2022 e o planejamento estratégico das campanhas eleitorais

Na política, quem planeja tem futuro; quem não planeja tem destino / Reprodução

Cada vez mais profissionalizadas, campanhas eleitorais dependem, na mesma proporção, de planejamento, com períodos muito bem definidos, nos quais estão determinados os resultados previstos e as metas a bater. Ter ou não essa estrutura é mais ou menos a diferença entre ter futuro ou destino. Com a chegada do ano eleitoral, é hora de revisar o que já foi feito até aqui, repassar o check list do que vem nas próximas semanas e, principalmente, renovar a disposição física. Tais premissas valem, sobretudo, para a corrida a deputado federal, estadual e a majoritária da oposição. Isso porque a eleição de quem está no Executivo funciona sob outra lógica. Sabemos disso.

Na média geral entre estrategistas políticos, é pacífica a ideia de que uma campanha, com razoável potencial, assenta-se no tripé político, jurídico e comunicacional. Rapidamente: o primeiro item, por óbvio, diz respeito ao partido e suas variáveis, em termos de tamanho, capilaridade, reputação, negociações, acordos e demais nomes que entrarão na briga eleitoral. Muitos tentarão chegar lá, mas o máximo que conseguirão será amealhar votos para correligionários mais votados. O lado jurídico vai da situação formal do partido, junto à Justiça Eleitoral, aos aspectos da candidatura, propriamente, assim como a eventuais embates com adversários – dentro e fora da sigla.

O peso da comunicação
Comunicação de campanhas eleitorais é um caso à parte. Não é fácil construir, melhorar e massificar perfis políticos. Quando jovens, a maioria dos candidatos pensa que um celular à mão é o suficiente para acessar o eleitorado e converter votos. Já os experimentados costumam confiar mais no empirismo do que no profissionalismo. Em todo o caso, importa pouco se a equipe tem traquejo político e bons advogados eleitorais. Sem a retaguarda da comunicação, não chegará muito longe.

De olho na energia renovável

O presidente da Câmara, Artur Lira (PP-AL), conversa com o parlamentar cearense / Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Danilo Forte (PSDB-CE), presidente da Frente Parlamentar de Energia Renovável na Câmara dos Deputados, solicita a instalação de Comissão Especial de acompanhamento do leilão de reserva de capacidade da Aneel. Ele quer que a atividade seja acompanhada de perto durante o período de recesso da Câmara. Entre outros pontos, Danilo questiona o processo licitatório que, via judicial, permitiu a participação de empresas que contradizem as metas de redução de carbono do Brasil. O requerimento está na mesa do presidente Arthur Lira.

Sobre representação parlamentar do setor produtivo

É fácil identificar os que estão acima da média, em setores estratégicos / Divulgação

Fenômeno bastante comum, os setores corporativos observam a cena pública, mais detidamente, neste período que antecede a definição dos cenários políticos e eleitorais. Não que já não o façam, no dia a dia. Mas, especialmente, à medida que se aproximam a definição de palanques, no caso de candidaturas majoritárias, e listas de nomes, quando se trata de corrida aos parlamentos. Além de legítimo, faz parte de qualquer grande negócio a interação com o poder instituído, propriamente. Esse movimento já é visível, inclusive sendo essa uma dinâmica de mão dupla. Este ano está indo embora. É hora de planejar 2022. Sobretudo, para os que buscam bons representantes.

Chama a atenção, porém, a quantidade de homens de negócio que admitem entrar na briga por voto para chegar à Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados. Duas observações. Primeira: sempre muitos se dizem dispostos a encarar a corrida eleitoral, mas não raramente recuam, por motivos vários, que não vêm ao caso. Segunda questão: no caso específico da bancada de deputados federais cearenses, há muitos bons exemplos de parlamentares que honram o mandato. Não citaremos nenhum deles. Mas, é fácil identificar os que estão acima da média, em setores estratégicos para o desenvolvimento do Estado, independentemente de questões partidárias.

Fabiano Barreira é reeleito presidente do Seacec

Empresário ficará à frente da entidade até 2026 / Divulgação

O presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Ceará (Seacec), Fabiano Barreira, foi reeleito, nesta quarta/8, para mais quatro anos de mandato (2022-2026). O vice será Luiz Fernando Bittencourt. Ambos foram escolhidos por aclamação, em chapa única.

Sócio do Grupo Serval – , Barreira é vice-presidente da Região Nordeste da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac).

O presidente reeleito foi destaque em 2020, como Personalidade do Ano na segurança privada cearense. No último dia 30, Fabiano recebeu a medalha José Milton Pimentel Filho, pela gestão durante a crise sanitária de covid-19.

A peculiar relação do PT e Lula com o Ministério Público, imprensa e TCU

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/11:

O ex-presidente da República, durante discurso para militância / Ricardo Stuckert/IL

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) é autor do texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia os poderes do Congresso Nacional sobre o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O novo desenho institucional ameaça desfigurar o Ministério Público como o conhecemos. O caça às bruxas remonta à Operação Lava Jato e outras investigações cabeludas. Polêmica, a matéria está travada na Câmara dos Deputados.

Noutra frente, o ex-presidente Lula, há algumas semanas, fez uma série de desabafos sobre a imprensa e relação da cobertura com o governo da sucessora Dilma Rousseff (PT). Em síntese, o petista questionou porque a gestão da companheira não tinha avançado na ideia do conselho de comunicação social. A iniciativa suscitaria mecanismos de controle dos meios. Para os mais críticos, significaria censura. Sem consenso no PT e percebendo o ato falho, Lula jogou o debate para o Legislativo.

Durante o período em que esteve presidente da República, Lula fez vários discursos contra a atuação do Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2010, com a “mãe do PAC” às voltas com 32 obras federais paradas por indícios de irregularidade, o então mandatário chegou a defender “revisão no trabalho de fiscalização do TCU”. Da série recordar é viver.

Emprego, saúde e segurança

Governo e oposição já elaboram discursos e propostas / Arquivo Agência Brasil

Os três itens acima, variando um pouco, são os gargalos concretos do Ceará. Certamente, estarão presentes nos debates dos próximos meses, quando o clima de sucessão eleitoral chegar para valer. Isso, de forma explícita, porque, no dia a dia, já é perceptível a preocupação e o trabalho focado no tripé, de quem está no poder, e a construção de propostas que ofereçam melhores saídas, de quem quer chegar lá. Será um duelo proveitoso, desde que os principais personagens não se percam em pelejas ideológicas – convenientes para alguns, mas sem resultado prático para a maioria.

O Brasil descolado da agenda do mundo

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/11:

Plenário do Congresso, onde, em tese, são debatidos os grandes temas nacionais / Antonio Cruz/ Agência Brasil

Além de fazer a humanidade pisar fundo no freio, em vários aspectos, a pandemia evidenciou – ou aprofundou, como queiram -, a pobreza; há décadas, o planeta já emitia graves sinais de esgotamento eco ambiental; a indústria da tecnologia e informação, também há bastante tempo, impunha novos desafios a governos e sociedade. Por isso, na média geral, as nações mundo afora têm uma agenda, que com diferenças pontuais, vão na seguinte linha: combate à desigualdade social, novo pacto pela sustentabilidade e regulamentação das big techs. Essa foi, inclusive, a tônica dos discursos mais relevantes dos chefes de Estado, há alguns dias, na Assembleia Geral da ONU.

Enquanto isso, no Brasil, o debate nacional segue girando em torno da responsabilização pelos mandos e desmandos no manejo da pandemia, a superficial discussão de reformas pretensamente estruturantes e o já enfadonho enfrentamento a questões que rondam as polêmicas vazias do presidente da República. São itens que, dependendo do olhar e da boa vontade, formam uma pauta. No máximo. Mas não uma agenda nacional, pela qual se vislumbre um antes e um depois ou aponte caminhos para o País a médio e longo prazos. Não é um projeto. O tempo não espera por ninguém, muito menos a linha da história, que lá fora está sendo construída por quem olha para o futuro.

A cobrança de Danilo

Danilo defende renegociação de dívidas de desenvolvimento regional / Agência Câmara

O Brasil poderia retomar a economia a passos largos. Exemplo: nesta quinta-feira (7), o Congresso Nacional adiou a votação de vetos presidenciais à MP 1016/21 que prevê renegociação de dívidas com os fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro Oeste (FCO). Com a pandemia, a situação foi agravada. Atento, o deputado Danilo Forte (PSDB-CE) cobrou a votação. O parlamentar argumenta que pequenos empresários e produtores aguardam a regulamentação da matéria para renegociação das dívidas e retomada de atividades. Simples.

Diferencial na região

BNB é principal instituição financeira com sede na região / BNB/Divulgação


A semana foi marcada pela mudança no comando do Banco do Nordeste, a mais importante instituição financeira sediada na região – mais precisamente, em Fortaleza. Para dizer pouco, somente no primeiro semestre de 2020, foram mais de R$ 20 bilhões em investimentos. Que siga assim, sendo diferencial desenvolvimentista em uma das regiões mais pobres do País.

Em defesa da instituição
O BNB é uma das jóias da coroa do Governo Federal no Nordeste. Por isso, para a instituição voltam-se muitos olhares. Entretanto, independentemente de pontuais barulhos, o banco deve ser defendido, pela história e seriedade, como fez o deputado federal Danilo Forte (PSDB), em pronunciamentos na Câmara dos Deputados, para quem “resultados não têm ideologia”. Correto.

Quem vai unir PT-PDT no Ceará?

Manter a aliança é um dos principais desafios dos governistas / Reprodução


Quando quase tudo parecia encaminhado – o candidato governista sairia do PDT e Camilo Santana (PT) disputaria o Senado – eis que foi retomado com força o debate interno no PT sobre candidatura própria ao Governo do Estado. Por que isso pode ser um divisor em todo o tabuleiro de 2022 no Estado? Simples. Para bater o martelo sobre o candidato ao Executivo, a cúpula do grupo abrigado no Abolição terá de considerar a capacidade do ungido em manter o PT de Lula na base do PDT de Ciro Gomes. Anote: quem tiver esse perfil poderá ser a cabeça de chapa do condomínio.