Política, gratidão e a batalha pelo centro

Em foto de arquivo, o ex-presidente Lula e o ex-ministro Ciro / Roberto Stuckert/Divulgação

Lá se foi quase meio milênio desde quando Maquiavel separou a moral da política. Grosso modo, porque sentimentos são vínculos que se rompem quando deixam de ser necessários. Por outro lado, castigo não é facilmente esquecido. Por isso mesmo, o florentino teorizou que é melhor ser temido do que amado. Digressões à parte, solidariedade e gratidão voltaram à crônica da disputa do poder, com a defesa pública do ex-presidente Lula aos irmãos Ciro e Cid Gomes (ambos do PDT). Os dois foram alvos da Polícia Federal na última quarta-feira (15). O petista não saiu em socorro à toa. Foi uma jogada de efeito retardado, com vistas a 2022.

Lula e Ciro têm um dos mais fortes históricos de tapas e beijos da política brasileira dos últimos anos. Entre atos de lealdade, traição e ataques mútuos, há recuos e avanços na atribulada relação – pessoal e política. Mas, tudo pesado e medido, na balança na régua do pragmatismo. Nesse contexto, as palavras do ex-presidente, líder das pesquisas de intenção de voto, dirigidas a um pré-candidato que se esforça para se manter de pé na disputa, devem ser vistas como uma ponte para potenciais diálogos. Nessa linha, pode-se dizer que Lula, quando pede respeito aos irmãos Ferreira Gomes, está reeditando a versão “Lulinha Paz a Amor”? Não. Esse é o Lula que busca o centro.

Um olho em Ciro e outro em Alckmin
Eis que Lula e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (ex-PSDB), estão em rota de aproximação como nunca antes na história deste País. Logo o ex-tucano, 14 anos governador de São Paulo, berço do lulopetismo, sobre o qual a centro-esquerda cresceu e apareceu para todo o Brasil. Pode ser o fim de uma era Fla-Flu na política nacional. O “nós contra eles” ganha outro sentido e orientação. As baterias, agora, estão apontadas para o bolsonarismo. Está aí mais uma demonstração de que Lula dirige-se para o centro, que reforça o porquê de ele sinalizar para Ciro.

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