Com sede fechada, OAB-CE segue na contramão do apoio a advogados

Sede da OAB-CE fechada causa insatisfação na categoria:

Ao contrário do que aponta o senso comum, o perfil socioeconômico do advogado mostra um profissional que, na média geral, trabalha muito e recebe aquém do que merece e precisa – com exceções, claro, de poucas “celebridades”, que justificam a regra.

O apoio à categoria, através de suas entidades representativas, torna-se, portanto, indispensável – particularmente em tempos de crises sanitária e econômica, como as que o Brasil atravessa.

No Ceará, entretanto, parece não ser esse o entendimento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Vejamos:

Praticamente todas as atividades econômicas voltaram à ativa, mas a suntuosa sede da entidade, de 7.500 m2 segue fechada, para a insatisfação generalizada entre os operadores do Direito.

Para além dos percalços profissionais causados pela pandemia, muitos desses profissionais passam por dificuldades financeiras, decorrentes da redução de capacidade econômica dos clientes, fechamento de fóruns e outros gargalos.

Ou seja, mais do que nunca, os advogados precisam de total apoio da Ordem que, no discurso, diz os apoiar, defender e proteger.

Deslumbrado com o poder, entretanto, a presidência da OAB-CE prefere focar em outras “prioridades”, a exemplo da “Festa do Rubi” remota (live) e compra de automóvel de luxo para uso do presidente.

Como analisado por este Blog no mês de junho último, a OAB-CE vive tempos tóxicos.

Não é à toa que, indignados com o descaso da atual gestão, operadores já se articulam, formando frentes de oposição, a fim de tentarem recolocar a outrora respeitada entidade a serviço da advocacia, dos advogados e da sociedade.

Tempos tóxicos na OAB-CE

Sede da entidade no Ceará: vísceras expostas

Numa espécie de reação em cadeia, o clima político polarizado da política profissional parece ter contaminado outras estruturas representativas. Uma delas, a secção Ceará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE).

Os mais recentes episódios envolvem a atual Diretoria, a Escola Superior de Advocacia (ESA) e a Caixa de Assistência ao Advogado (CAACE).

Alimentado por acordos e desacordos, o clima tóxico – antes restrito aos bastidores, vem desde a escolha dos atuais dirigentes, em novembro de 2018.

Nesta sexta-feira, o juiz João Luiz de Nogueira Matias determinou que o atual presidente, Erinaldo Dantas, regularize os repasses mensais à CAACE, além do pagamento de R$ 574 mil atrasados.

A decisão veio um dia após o Conselho Superior da OAB-CE, presidido por Erinaldo Dantas, liderar sessão extraordinária que destituiu o presidente da ESA, Andrei Aguiar, e os diretores Anderson Feitosa, Katianne Wirna e Paulo Franco.

Opositores da atual gestão alegam que as destituições iriam contra o Regimento Interno da OAB-CE, segundo os quais os mandatos se encerrariam em 2021.

Medir forças nos tribunais, em nome de terceiros, faz parte da atividade dos operadores de direito.

Mas o embate intestino na Ordem, em vez de reunir os interesses comuns da categoria, expõe as vísceras de uma entidade, numa flagrante falta de equilíbrio e exemplo para a sociedade, nesses tempos difíceis.