Comentários sobre política e Natal


Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/24:

Brasil é um dos países de maior concentração de renda do mundo / Wilson Dias/Agência Brasil

De forma quase automática, política é, invariavelmente, associada a propósitos pouco nobres. De fato, não raramente é muito pesado o clima no ambiente do jogo do poder. Brinco, às vezes, que quem trabalha na área – e não é político -, deveria receber adicional por insalubridade. Entretanto, neste Natal, dado que os espíritos costumam ficar elevados, proponho olhar para a área com outros olhos. Política é convergência, aceitação das diferenças, arte do diálogo e uma infinidade de outras definições nessa linha. O homem pré-histórico só conseguiu evoluir para a civilização porque dividiu tarefas. Para isso, lançou mão da política. É impossível imaginar o mundo sem isso.

Voltando ao Natal. Milhões e milhões de pessoas hoje, ao redor do mundo, estão de roupa nova, diante de mesas fartas e rodeadas de parentes e amigos, ouvindo músicas alegres. Outros tantos ou mais seguirão maltrapilhos, com o estômago doendo de fome, sozinhos e em silêncio. Longe das cercanias da riqueza, alguns se perguntarão se Deus existe – e, se existe, porque não o enxergam. Cada um tem meia dúzia de explicações ou teorias para essa vergonhosa divisão do mundo – particularmente no Brasil, um país de renda ultraconcentrada. Todas as assertivas têm um tronco em comum: o mau uso da política, que gera noites de Natal desiguais como a de hoje.

Jesus de Nazaré
Muito já foi dito sobre o homem histórico Jesus, o Cristo. Rebelde, o nazareno desafiou autoridades terrenas, pregou revoluções, construiu sólida liderança e expandiu conceitos de causas coletivas. Era convincente ao falar e dava provas de prestígio. Quase todos conhecem o final dessa história. Num tempo de sangrentas brigas pelo poder, Jesus atraiu inimigos poderosos, foi traído, julgado e morto. Pela contagem oficial, isso se deu há exatos 2021 anos. Mas permanece atual, mostrando como a política, quando incompreendida ou mal exercida, comete injustiças comoventes.

Bons velhinhos
A política constrói coisas belas, como mostram os grandes feitos da humanidade e pequenas iniciativas de comunidades locais. Muitos homens e mulheres públicos, sensíveis à dor alheia, atuam para construir inclusão e dignidade humanas, além de deixar, como legados, exemplos de esperança e fé. Se feita com “P” maiúsculo, o jogo do poder pode produzir bons velhinhos.

Missa do Galo
Há uma significativa parcela de personagens adeptos do quanto pior, melhor: os próprios maus políticos. Com o afastamento de homens públicos honrados, acabam por se saciar às tetas do poder. Estes, podem até sentar na primeira fila na Missa do Galo, nesta noite de Natal, mas não aprenderam nada das lições que Jesus Cristo, o aniversariante do dia, ensinou a quantos quisessem ouvir.