A trama surreal que salvou a CPI

No início, de antemão, estava dado o potencial enredo da CPI da Covid, no Senado: negacionismo, tratamento precoce e “gabinete paralelo” do governo Bolsonaro. Eram elementos politicamente fortes para o embate das urnas de 2022: uma suposta ação orquestrada, que teria causado a morte de centenas de milhares de brasileiros. Mas, insuficientes para levar o presidente e seus seguidores ao banco dos réus, com elementos consistentes, amarrados a provas e, principalmente, albergados na tipificação dos supostos crimes cometidos. Um lado, o Palácio do Planalto, estava confiante de que escaparia. O outro, a CPI, andava meio perdido sobre que rumo tomar.

Mas aí veio, como desdobramento quase natural, o capítulo sobre a aquisição das vacinas. Um fio solto aqui e outro ali foram sendo juntados, até que se vislumbrou a meada. Em outras palavras, o caminho do dinheiro, um clássico na mistura de política com negócios, foi sendo desvendado. Hoje, na quase reta final da CPI, há muitos indícios de que o submundo de Brasília não fugiu à regra que a tornou famosa e operou, fortemente, na penumbra. Trazendo à luz engrenagens, conexões e personagens surreais, a trama surreal de interesses comerciais bilionários no entorno da compra de imunizantes pode ter colocado o governo no corredor da morte e salvado a CPI.

“Distritão” parece simples, mas é cruel
Está quase na porta do plenário da Câmara o novo formato de eleição proporcional no Brasil – vereador e deputados estadual/federal – que poderá ser adotado em 2022: se passar, vai entrar quem obtiver mais votos. Ou seja, pega-se a votação de todos os candidatos, faz-se a lista e corta-se no número de vagas do respectivo parlamento. É o chamado “distritão”. Hoje, além disso, entra o voto dado ao partido, que ajuda a definir a quantas cadeiras cada sigla terá direito. Aparentemente simples, o modelo em discussão é desigual e cruel – particularmente com as minorias.

Desgaste, impeachment e urnas
Particularmente por conta do bombardeio diuturno, 24/7, da CPI da Covid, o governo Bolsonaro está desgastado. A constatação anima segmentos que vão às ruas pedir o impeachment do mandatário. Mas não há clima para tanto. Nem na Câmara dos Deputados nem no STF. Na cotação do dia, muito indica que a questão será resolvida mesmo no encontro marcado com as urnas.

Direitos humanos como parâmetro
Um bom parâmetro para se avaliar um governo é seu olhar sobre os direitos humanos que, conceitualmente, sintetizam os demais – da defesa da vida à dignidade. Nesse quesito, o governo Bolsonaro vai mal, muito mal. A rigor, patrocina retrocessos. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional do segmento da OAB nacional, advogado Hélio Leitão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *