Falta uma pauta à oposição

Em circunstâncias normais de temperatura e pressão, a política funciona mais ou menos assim: quem ganha a eleição governa. O vitorioso monta uma equipe e, tendo a seu dispor o orçamento, começa a elaborar projetos para obras, programas e ações. Não havendo nenhuma bomba moral, terremoto político, crise econômica ou algo semelhante que lhe tire o foco, quase tudo tende a fluir. Daí, só precisa de uma boa dose de engenharia política, para articular vitórias no parlamento e exaltar os próprios feitos, para o que é montada uma gigantesca máquina de comunicação e propaganda. Pronto. Na média, essa é a lógica de governos, em qualquer lugar ou tempo.

Enquanto isso, a oposição tenta furar os bloqueios, ora buscando eventuais erros do governo, a partir de onde poderá ter visibilidade pública, ora falando aos aflitos ou insatisfeitos com os rumos da gestão e questão. A questão é que quase todos os oposicionistas avaliam que ser oposição é somente o já manjado jogo de teto de vidro e estilingue. Criticar, cobrar e denunciar são papéis da oposição. Mas precisa de muito mais. Ir além. Sem debates claros de bandeiras e, principalmente, propostas concretas que se contraponham ao que está em curso nos governos, a oposição pode até se mexer, durante quatro longos anos, mas não vai sair do lugar. Vai seguir na oposição.

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