CPI da Covid no Senado vai dividir atenção com licenciamento ambiental na Câmara

Novo marco será votado na próxima semana / MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Com todos os holofotes nacionais – e até internacionais -, direcionados para a CPI da Covid no Senado Federal, a Câmara dos Deputados vem sendo ofuscada no noticiário, uma vez que saiu do centro do debate político nacional. Mas isso deve mudar esta semana. Segundo consta na pauta definida pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), deverá ser votado o novo licenciamento ambiental do País. A ideia é estabelecer normas gerais para empreendimentos ou atividades que use recursos ambientais e possa, efetiva ou potencialmente, sob quaisquer formas, poluir ou causar degradação do meio ambiente. Eis o tamanho da polêmica e potencial de embates.

Por outro lado, embora também importantes, os depoimentos marcados para esta semana na CPI passam longe do peso de ex-ministros e do atual titular da pasta da Saúde, sobre mandos e desmandos no manejo da pandemia de covid-19 que colaboraram para a mortandade humana que se verifica. A não ser que o também ex-chefe da área, o general Eduardo Pazuello, a cereja do bolo, sente-se diante dos senadores nos próximos dias. A possibilidade é remota, embora seja forte a vontade de alguns parlamentares, considerando-se a desfaçatez com que o estrelado verde-oliva justificou o adiamento do depoimento. Mas tudo indica que o “Dia D” seja mesmo 19 próximo.

O reality show da vida real
Com todas as data maxima venia, CPIs funcionam no modelo reality show: no início atraem muita audiência, para a divulgação da lista de participantes, definição de regras – algumas novas -, e primeiras atrações. Nesse período, há, inclusive, muitas transmissões ao vivo pelos canais de televisão. A atenção se mantém por mais uma ou duas semanas. Depois, passa a sustentar-se nos pontos altos, que podem ser brigas e intrigas entre os próprios participantes, quem vai ou não para o sacrifício e, principalmente, quem será o grande vitorioso ou derrotado.

Próximos capítulos
Estão na prancheta da CPI da Covid para os próximos dias Fábio Wajngarten (ex-Comunicação), Ernesto Araújo (ex-Itamaraty) e os atuais Antonio Barra Torres (Anvisa) e Mayra Pinheiro (Gestão do ministério). Esta última, ex-filiada ao PSDB-CE e atualmente próxima do senador Eduardo Girão (Podemos), terá muito o que explicar no polêmico uso da cloroquina.

O pecado do pregador
É preceito bíblico: a quem muito foi dado, muito será pedido. Foi assim com o então ex-juiz Sérgio Moro, que tomou partido nas decisões judiciais, e o governador cassado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ímprobo. Bem vindo à lista Marcelo Queiroga, que antes de ser ministro da Saúde, é médico, sob cujo juramento comprometeu-se a defender a vida, de forma ética.

Polêmico, projeto imobiliário na Sabiaguaba é uma bomba política

O empreendimento prevê 500 mil metros quadrados de ocupação, o equivalente a 3% da reserva

Os prédios que estão sendo licenciados pela BLD Desenvolvimento na região da Sabiaguaba não têm aval da Prefeitura de Fortaleza, conforme enfatizou o prefeito Roberto Cláudio, em nota divulgada nas redes sociais neste final de semana.

Também via comunicado oficial, a empresa diz que o empreendimento não fica na área de dunas.

O Ministério Público Estadual (MPCE) entrou no caso. A polêmica está no ar.

O chamado Conselho Gestor da Sabiaguaba, que aprovou a demarcação do loteamento, na última quarta/8, é formado por 20 membros – autoridades ambientais da Capital e do Estado, inclusive -, e representantes da sociedade civil.

Foram 14 votos a favor, dois contra, uma abstenção e três ausências.

Intrincado pela legislação ambiental, o assunto é um cipoal de detalhes técnicos. Mas num ponto já está mais claro do que a luz do Sol refletida nos montes de areia branca da região: é uma bomba política.

A temperatura nas redes sociais subiu, como deverá acontecer em parte da Cidade, caso, na opinião dos que discordam do megaempreendimento, os prédios sejam erguidos.

A oposição conhecida e tantos outros que têm o, digamos, senso de oportunidade, já fazem muito barulho no meio ambiente online.

O rebuliço não chega a ser novidade, num momento pré-eleitoral, tendo como pano de fundo o suposto avanço da iniciativa privada sobre um dos santuários naturais de Fortaleza.

Em dimensão maior ou menor, a sucessão do prefeito Roberto Cláudio passará pelo debate em torno do bolsonarismo e suas trombetas de fogo e desmatamento da Amazônia.

Há, evidentemente, muita distância no mérito.

Mas essas diferenças – de escala, inclusive -, informações distorcidas e/ou pela metade, costumam virar um mero detalhe na narrativa de quem quer impor sua verdade.

Isso serve para todos os lados.