antes não vistos ou mesmo reposicionar personagens na disputa. No português claro, o levantamento Otimista/RT mostra que a oposição terá à sua frente duas firmes paredes de contenção, que a separam do grosso do eleitorado. Estes obstáculos têm nome e sobrenome: Camilo Santana e Luiz Inácio Lula da Silva.

Na outra trincheira, temos o presidente Jair Bolsonaro (PL) como uma espécie de bola de ferro presa ao pescoço dos opositores, sintetizado na pessoa de Capitão Wagner (União Brasil). O resultado é eloquente. Quando associado, diretamente, um candidato apoiado por Lula/Camilo alcança 57% de favoritismo para sair vitorioso, contra 27% do “governador de Bolsonaro”.

Surpresa, disparate e “2º turno”
Em um dos prováveis cenários, RC/Lula/Camilo chega a 42% contra 25% de Capitão Wagner/Bolsonaro. A diferença cai quando sai RC e entra a hoje vice-governadora Izolda Cela: 33% a 27%. E a surpresa: quando o nome governista é Chiquinho Feitosa – recém-filiado ao PSDB –, este chega a 34% contra 27% de Wagner. Uma das explicações para o disparate pode estar na avaliação do governo Camilo Santana, que soma 59% de ótimo/bom. PS: desconsiderando-se o nome de Feitosa, RC e Izolda estão, hoje, no “segundo turno” da disputa interna no PDT. O primeiro conta com a simpatia dos irmãos Ciro e Cid Gomes, enquanto o segundo está no radar de Camilo.

O que já está pacificado e o que ainda será muito discutido na base governista

Governador Camilo e prefeito Sarto têm preferências diferentes por candidaturas ao Abolição / Divulgação

Praticamente toda definição de candidatura na base governista é conflituosa. Sobretudo, quando duas características estão presentes: 1) se for transição entre dois ciclos. Ou seja, na hipótese de o atual governante, na reta final do segundo mandato, não poder disputar mais quatro anos, e 2) se a gestão em questão apresentar satisfatório nível de aprovação – que poderá, não é automático -, representar vigor político e, portanto, potencial eleitoral. Dizendo de forma direta: impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, o governador Camilo Santana (PT), bem avaliado, tem no seu entorno o desafio de gerenciar egos e interesses na escolha do candidato à sucessão.

Começando pelo mais fácil: é pacífico que o candidato governista será do PDT. Também não há ruído público, até aqui, para a saída de Camilo até o dia 2 próximo, para disputar o Senado. Um degrau acima, em ordem de complicação, há as articulações para a escolha do nome a vice. Não há nada decidido. Mas é na discussão sobre a cabeça de chapa que promete. Há quatro pré-candidatos – a hoje vice e possível governadora Izolda Cela, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, o deputado federal Mauro Filho e o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão. Todos querem, têm perfil para isso e contam com padrinhos fortes. Serão longos dias, semanas e meses. Tudo pode acontecer.

Roberto Cláudio e Izolda Cela
Como dito e já sabido, todos os integrantes do quarteto pedetista têm chances de saírem candidatos. Mas salta aos olhos a dianteira do ex-prefeito da Capital e da hoje vice. Ontem, por exemplo, Roberto Cláudio reuniu 32 vereadores de Fortaleza, inclusive o presidente da CMFor, Antônio Henrique, em palestra. O evento acontece ainda sob a repercussão da declaração do prefeito José Sarto, de que o melhor nome para a disputa de outubro seria a do antecessor no Paço Municipal. Na outra ponta, Izolda Cela é, cada vez mais, apresentada, ciceroneada e tratada como governadora. A conferir o que, efetivamente, acontecerá.

Os efeitos da possível candidatura presidencial do União Brasil no palanque de Capitão Wagner

Deputado federal tem promessa de presidir partido no Ceará / Agência Câmara


Embora não tenha dito quem será, o União Brasil diz que terá candidato à Presidência da República. A informação oficial veio esta semana, em peça de propaganda, assinada pelo partido, em espaço televisivo reservado pela legislação eleitoral. Meio surpreendente, a posição do comando nacional da legenda deverá impactar a sucessão no Ceará. Particularmente, na formação do palanque da oposição ao Palácio da Abolição e na estratégia de campanha, propriamente.

Vejamos. Até aqui, se tudo der certo e nada der errado para os oposicionistas, o deputado federal Capitão Wagner (hoje no Pros) passará a presidir o União no Estado. É com essa sigla que o parlamentar quer ser cabeça de chapa para bater voto com o nome pedetista. Essa é a grande aposta. O UB, resultado da fusão PSL-DEM, lembremos, é a maior agremiação partidária do País, assim como o mais endinheirado e latifundiário no rádio e TV. É muita força política.

Mas, se o União Brasil tiver – se isso não passar de um blefe, muito próprio do período pré-eleitoral -, candidato ao Planalto, como ficará a futura candidatura do Capitão no Ceará? Ainda está muito, muito cedo para conclusões. Até porque ainda falta a entrega do comando do UB a CW. Ainda há indícios de que o governismo cearense ainda não jogou, totalmente, a toalha na disputa pelo partido. E, obviamente, falta Luciano Bivar, ACM Neto e companhia encontrarem o nome que tope usar o figurino de presidenciável.

Wagner e o bolsonarismo no Ceará
Na linha das conjecturas, caso o União Brasil tenha candidato ao Planalto, Capitão Wagner não poderá entrar, oficialmente, na campanha de Bolsonaro no Ceará; o bolsonarismo, onde Wagner poderia faturar um filão de votos, ficará, no mínimo, dividido. Um dado concreto: no mês passado, os capitães – Bolsonaro e Wagner – juraram fidelidade mútua. O cearense chegou a dizer, durante agenda presidencial, no Cariri cearense, que iria sair em defesa de obras e projetos federais no Estado. Esses e outros desdobramentos podem ter imensa repercussão já agora, na montagem da chapa. É disso que se trata quando entra em jogo uma das mais certeiras e dinâmicas variáveis da política: a expectativa de poder.

As estrelas nacionais do UB
Pelo que vem sendo veiculado, são quatro as estrelas nacionais do União Brasil, nessa ordem de importância, a saber: os manda-chuva presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), e o ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto, hoje tesoureiro da sigla. Bivar e ACM eram, respectivamente, presidentes nacionais do PSL e DEM, de cuja fusão resultou o novo partido. No segundo bloco aparecem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e a senadora Soraya Thronicke (MS). E só.

Mais uma colcha de retalhos
Bem ao estilo dos grandes partidos nacionais – exceção honrosa ao PT -, os grupos políticos brasileiros são colchas de retalhos regionais, em que cada um manda cacique num pedaço. Por isso, a enorme dificuldade de um nome natural surgir como presidenciável. É, exatamente, o que está acontecendo com o União Brasil. Bivar chegou a ser cogitado. Parece não ter vingado. Houve namoricos com o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro (Podemos), cujas conversas passaram de mornas a frias.

O fator PT no mapa eleitoral do Ceará

Coligação PT-PDT é necessária para Camilo pedir voto ao candidato pedetista / Reprodução

Grosso modo, o mapa eleitoral do Ceará está, atualmente, desenhado da seguinte forma: Fortaleza e Região Metropolitana, onde a oposição, liderada pelo pré-candidato ao Abolição, Capitão Wagner (Pros) tem musculatura invejável, e o Interior do Estado, onde o governismo, em função da força das gestões locais, dá maioria folgada à hoje base aliada. Particularmente, por conta do governo Camilo Santana (PT), muito bem avaliado. Aqui entra a necessidade de o PT estar no palanque – para que o futuro candidato ao Senado possa pedir voto para o candidato ao Governo, a ser anunciado pelo PDT.