Eleições em Fortaleza: as estratégias dos principais candidatos à sucessão de Roberto Cláudio

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/16:

Capitão Wagner, José Sarto, Luizianne Lins, Heitor Férrer e Heitor Freire: diferentes nos perfis, semelhantes no objetivo / montagem

Com candidaturas e alianças finalizadas nesta quarta-feira (16/09), último dia para convenções partidárias, já é possível perceber as linhas gerais que nortearão as estratégias eleitorais dos principais grupos políticos que disputarão a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT). Isso porque para cada cenário, impõe-se uma leitura diferente do jogo. Eis o ponto: o desfecho das coligações e apoios surpreendeu, por um lado, e frustrou, por outro. E, assim como na guerra, perfil, armas e moral da tropa do adversário político são o que decidem as táticas no ataque e os métodos de defesa.

Forte nas redes sociais, mas com pouca força partidária e irrisório tempo no rádio e TV – resultado de negociações muito aquém do que esperava -, o candidato Capitão Wagner (Pros) deve jogar muitas de suas fichas no ambiente online. Também explorará a empatia e o carisma pessoais, desenvolvidos ao longo dos últimos anos. Do outro lado do ringue, com atributos diferentes do concorrente do Pros, o candidato José Sarto (PDT) deverá vincular-se, fortemente, aos legados da atual gestão e defesa de continuidade, e contar com depoimentos de aliados de sua robusta base de apoio.

Isolada, Luizianne vai depender muito de si

Se o desfecho não foi o idealizado por Capitão Wagner, o mesmo pode ser dito sobre Luizianne Lins. Depois de muitos impasses internos e externos, o PT vai de chapa pura em 2020 – isso não aconteceu nem em 2004, quando ela foi eleita contra tudo e todos. Resultado: a deputada federal, isolada, politicamente, vai depender muito da força dela mesma para se tornar competitiva, ao longo do processo. E ainda terá de enfrentar um fenômeno que veio à tona, nos últimos dias: o antiluiziannismo no próprio partido.

De assédio para vice a aliado do MDB

Outro que contará com a própria reputação pública nesta disputa pela Prefeitura da Capital é Heitor Férrer (SD) que, em mais de uma oportunidade, rejeitou convite para ser candidato a vice. Mas isso não seria o suficiente. Por isso, fechou apoio de Eunício Oliveira, com seu MDB – sigla com fatia expressiva de tempo no rádio e TV.

Valores familiares e alvos preferenciais

Filiado ao ex-nanico PSL – ex-partido do presidente Jair Bolsonaro -, o candidato Heitor Freire, assumidamente de direita, deve investir pesado na retórica dos valores familiares conservadores e cristãos. Na artilharia do deputado federal também deverão estar ataques a dois de seus alvos preferenciais: cirismo e petismo.

Os impactos do coronavírus nas eleições municipais

De forma diferente, Covid-19 afetou estratégias de governo e oposição na disputa pelo voto

As eleições municipais acontecerão em 2020. Significa que, independentemente da extensão e distensão da pandemia, todas as forças políticas terão de se ajustar à nova realidade. Mas não está fácil para ninguém.

Governo – Antes das primeiras contaminações e mortes pelo Covid-19, prefeitos já ensaiavam regimes financeiros rígidos, por força da crise econômica pré-pandemia.

Agora, com o desafio de caixa ainda maior, terão de rever para baixo muitas expectativas na entrega de resultados – obras, por exemplo -, a clássica fórmula da musculatura eleitoral.

Muitos gestores terão em seus rastros denúncias de mau uso de verbas, uma certa antipatia da população – previsível em tempos de crise -, e a tensão política nacional, que deverá ficar cada vez mais animada.

Oposição: do outro lado não é muito diferente. Independentemente do tamanho do município, as articulações de opositores não fluem como planejadas. Com o isolamento social e o deslocamento restrito, campanhas de filiação, por exemplo, foram canceladas.

O compasso de espera da oposição derrubou eventos partidários, como anúncios de alianças e, com sessões parlamentares remotas, os que estão em mandato perderam holofotes.

Em busca de alternativas, alguns opositores denunciam supostas falhas no combate à Covid-19. É um risco. Poderão tanto lograr êxito quanto serem acusados de fazer política com um olho na urna eletrônica e o outro na urna funerária.

Tudo somado e considerado, temos, em plena pandemia, um calendário eleitoral em curso, mesmo sem sabermos quando e como será a campanha, propriamente, e governos e oposições desorientadas, com mais dúvidas do que respostas.

Mas em um ponto a maioria concorda: levará a melhor nas eleições deste 2020 quem souber reelaborar suas estratégias pós-pandemia e, principalmente, executá-las a tempo.