2022 será marco na vida dos partidos políticos do Brasil

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/21:

Fachada do edifício-sede do TSE / Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nas eleições municipais de 2020, chegou-se ao fim das coligações partidárias na disputa proporcional. A disputa por mandatos de vereador foi uma espécie de evento-teste do que viria depois – agora, em 2022. A regra foi ampliada para a corrida por cadeiras nas Assembleias Legislativas e Câmara dos Deputados. Para lembrar: coligações eram conchavos e acordos, absolutamente pragmáticos e artificiais, para se conquistar cadeiras parlamentares, sem que grupos políticos distintos tivessem algum tipo de afinidade sobre bandeiras ou demais pontos de conteúdos programáticos. Em meio à farra, de lá para cá criou-se a figura da federação partidária.

Foram duas mudanças radicais. Primeira, o fim da coligação em si, a que o sistema já estava acostumado. Depois, a obrigatoriedade de partidos diversos terem de passar quatro anos juntos. Tanto está impactando o mundo político que até agora, indo para março – mês da janela partidária – ainda não temos nenhum acordo firmado com a federação. Pelo contrário. Alguns embriões que pareciam adiantados, deram para trás. Conversas e especulações existem muitas, como de resto em todos os espectros políticos, por essa altura das pré-candidaturas. Mas tudo não passa, até aqui, de jogo de cena, testes públicos e balões de ensaio, muito próprio do ambiente político do momento.

Entre negociações e fundos partidário e eleitoral
Na Justiça Eleitoral, há nada menos do que 35 partidos políticos em plena atuação, com ao menos duas dezenas aguardando a homologação. E, como diria o leigo, o País não tem tanta ideologia política, para cada uma ter de ser abrigada em um agrupamento político. A rigor, sabe-se que a maioria das legendas é usada para negociações às vésperas do pleito. Antes, têm acesso ao fundo partidário. Na corrida eleitoral, têm direito ao fundo eleitoral. Mesmo que por linhas tortas, os filtros de 2022 deverão limitar a quantidade de siglas, o que, em tese, pode melhorar o ambiente.

Sinais dos tempos
Na semana passada, falamos aqui da saída da médica Mayra Pinheiro do Ministério da Saúde, do ministro Marcelo Queiroga aconselhando pais a levarem filhos para a vacinação e a pressão de Bolsonaro para conter o negacionismo. Agora, o deputado estadual André Fernandes (PL) recebe a primeira dose do imunizante, inclusive divulgando nas redes. O que não faz um ano eleitoral!

Vem muito mais por aí
A liberação de R$ 1 bilhão de emendas parlamentares na semana passada deixou muita gente de orelha em pé sobre o que vem por aí. Tudo caminha – até porque não seria inédito, inclusive neste governo, a farra orçamentária, à medida em que o ano eleitoral avança. Estima-se que a Casa Civil poderá distribuir até R$ 25 bilhões ao longo dos próximos meses. É verba federal na veia.

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