Sob holofotes, Élcio enfatiza ser elo entre PMF e Governo do Estado

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/16:

88Candidato a vice-prefeito de Fortaleza atuou nas gestões Roberto Cláudio e Camilo Santana

Escalado para ser coadjuvante na campanha do candidato a prefeito José Sarto (PDT), o nome a vice, Élcio Batista (PSB) foi empurrado para os holofotes, por força da quarentena imposta ao titular, que se recupera da covid-19. É difícil medir e pesar o bônus e o ônus de uma situação tão atípica. Mas dá para perceber que a exposição do sociólogo à intensa agenda da corrida eleitoral em Fortaleza tem mais acertos do que erros. Particularmente, quando é explorado o óbvio, muitas vezes esquecido: o histórico de atuação de Élcio, tanto na gestão Roberto Cláudio (PDT) quanto na administração Camilo Santana (PT).

Foi o que aconteceu na propaganda de TV da coligação governista. Élcio enfatizou a soma de forças entre Prefeitura e Estado para gerar parcerias. O que mais pesou, politicamente, no entanto, foi o fato, lembrado pelo candidato a vice-prefeito, de ele ter sido secretário de juventude da gestão municipal e chefe de Gabinete e da Casa Civil do governo Camilo Santana. Esse é o ponto. Num palanque eletrônico no qual o bem avaliado governador não pode subir e a participação do prefeito tem limites, Élcio representou o elo que, com Sarto fora do isolamento, talvez não fosse cogitado ou não teria tanto peso.

O que diz o Ibope/Bolsonaro sobre a sucessão de RC

Presidente em três tempos: reprovado, sob abalos e aprovado

Diz muito. Para mais ou para menos.

Pelo instituto, Bolsonaro tem 29% de regular e outros 29% de ruim/péssimo. Onze pontos acima (40%) está a faixa de quem o considera ótimo/bom.

Abstraindo-se a raia dos regulares – por serem regulares -, temos 40% de aprovação e 29% de desaprovação.

Ou seja, Bolsonaro, na cotação do dia, oferece mais bônus do que ônus no compadrio político.

Em dezembro do ano passado, o mesmo Ibope cravava que Bolsonaro, prestes a completar um ano de governo, amargava 53% de desaprovação.

Em abril deste ano, no pico da pandemia de Covid-19 e antes da implantação do auxílio emergencial, o Datafolha registrava que o governo estava sofrendo abalos.

Diante dos números mais recentes do Ibope e às vésperas do início da campanha eleitoral no rádio, TV e internet, candidatos a prefeito de Fortaleza têm muito o que recalcular e revalidar em suas estratégias eleitorais.

Os que orbitam em torno do bolsonarismo – os raiz, nutella ou seletivos -, já podem pedir um abraço, áudio ou vídeo ao maior cabo eleitoral nacional para usarem nas eleições de novembro.

Já os que viam no antibolsonarismo o passaporte para ser o próximo inquilino no Palácio do Bispo, a partir de janeiro de 2021, é bom ir reservando espaço na agenda para refazer – no mínimo, ajustar -, suas táticas políticas.

Conforme antecipado pelo Blog do Erivaldo Carvalho, em 15 de agosto último, os antibolsonaristas profissionais devem, na dúvida, encomendar mais café, contratar mais especialistas e colocar mais cadeiras na sala.

Motivos para intermináveis reuniões não vão faltar.

Como o batismo das coligações ajuda a definir as estratégias eleitorais

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/23:

Os dois palanques mais competitivos: “Uma Fortaleza de Todos” versus “Fortaleza Cada Vez Melhor”

No Brasil, planos de governo dos candidatos a cargos majoritários (prefeito, governador e presidente) têm dois objetivos: cumprir a exigência cartorial da Justiça Eleitoral e servir como peça de marketing para a campanha. São, no máximo, intenções protocolares. Tanto que nenhum gestor até hoje foi punido por não cumprir o que prometeu em papel carimbado. Voltaremos a este rico ponto em outra edição. Por ora, vale a deixa de que é no registro das plataformas administrativas que se conhece o batismo da coligação. Uma espécie de ideia-síntese, de onde sairão as estratégias de comunicação com o grande público.

Candidato da situação, José Sarto (PDT) lidera a coligação “Fortaleza Cada Vez Melhor”. A mensagem política é muito clara: com o pedetista no Paço Municipal, a partir de janeiro de 2021, o conjunto de parâmetros e avanços da atual gestão, vistos por seus defensores, será ampliado. Para o principal nome da oposição, Capitão Wagner (Pros), não é bem assim. Encabeçando a coligação “Uma Fortaleza de Todos”, o candidato do Pros terá como linha mestra da plataforma o combate à desigualdade socioeconômica da Capital que, na avaliação de seus aliados, será a prioridade numa eventual gestão Wagner.

Da “Ordem” de Freire à “Luta” de Roseno

Correndo em raias diametralmente opostas, as coligações puxadas por Heitor Freire (PSL-PRTB) e Renato Roseno (Psol-PCB) reforçam a ideia de que o batismo da coligação diz muito dos motes que as candidaturas pretendem explorar durante a campanha. À direita, o candidato do PSL, da “Coligação Fortaleza Livre”, aposta no tripé “Ordem, Amor e Progresso”. Já o combativo esquerdista do Psol, da aliança “Organizar a Luta e a Esperança” vai do debate sobre política à ressignificação dos espaços da Cidade.

Eleições em Fortaleza: as estratégias dos principais candidatos à sucessão de Roberto Cláudio

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta quarta/16:

Capitão Wagner, José Sarto, Luizianne Lins, Heitor Férrer e Heitor Freire: diferentes nos perfis, semelhantes no objetivo / montagem

Com candidaturas e alianças finalizadas nesta quarta-feira (16/09), último dia para convenções partidárias, já é possível perceber as linhas gerais que nortearão as estratégias eleitorais dos principais grupos políticos que disputarão a sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT). Isso porque para cada cenário, impõe-se uma leitura diferente do jogo. Eis o ponto: o desfecho das coligações e apoios surpreendeu, por um lado, e frustrou, por outro. E, assim como na guerra, perfil, armas e moral da tropa do adversário político são o que decidem as táticas no ataque e os métodos de defesa.

Forte nas redes sociais, mas com pouca força partidária e irrisório tempo no rádio e TV – resultado de negociações muito aquém do que esperava -, o candidato Capitão Wagner (Pros) deve jogar muitas de suas fichas no ambiente online. Também explorará a empatia e o carisma pessoais, desenvolvidos ao longo dos últimos anos. Do outro lado do ringue, com atributos diferentes do concorrente do Pros, o candidato José Sarto (PDT) deverá vincular-se, fortemente, aos legados da atual gestão e defesa de continuidade, e contar com depoimentos de aliados de sua robusta base de apoio.

Isolada, Luizianne vai depender muito de si

Se o desfecho não foi o idealizado por Capitão Wagner, o mesmo pode ser dito sobre Luizianne Lins. Depois de muitos impasses internos e externos, o PT vai de chapa pura em 2020 – isso não aconteceu nem em 2004, quando ela foi eleita contra tudo e todos. Resultado: a deputada federal, isolada, politicamente, vai depender muito da força dela mesma para se tornar competitiva, ao longo do processo. E ainda terá de enfrentar um fenômeno que veio à tona, nos últimos dias: o antiluiziannismo no próprio partido.

De assédio para vice a aliado do MDB

Outro que contará com a própria reputação pública nesta disputa pela Prefeitura da Capital é Heitor Férrer (SD) que, em mais de uma oportunidade, rejeitou convite para ser candidato a vice. Mas isso não seria o suficiente. Por isso, fechou apoio de Eunício Oliveira, com seu MDB – sigla com fatia expressiva de tempo no rádio e TV.

Valores familiares e alvos preferenciais

Filiado ao ex-nanico PSL – ex-partido do presidente Jair Bolsonaro -, o candidato Heitor Freire, assumidamente de direita, deve investir pesado na retórica dos valores familiares conservadores e cristãos. Na artilharia do deputado federal também deverão estar ataques a dois de seus alvos preferenciais: cirismo e petismo.

Dez variáveis da sucessão em Fortaleza

Indefinições persistem a 11 dias do encerramento do prazo para definição de candidaturas / Divulgação

Num cenário político indefinido e bagunçado tal qual o da Capital do Ceará, tudo pode acontecer – inclusive nada. Vejamos alguns pontos.

1 – O PDT lançou cinco pré-candidatos – Idilvan Alencar, José Sarto, Salmito Filho, Samuel Dias e Ferruccio Feitosa -, mas o ungido pode ser de outro partido.

2 – Sendo o candidato governista um não pedetista, entram no páreo Élcio Batista (PSB), Alexandre Pereira (Cidadania), Anízio Melo (PCdoB) e Célio Studart (PV).

3 – Sim, Célio é um pré-candidato governista. A não ser que seja considerado um aliado de segunda categoria.

4 – Capitão Wagner vai definir o nome a vice depois de conhecida a chapa governista.

5 – O nome pedetista depende, diretamente, do imbróglio com o PT de Luizianne Lins. O impasse pode definir a chapa de 2020 e impactar na sucessão do governador Camilo Santana, em 2022.

6 – Com Luizianne candidata, o cenário é de uma forma. Sem a ex-prefeita concorrendo, as perspectivas são outras. Isso vale, inclusive, para a definição do nome pedetista.

7 – Governistas e o opositor Capitão Wagner (Pros) travam um duelo nos bastidores, cada lado querendo o apoio do PSDB, que levará o DEM a tiracolo.

8 – Só para complicar um pouco mais, o PSDB, a noiva mais cobiçada destas eleições em Fortaleza, depois do PT, diz não subir no mesmo palanque do… PT.

9 – O PT tenta atrair algum nome para vice – do PCdoB de Anízio ao MDB de Eunício Oliveira, passando pelo Solidariedade de Heitor Férrer.

10 – O MDB conversa com todas as forças. Seu controlador, Eunício tem arestas com os Ferreira Gomes e o prefeito Roberto Cláudio.

Tudo isso a 11 dias do fim do prazo de convenções partidárias – que definem as chapas.

Carmelo vai explorar filão bolsonarista em Fortaleza

O pré-candidato a vereador foi conselheiro nacional da juventude do governo Bolsonaro

Contra o aborto e ideologia de gênero e a favor da escola sem partido e privatizações. Com esse perfil, o jovem Carmelo Neto (Republicanos) pretende chegar à Câmara Municipal de Fortaleza em 2020.

Estudante de Direito, Carmelo foi conselheiro nacional da juventude do governo Bolsonaro. Em Fortaleza, participou das manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Dizendo-se portador da renovação, o pré-candidato a vereador pretende explorar o filão eleitoral conservador e bolsonarista na Capital.

Cinco homens, um destino e muito espaço a ser conquistado

Samuel Dias, José Sarto, Idilvan Alencar, Salmito Filho e Ferruccio Feitosa. A definição dos cinco nomes pedetistas à sucessão do prefeito Roberto Cláudio tem mais carga simbólica, para o momento, do que sentido prático. Explica-se.

A lista apresentada busca mostrar que o partido tem quadros à altura do desafio. É uma sinalização estratégica, à medida em que outras siglas, como o PT, numa eventual coligação com o PDT, poderá reivindicar para si a cabeça de chapa.

Entre experientes com mandatos e conhecedores da gestão municipal, os cinco pré-ungidos debaterão, pela internet, questões ligadas à Cidade. Será uma forma sinuosa de destacar os feitos da atual administração e de que a mesma estaria no rumo certo.

Independentemente dos assuntos tratados nos debates, a iniciativa, por si só geradora de fatos, ocupará espaço privilegiado na cobertura – on e offline.

A exposição dos nomes ligados ao Paço, mais do que necessária, é imprescindível. É só comparar com os principais nomes da oposição, que no quesito engajamento virtual deixam a maioria dos governistas na poeira.

E levante a mão quem acredita que as eleições de 2020 não passarão pelas redes sociais.