Os cálculos de Wagner

Pré-candidato ao Abolição projeta eleger até cinco deputados federais pelo União Brasil / Pros/Divulgação

Agora existindo de direito, o União Brasil (ex-PSL/DEM) segue em queda-de-braço pelo comando no Ceará. Tanto governo quanto oposição promete eleger uma bancada robusta – um dos critérios -, caso fique com a legenda. O grupo do Capitão Wagner, hoje o mais provável controlador da sigla, calcula eleger, por baixo, entre quatro e cinco parlamentares para a Câmara pelo UB.

Sobre representação parlamentar do setor produtivo

É fácil identificar os que estão acima da média, em setores estratégicos / Divulgação

Fenômeno bastante comum, os setores corporativos observam a cena pública, mais detidamente, neste período que antecede a definição dos cenários políticos e eleitorais. Não que já não o façam, no dia a dia. Mas, especialmente, à medida que se aproximam a definição de palanques, no caso de candidaturas majoritárias, e listas de nomes, quando se trata de corrida aos parlamentos. Além de legítimo, faz parte de qualquer grande negócio a interação com o poder instituído, propriamente. Esse movimento já é visível, inclusive sendo essa uma dinâmica de mão dupla. Este ano está indo embora. É hora de planejar 2022. Sobretudo, para os que buscam bons representantes.

Chama a atenção, porém, a quantidade de homens de negócio que admitem entrar na briga por voto para chegar à Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados. Duas observações. Primeira: sempre muitos se dizem dispostos a encarar a corrida eleitoral, mas não raramente recuam, por motivos vários, que não vêm ao caso. Segunda questão: no caso específico da bancada de deputados federais cearenses, há muitos bons exemplos de parlamentares que honram o mandato. Não citaremos nenhum deles. Mas, é fácil identificar os que estão acima da média, em setores estratégicos para o desenvolvimento do Estado, independentemente de questões partidárias.

Por que partidos vão priorizar a disputa para deputado federal

Corrida à Câmara Federal transformará disputas majoritárias estaduais em questões menores / José Cruz/Agência Brasil

Nunca a eleição para deputado federal foi tão visada no Brasil quanto a que teremos em 2022. Não pelas atribuições e privilégios inerentes ao mandato – na média geral, esses justos direitos existem para o pleno exercício da representação parlamentar. Tais características vão continuar, basicamente, as mesmas de legislaturas passadas. Mas sim pelo poder real das bancadas, no Congresso Nacional. No melhor dos mundos, quando alinham interesses, não necessariamente, republicanos, tais grupos passam a viver das circunstâncias, inclusive econômicas, que somente o poder é capaz de viabilizar. É fácil entender isso quando se olha para o bilionário orçamento secreto.

Mas isso é somente a ponta do que é visível e organizado em larga escala, em torno de uma ofensiva desencabulada. Obra do centrão, a eufemística emenda do relator é o mais bem acabado exemplo de atuação em bloco em benefício próprio. Num roteiro que parece muito bem ensaiado, o centrão avançou sobre o Executivo, passando a barganhá-lo, cotidianamente, e desafiou o Supremo, num acinte jamais vista. Sob a liderança de Arthur Lira e outros, ser deputado federal, atualmente, vai muito além da conquista de um lugar no centro do debate nacional. Por isso, muitos dirigentes partidários estão deixando as disputas majoritárias estaduais como algo menor.

Disputas estaduais em segundo plano
Fazer parte de uma grande bancada na Câmara dos Deputados é mandar num pedaço de Brasília, com muitos poderes Brasil afora. O Governo Federal é a foz do rio caudaloso e trilionária, por onde escorre, dia e noite, muito dinheiro, para os rincões e redutos eleitorais. Isso, sem falar no varejo do dia a dia quando, longe dos olhos do distinto público, o baixo clero faz a festa. Não é difícil, portanto, donos de partido no País, de uma maneira geral, poderem ser divididos em dois grupos: os que só pensam em eleger deputado federal – e admitem isso -, e os que só pensam nisso, mas desconversam.

Grandes podem voltar maiores
Dentro da legislação – que se diga, é feita pelos próprios -, a dinheirama que custeia todo o processo eleitoral é um banquete para as siglas que elegem muitos deputados federais. Dividido, proporcionalmente, ao tamanho das bancadas, o fundo eleitoral é uma espécie de retroalimentação do sistema. Acertando na veia, as bancadas grandes tendem a voltar ainda maiores.

Não são somente boas intenções
Como diz o clichê, os parlamentos são pulmões da democracia. Devem existir de forma plena e sempre revigorada, formados através de eleições livres e seguras. A questão nem é essa. O problema são os vícios e distorções no exercício do mandato de representação delegada. Todos os candidatos pedem voto declarando-se com a melhor das intenções. Mas de boas intenções…