Os movimentos articulados – e perigosos – de Jair Bolsonaro

Esta semana, particularmente, o presidente Bolsonaro (ainda sem partido) foi aos píncaros da mistura de enfrentamento, blefe político e poder discricionário. Vejamos: no case eleições 2022, foi para cima do dirigente máximo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atacando, nominalmente, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso. No quesito testar limites, Bolsonaro não perde uma só oportunidade – pelo contrário, sempre cava uma chance aqui e ali -, de constranger o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o caso, por tabela, do ataque ao TSE/Barroso. Tanto que o presidente do STF, ministro Luiz Fux, veio a público, via nota oficial.

Nos últimos dias, o mandatário da nação reorganizou a tropa, à frente o que já está sendo chamado de “centrão fardado” e foi para cima da CPI da Covid. Ou alguém imagina que a nota da cúpula militar nacional, com tom de movimento estudantil, tentando emparedar o senador Omar Aziz, foi por acaso? No meio de tudo isso, o Datafolha diz que Bolsonaro bate mais um recorde, que já era dele, em rejeição: 51% – e contando. Não é de estranhar que o presidente siga insinuando, de forma cada vez mais acintosa – e sem provas – que as eleições do ano que vem, no atual e seguro sistema eletrônico, serão fraudadas. Não são movimentos desarticulados.

Concessão, fila indiana e passada de pano
A pior concessão é a primeira. Não seria diferente na CPI da Covid. Ao negar a prisão do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, o presidente da CPI escancarou as portas do colegiado para a fila indiana de mentirosos. A detenção do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, portanto, deu no que deu: o que seria rito jurídico, previsto no Código Penal (perjúrio) virou guerrilha política entre o Planalto e a comissão, com direito a passada de pano do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Os pactos de Evandro Leitão
Segurança alimentar, combate ao coronavírus e saneamento básico. Os três caros temas ao Ceará, liderados pelo presidente da Assembleia, Evandro Leitão, já seriam importantes por si. Mas ganham contornos ainda mais relevantes quando vêm precedidos de “pacto” – a ideia de que somente a articulação e a convergência de todos farão dar bons resultados.

Os caminhos de José Airton
Não será fácil construir uma candidatura própria do PT no Ceará. O hoje disposto deputado José Airton terá de convencer as cúpulas nacional e estadual do partido. Em seguida, viabilizar uma aliança partidária consistente. Depois, apresentar um projeto à altura da disputa. Por fim, mostrar-se viável, eleitoralmente. Não será fácil. Mas não será impossível.

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