Algumas dificuldades para as oposições no Ceará em 2022

A regra é básica: a estratégia de qualquer grupo que objetiva chegar ao poder, no jogo democrático, sempre parte do princípio de que o presente está ruim e que a virada de chave, com alternância, será a redenção dos problemas. Eis o primeiro grande obstáculo às forças que se organizam mirando no Palácio da Abolição, no ano que vem. Muito bem reeleito, o governador Camilo Santana (PT) é igualmente aprovado. Além disso, tem a máquina na mão, prefeitos em fila indiana em apoio eleitoral e está inserido no maior consórcio partidário dos últimos tempos em atuação no Estado. Todo planejamento parte de diagnósticos precisos, mesmo que duros e ingratos. Fica a dica.

O segundo grande gargalo da oposição no Ceará chama-se alinhamento nacional. Quais palanques estenderão tapete para o presidente Bolsonaro (ainda sem partido), provável candidato à reeleição? A resposta não é simples, já que há muitas variáveis: quais os impactos políticos das narrativas anti bolsonaristas no contexto local? A economia levanta voo até o período eleitoral? Quais os desdobramentos da CPI da Covid? Em que palanques locais subirão os que, atualmente, fazem festa política com verbas liberadas em Brasília? Enfim, no conjunto da obra, qual será a avaliação geral do presidente? Haverá mais ônus ou bônus para o “candidato do Bolsonaro”?

Improbidade administrativa e Lava jato
Conforme projetamos aqui, no início desta semana, a Câmara dos Deputados, aproveitando os holofotes na CPI da Covid, no Senado, aprovou, a toque de caixa, uma nova redação para trechos importantíssimos da Lei de Improbidade Administrativa. Tipificação do crime, prazos e uma série de outros parâmetros legais foram desvirtuados, com o fito de passar pano para os chegados ao erário. Visto num contexto mais amplo, a marmota legislativa vem na sequência de uma mega operação política e jurídica que desmontou a Operação Lava Jato.

Queiroga usa vaselina do mesmo lote
Ao justificar a chegada da médica Rosana Leite de Melo à Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, requentou a tal “harmonização” no enfrentamento à pandemia. É uma vaselina do mesmo lote distribuída aos senadores da CPI da Covid. Não admira a nomeação da especialista acontecer 500 mil mortes depois.

Com quantos tuítes se faz um vereador
Vereador de Fortaleza correu ao Twitter para dar a lista de senadores que votaram contra a convocação de Carlos Gabas para a CPI da Covid. O depoimento, rejeitado, poderia respingar em governadores, via Consórcio Nordeste. Pergunta-se: quando o mesmo vereador vai divulgar a lista dos que tentam esconder o gabinete paralelo, defende cloroquina e boicotou vacinas?

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