De protagonistas a coadjuvantes: por que partidos perderam relevância

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/14:

A maioria tem dono, muitos estão esvaziados e alguns são cartoriais – só aparecem em tempo de eleição, para registro de candidaturas. A definição acima cabe em quase todos os partidos políticos – pequenos, médios e grandes. São 33 deles. Uns, envelhecidos pelo tempo. Outros, já nasceram velhos. Em comum têm o esvaziamento político e a pouca relevância. Tanto é assim que o prazo final para convenções partidárias desta quarta-feira (16/09) deve mostrar um cenário de disputa de prefeituras e câmaras municipais em que grandes siglas de outrora serão confirmadas em posição de coadjuvantes.

Onde e quando essa decadência começou? A resposta é multifatorial. Pode estar relacionada com a conquista do poder, seguida de acomodação. Ou o fato de não ter disposição para disputar mandatos – o que é uma grande contradição. O problema pode ser o dono, que prefere ver seu rebanho de filiados inchar, quantitativamente, sem preocupação com a qualidade de seus quadros. É uma pena, já que partidos políticos no Brasil são canais por onde, bem ou mal, escoa a democracia. As agremiações, nacionais e regionais, com as exceções de praxe, precisam ser oxigenadas e melhor conduzidas.

Mapa do poder municipal começa a mudar antes mesmo das eleições

Marcha dos Prefeitos, em Brasília, em 2019: em busca de verbas e apoio político

Levantamento da Folha de S.Paulo desta quinta/9, mostra que, entre 2017 e 2020, houve um forte movimento, em nível nacional, de prefeitos municipais, da centro-esquerda para a centro-direita.

DEM, PSD, PP, Cidadania e PSL engordaram suas fileiras, enquanto MDB, PSDB, PSB, PDT e PT sofreram desidratação.

O jornal paulista atribui a migração ao fato de o controle político do governo federal ter mudado de lado.

De pires na mão, a maioria dos chefes municipais Brasil afora teve de se render a quem hoje tem acesso a verbas, emendas e projetos.

É verdade que em algumas situações camaleônicas específicas, os anfitriões brasilienses não mudam – não importa os rumos do poder.

Berço do cirismo e governado por um petista, o Ceará é uma situação sui generis desse novo mapa do poder municipal.

Mesmo em campos opostos no Congresso Nacional, o PDT dos Ferreira Gomes atraiu novos prefeitos, enquanto o PSD de Domingos Filho dobrou o número de prefeitos.

Na outra ponta, o PSDB de Tasso Jereissati e o MDB de Eunício Oliveira sofreram as maiores baixas – situação análoga ao cenário nacional.

Toda a dinâmica, claro, tem relação direta com a disputa eleitoral que se aproxima.

Em novembro próximo, a depender do padrinho político, prefeitos e/ou candidatos podem levantar a taça ou beijar a lona.

Também é óbvio que esse é somente uma das variáveis que definirão o novo mapa político municipal.