O mundo das big techs

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/6:

Redes sociais detêm maior fluxo de informações do planeta / Divulgação

Além do WhatsApp e Instagram, o conglomerado encabeçado pelo Facebook inclui a Beat Games (realidade virtual), Diem (criptomoeda) e Onavo (análise de fluxo online), entre muitas outras estruturas. Simulações apontam que o público planetário circulante nestas plataformas supera os quase 8 bilhões de terráqueos. E que a quantidade de informações – pessoais, corporativas e institucionais – captadas, nem sempre, de forma clara – e armazenadas em seus servidores supera o volume de dados atualmente em poder do seleto clube da espionagem mundial.

Estamos falando de CIA e NSA (Estados Unidos), FSB (antiga KGB, Rússia), MSS (China), Stasi (Alemanha), Mossad (Israel), MI5 e MI6 (Reino Unido) e DPSD (França). A maioria destas nações também figura na lista dos maiores PIBs mundiais, compõe o clube nuclear e tem assento no Conselho de Segurança da ONU. Ou seja, trata-se de quem dá as cartas ao redor do mundo, decidindo sobre guerras, vidas e comportamentos.

Pelo menos era assim há até duas décadas, quando as atuais big techs – além do Face, o top five inclui Microsoft, Amazon, Apple e Google -, ainda eram linhas indecifráveis de programação de computador, que desafiavam sonhos de adolescentes com espinha em dormitórios de Harvard.

No limite, a democracia está em jogo
Entre necessidade e vício, o mundo travou, na última segunda-feira (4), com o apagão tecnológico do Facebook e subsidiárias. A pane global foi proporcional à importância com que cada um sentiu a ausência das redes e mensageiro, em praticamente todos os quadrantes do cotidiano. Monopólios, de forma generalizada, são sempre temerosos. Em se tratando de comunicação e informação, passam a representar perigos reais à coletividade, já que podem passar a controlar, censurar ou mesmo definir a forma de pensar de milhões de pessoas. No limite, é um risco à democracia.