Quando a fala funciona como estratégia política – dos adversários

Bolsonaro mantém estilo grosseiro e agressivo com palavras / Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Expressão máxima da linguagem verbal, o ato de falar é para a política e os políticos o que o voo é para os pássaros. Mas não significa, necessariamente, sucesso de público e crítica. O ex-presidente Lula vem colecionando gafes preocupantes, para dizer pouco. Foi infeliz ao comentar o aborto, teve de se desculpar a policiais, provocou desconfiança ao prometer desfazer a reforma trabalhista e perdeu uma boa chance ao comentar a guerra na Ucrânia.

Principal adversário de Lula, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), é um caso a ser estudado. Grosseiro com as palavras, tem a agressão e a ofensa como esportes favoritos – e parece não só gostar de praticá-los, como o faz sem aparente esforço. Isso vale para inúmeras situações do dia a dia e para a condição de mandatário da nação.

Já o pedetista Ciro Gomes, conhecido pelo ímpeto verbal, falou o que não devia em recente evento público, em São Paulo. Provocado, não se conteve e usou palavras de baixo calão; no Ceará, atacou o PT que, mesmo sendo adversário figadal em nível nacional, é o principal aliado do seu PDT no Estado.

Além de revelar a essência de cada um dos presidenciáveis, as falas acima estão e serão usadas contra os próprios. Lula, Bolsonaro e Ciro têm, muito por baixo, três décadas de política. Devem conhecer inúmeros personagens que morreram pela boca. Atualmente, o efeito é muito mais fulminante, dada a rapidez e alcance do que é dito.

A leitura de Eunício Oliveira

Presidente do MDB-CE é pré-candidato a deputado federal / Jonas Pereira/Agência Senado


As cúpulas nacionais dos partidos mais relevantes do País elegeram como prioridade a formação de bancadas parlamentares fortes. Cada um a seu modo, está trabalhando, nacional e regionalmente, para enviar ou devolver à Brasília o maior número possível de deputados federais. Uma dessas siglas é o MDB. Isso explica a posição do pré-candidato à Câmara dos Deputados, Eunício Oliveira (MDB-CE), contrário à pré-candidatura a presidente de Simone Tebet (MS). “Vamos colocar o dinheiro do fundo eleitoral (R$ 417 milhões) para ter 0,5% dos votos, uma candidatura que não tem viabilidade? Vai acabar com a bancada do MDB, virar um nanico”, disse, ao Estadão, o presidente do partido no Ceará. Um dos políticos cearenses mais experientes em atividade no Estado, o ex-presidente do Congresso Nacional faz a leitura correta do jogo.

Danilo Forte tem audiência

Deputado federal é presidente da Frente Parlamentar de Energias Renováveis / Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados


O deputado federal Danilo Forte (União Brasil-CE) marcou mais um ponto na luta contra o impactante reajuste na conta de luz da Enel: requerimento de sua autoria foi aprovado na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, para audiência pública, em Brasília, com a distribuidora e a Aneel. Na lista de convidados estão os presidentes das federações cearenses de Agricultura e Pecuária, Amílcar Silveira, e das Indústrias, Ricardo Cavalcante. Dia 12, 13h.

O cálculo de AJ Albuquerque

Deputado federal é presidente do Partido Liberal no Ceará / leia Viana / Câmara dos Deputados


O presidente do Partido Progressistas (PP) no Ceará, deputado federal AJ Albuquerque, faz os cálculos e acredita que deverá renovar o mandato em outubro. Isso, se forem mantidas as previsões de voto de aliados. Trabalhando discretamente, o parlamentar montou uma rede de apoio de líderes no Interior do Estado, dentro das 23 pré-candidaturas à Câmara Federal.

A corrida contra o tempo da terceira via

Pedetista admite disposição de conversar com outras forças políticas / Mário Miranda/Amcham/Divulgação

O pré-candidato pelo PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirma ter disposição política para sentar com outras forças da faixa central do espectro político nacional. A saber, União Brasil de Luciano Bivar, MDB de Simone Tebet, PSDB de João Doria e PSD de Gilberto Kassab. Essa pode ser, até aqui, a melhor janela para a terceira via. Há uma corrida contra o tempo. Estamos caminhando para a reta final de abril. De hoje a mais ou menos 100 dias começará o período de convenções partidárias. Tudo peneirado, temos duas pré-candidaturas competitivas postas – o ex-presidente Lula (PT), na centro-esquerda, e o atual mandatário, Bolsonaro (PL), na direita-extrema direita.

O largo corredor entre essas faixas abriga uma fauna de pré-candidatos, cada um se movimentando para ser ungido pelos demais. Considerando a margem de erro no discreto sobe-e-desce de cada um, ninguém saiu do lugar. A rigor, o mais visível, na média geral dos últimos índices de intenção de voto, foi o fôlego que o presidente tomou e a patinada que o ex-presidente vem sofrendo.

Na cotação do dia, os dois estão mais do que consolidados no segundo turno. Até porque não desceram do palanque nos últimos três anos.
O processo da política é diferente da linha temporal e convencional do calendário eleitoral. Enquanto este define datas, regras e, na medida do possível, tenta deixar a disputa menos desigual, aquela constrói personagens, narrativas, acordos e outros elementos que, no conjunto, definem candidaturas, coligações e palanques. Mas o tempo passa para ambos.

Falta espírito público
O União Brasil vai para estas eleições com muito dinheiro e tempo de rádio e TV; o MDB continua um dos partidos mais capilarizados do País; o PSDB tem, em seus quadros, alguns dos mais competentes gestores nacionais; o PSD tem traquejo e pragmatismo político como poucos; o PDT tem Ciro Gomes, reconhecido analista dos problemas brasileiros. É o único pré-candidato, incluindo Lula e Bolsonaro, que dispõe de um plano de governo desenvolvimentista. Tudo isso e mais potenciais cerca de 40% das intenções de voto, que não votariam nem no ex-presidente petista nem no atual liberal de jeito nenhum. O que está faltando, então? Simples. O que mais falta na política tupiniquim: grandeza e espírito público, para colocarem o futuro da nação acima de projetos políticos de grupo.

Turismo na era da experiência

Haverá degustação e curiosidades sobre uma das bebidas mais populares do Brasil / Divulgação

O turismo de experiência aportou em Fortaleza. Nesta quarta-feira (20), às 17h30min, será lançada a Rota da Cachaça, para explorar melhor os sentidos, tanto para quem já conhece a Cidade quanto para quem está visitando pela primeira vez.

Iniciativa da Secretaria Municipal do Turismo (Setfor), o atrativo também diz respeito à comunidade, já que movimentará a economia local.

A rota oferece a turistas e moradores experiências variadas com cachaça, desde a degustação harmonizada com petiscos regionais até curiosidades sobre a história de uma das bebidas mais populares do Brasil.

Cinco estabelecimentos em Fortaleza compõem a rota: Arupemba, Embaixada da Cachaça, Cantinho do Frango, Giz Cozinha Boêmia e Raimundo do Queijo.

A ideia é incentivar o turista a se aprofundar na região e conhecer um pouco mais da realidade dos moradores, da cultura e dos costumes locais.

O formato vai além da visita aos cartões-postais da cidade e aos tradicionais city tours.

História
No Brasil, o turismo de experiência começou no Rio Grande do Sul, em 2006. O objetivo era divulgar a região da uva e do vinho e demonstrar os diferenciais do destino.

O projeto fez sucesso com os visitantes e se expandiu para outros locais do país.

No Exterior, por exemplo, é possível colher azeitonas em Portugal ou na Itália, frequentar rotas gastronônicas em Paris ou mesmo fazer curso na área com chefs franceses.

Storytelling: candidato “gente como a gente”

Contar boas histórias em campanhas pode fazer a diferença / Reprodução

Queiramos ou não, campanhas eleitorais são baseadas na emoção, embora elaboradas em laboratórios, com planejamento, testes e técnicas, sob os auspícios de especialistas. Ou seja, no final das contas, com as exceções de praxe, buscar voto é algo racional. E, basicamente, isso se dá em cima de dois pontos: bandeiras e pessoas. A grande maioria dos candidatos se encaixa em um desses dois perfis. Mas é a forma como os personagens ou os temas são apresentados que separa a minoria vitoriosa da multidão de derrotados. Nesse ponto, uma das estratégias mais conhecidas pelos marketólogos é o storytelling, que como o próprio nome entrega, é uma história a ser contada.

E o que é vender uma boa história? Simples. É como a imagem e reputação do candidato precisam chegar ao eleitor. Muito de preferência, de forma simples, leve e humanizada. Ele ou ela vai falar de sua infância, família, que decisões importantes que teve na vida escolar e profissional e – o mais importante -, por que está entrando na vida pública – caso seja debutante. É óbvio que, nesse ponto, palavras como “vocação”, “missão” e “espírito público” – a tal empatia -, devem frequentar a fala do pretendente, em primeira pessoa, com fundo musical quase romântico e ângulos e enquadramentos igualmente emotivos. Pronto. Está preparada a receita para deixar qualquer um “gente como a gente”.

Vai disputar mandato parlamentar ou trabalhar na campanha? Anote!

Vá direto ao ponto, seja claro e fuja dos bajuladores / Divulgação

Alguns políticos buscaram este escriba, sobre aspectos gerais da linguagem a ser adotada em uma campanha eleitoral. Vamos, portanto, a alguns aspectos: 1) temas locais: embora estejamos à beira de uma campanha em que questões ideológicas nacionais devam prevalecer, o candidato competitivo deve focar nos seu objetivo principal. O resto é bobagem e perda de tempo. Portanto, reduza o peso da briga, para compensar com falas sobre temas cearenses, municipais e locais. 2) linguagem: não adianta ser, tecnicamente, perfeito, se não conseguir deixar a mensagem simples para seu público. Diminua o tecnicismo e minimize os jargões. Fale com propriedade e mostre que domina a pauta.

Vá direto ao ponto: com informação rápida, agilidade em conteúdos é diferença entre vender o peixe e embromação. Não existe assunto tão complexo que não se consiga entrar no mérito com duas ou três frases curtas. Pare de ficar rodando o quarteirão, fingindo que não viu a vaga para estacionar. De maneira geral, políticos falam demais. Diferenças: diga o que o eleitor quer ouvir, simplifique a linguagem e vá direto ao ponto. Evite mais do mesmo. É possível, mesmo em assuntos de domínio público, repisado por outros candidatos, ser original na abordagem. Sempre há um olhar ou um viés ainda não explorado. É possível estabelecer diferenças.

Mando de campo
A atividade parlamentar divide-se entre questões genéricas, onde todos metem a colher, e temas de domínio restrito, sobre os quais poucos têm a habilidade e força de trabalho para tocar o debate, encaminhar e fazer acontecer. Não dá para abraçar o mundo com as pernas. Ser “dono” de bandeiras dá mais visibilidade do que se especializar em generalidades. Polêmicas: há apelos para embates. Polarização gera audiência nas redes, mas também atrai hates e perseguição. Herói é o cara que não teve tempo de correr. Fora isso, é puro ego. Tio, fuja dos bajuladores!

Mantras e clichês
Eleição é escolha de temas e bandeiras. Por isso, junto a falas, postagens e entrevistas em geral, insira palavras e expressões-chave, que buscam sintetizar a ideia geral do que você pensa sobre o assunto em questão. Frases curtas e de efeito são as melhores, as preferidas da imprensa e do público em geral e a base para a construção da reputação pública e política.

Venda o futuro
Em tese, candidatos são eleitos para cuidar dos problemas coletivos alheios. Portanto, é delegado aos próprios o papel de apontar caminhos e soluções. Trata-se, portanto, de um líder. E ninguém conseguirá liderar se não passar a mensagem de que hoje está sendo melhor do que ontem e amanhã será melhor do que hoje. Aponte para o futuro. Venda esperança. Faça-os acreditar. Colha os frutos.

Paulo Moura será o estrategista de Bolsonaro

Profissional também conversa com lideranças do Ceará / Divulgação

O internacionalmente premiado Paulo Moura, sócio-fundador da Exata Inteligência Política, será o homem forte do marketing e comunicação do presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

A informação foi publicada na noite desta quarta-feira (12), pelo Blog do Magno Martins, especializado em bastidores do poder, em Brasília. Ao Blog do Erivaldo Carvalho, Moura confirmou o acerto.

O marquetólogo bateu o martelo em conversa com o mandatário, no Palácio da Alvorada, da qual participou o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto.

Quem é
Paulo Moura é graduado em marketing político. Tem especialização na Universidade Harvard e é professor visitante da Universidade George Washington – ambas nos Estados Unidos.

Moura atuou em países como México, França, Rússia e Itália. Ao todo, são 116 campanhas eleitorais no currículo, das quais foi vitorioso em 101. Tem prêmios internacionais na área.

Pernambucano do Recife, esteve no Ceará, em setembro de 2021, para negociações presenciais, visando à disputa eleitoral de 2022.

2022 e o planejamento estratégico das campanhas eleitorais

Na política, quem planeja tem futuro; quem não planeja tem destino / Reprodução

Cada vez mais profissionalizadas, campanhas eleitorais dependem, na mesma proporção, de planejamento, com períodos muito bem definidos, nos quais estão determinados os resultados previstos e as metas a bater. Ter ou não essa estrutura é mais ou menos a diferença entre ter futuro ou destino. Com a chegada do ano eleitoral, é hora de revisar o que já foi feito até aqui, repassar o check list do que vem nas próximas semanas e, principalmente, renovar a disposição física. Tais premissas valem, sobretudo, para a corrida a deputado federal, estadual e a majoritária da oposição. Isso porque a eleição de quem está no Executivo funciona sob outra lógica. Sabemos disso.

Na média geral entre estrategistas políticos, é pacífica a ideia de que uma campanha, com razoável potencial, assenta-se no tripé político, jurídico e comunicacional. Rapidamente: o primeiro item, por óbvio, diz respeito ao partido e suas variáveis, em termos de tamanho, capilaridade, reputação, negociações, acordos e demais nomes que entrarão na briga eleitoral. Muitos tentarão chegar lá, mas o máximo que conseguirão será amealhar votos para correligionários mais votados. O lado jurídico vai da situação formal do partido, junto à Justiça Eleitoral, aos aspectos da candidatura, propriamente, assim como a eventuais embates com adversários – dentro e fora da sigla.

O peso da comunicação
Comunicação de campanhas eleitorais é um caso à parte. Não é fácil construir, melhorar e massificar perfis políticos. Quando jovens, a maioria dos candidatos pensa que um celular à mão é o suficiente para acessar o eleitorado e converter votos. Já os experimentados costumam confiar mais no empirismo do que no profissionalismo. Em todo o caso, importa pouco se a equipe tem traquejo político e bons advogados eleitorais. Sem a retaguarda da comunicação, não chegará muito longe.