Cinco homens, um destino e muito espaço a ser conquistado

Samuel Dias, José Sarto, Idilvan Alencar, Salmito Filho e Ferruccio Feitosa. A definição dos cinco nomes pedetistas à sucessão do prefeito Roberto Cláudio tem mais carga simbólica, para o momento, do que sentido prático. Explica-se.

A lista apresentada busca mostrar que o partido tem quadros à altura do desafio. É uma sinalização estratégica, à medida em que outras siglas, como o PT, numa eventual coligação com o PDT, poderá reivindicar para si a cabeça de chapa.

Entre experientes com mandatos e conhecedores da gestão municipal, os cinco pré-ungidos debaterão, pela internet, questões ligadas à Cidade. Será uma forma sinuosa de destacar os feitos da atual administração e de que a mesma estaria no rumo certo.

Independentemente dos assuntos tratados nos debates, a iniciativa, por si só geradora de fatos, ocupará espaço privilegiado na cobertura – on e offline.

A exposição dos nomes ligados ao Paço, mais do que necessária, é imprescindível. É só comparar com os principais nomes da oposição, que no quesito engajamento virtual deixam a maioria dos governistas na poeira.

E levante a mão quem acredita que as eleições de 2020 não passarão pelas redes sociais.

Quem ganha e quem perde com o adiamento das eleições

Coluna Erivaldo Carvalho, edição desta sexta, 3/7, do jornal O Otimista

Palácio do Bispo, no Centro da Cidade, sede oficial da Prefeitura Municipal de Fortaleza

O empurrão para frente de 42 dias que o Congresso Nacional deu no calendário eleitoral de 2020 suscita a seguinte pergunta: as novas datas, 15/11 para o 1º turno, e a 2ª votação no dia 29/11, é potencialmente vantajoso para quem? Governistas ou opositores? Dependendo do ângulo de visão, tanto num campo quanto no outro há ganhos e perdas – a estratégia de lado a lado é que vai dizer. No caso de Fortaleza, por exemplo: não há dúvidas de que pelo menos três pré-candidatos já estão em campanha. A maioria, boa de redes sociais, não perde oportunidade de bater na gestão e se vender como bom peixe para o distinto público. Claro que há outras variáveis, mas grosso modo, esse pelotão ganhou quase um mês e meio de exposição extra. Sabemos, porém, que luz demais cega. Está, constantemente, sob fortes holofotes é andar em campo minado. Qualquer vacilo pode ser fatal.

Na órbita do Paço Municipal, há cerca de meia dúzia de pré-candidatos. Pelo novo cronograma, o último dia de convenções partidárias é 16/9. Mantida a lógica do grupo governista, estamos falando de definição do nome no meio do mês de setembro. Dependendo de quem seja o ungido, será uma corrida contra o tempo. O lado bom: se até lá, a pauta da pandemia virar e houver um vistoso cronograma de inauguração de obras, o candidato da situação poderá ganhar forte musculatura eleitoral e fôlego de atleta. Numa metáfora automobilística, diríamos que o adiamento das eleições, por conta do coronavírus, é uma espécie de safety car. Com a grande diferença de que na corrida eleitoral, ultrapassagens não estão proibidas. São incógnitas que somente a campanha, propriamente, decifrará.

Fake News e Big Brother
Londres é uma das cidades mais vigiadas do mundo. Um morador lá pode ser observado, diariamente, por até 300 câmeras. A Big Brother inglesa é também um dos locais mais seguros do planeta. O raciocínio é simples: segurança versus privacidade. Aplicado às fake news, é como afirmar que redes sociais só deixarão de ser terra de ninguém se e quando houver mecanismos mínimos de monitoramento e responsabilização. A questão é: qual o limite entre controle e liberdade de expressão?

Se é Bayer, é bom
Aprovado no Senado, o projeto de lei das fake news vai agora aos deputados federais e, se passar, chegará à mesa de Jair Bolsonaro. O presidente, contudo, já declarou que a matéria não “vinga”. Ou seja, poderá vetá-la. Por linhas tortas, o Planalto acabou dando a maior força à matéria, que já mobiliza boa parte da opinião pública. Se Bolsonaro, tido e havido como beneficiário de mentiras e distorções na internet, é contra o projeto, é porque a proposta deve ser o que há de mais redentor para a nação brasileira.

Tasso, pandemia e Bolsonaro
Quem disse que Bolsonaro, mesmo negacionista, não está sendo beneficiado pela pandemia? Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), a grave situação sanitária de Covid-19 que o País atravessa é o que está poupando o presidente de um processo de impeachment. Em entrevista ao portal UOL, o tucano definiu o atual governo como “absolutamente desastroso” e pintou um cenário econômico de “recessão sem precedentes”. As três crises – sanitária, econômica e política –, disse, criaria um ambiente de caos.

De olho na própria sucessão, RC reabre canteiros de obra em Fortaleza

PMF: “maior conjunto de investimentos da história de Fortaleza” / Reprodução

Na esteira da estabilização e recuo dos indicadores da pandemia de Covid-19 na Capital, a gestão Roberto Cláudio anuncia a retomada de obras públicas no Município.

Entre as ordens de serviço, está a construção de um novo hospital Gonzaguinha do Conjunto José Walter, na Regional VI. A previsão de assinatura é dia 27 de junho.

Do outro lado da Cidade, na Regional II, será retomada a duplicação da Avenida Sargento Hermínio. Pelo cronograma traçado pela Prefeitura Municipal, a obra será concluída até o dia 31 de dezembro.

Já no Centro de Fortaleza, a Cidade da Criança passará por ampla reforma, com diversas modificações estruturais. A obra já está licitada.

Nessa primeira fase de reinício das obras, estão previstos ainda serviços de urbanização no Conjunto São Miguel, Granja Lisboa e Bom Jardim, entre outros. A gestão destaca as recomendações sanitárias que estão sendo adotadas.

Cauteloso quanto a gradual reabertura da economia – uma segunda onda de contaminação pelo novo coronavírus forçaria a um recuo -, Roberto Cláudio vai, assim, retomando o Mais Ação.

Bilionário e autodenominado “novo e maior conjunto de investimentos da história de Fortaleza”, o programa espalhou centenas de obas públicas municipais – pequenas, médias e grandes -, por toda a Cidade.

Além das obras em si, que poderão ser capitalizadas, politicamente, a reabertura dos canteiros de obra por Roberto Cláudio injetará dinheiro na economia local.

Até antes da pandemia, o Mais Ação era a principal aposta do Paço para alavancar o candidato que tentará suceder o atual prefeito.

É mais uma vantagem competitiva do palanque governista, que poderá minimizar o mau humor do eleitorado em situações de pandemia e crise econômica, pelas quais passam o País, o Ceará e a própria Capital.