Pandemia, corrupção, aproveitadores e a lenta fila até a cabine de votação

Eleitor deve pensar bem em como cada representante tratou a pandemia

Da Coluna Erivaldo Carvalho, no jornal O Otimista, desta quarta-feira, 24/6:

Fortemente impactada pela pandemia de Covid-19, a atual geração tem um encontro marcado com seu representante do poder público. Com o título de eleitor na mão, a maioria vai querer saber onde estava, o que fez ou deixou de fazer seu representante, quando a Cidade agonizava. Isso serve para todos. Cada um receberá o seu quinhão deste latifúndio. O noticiário nacional dá conta de que pelo menos dez estados – e centenas de municípios -, entraram na mira da Polícia Federal, polícias estaduais e órgãos de fiscalização e controle. Os desvios de dinheiro já estariam rodando a casa de R$ 1,5 bilhão. Por outro lado, estaria havendo muita politicagem, denúncias vazias e aproveitadores, que começam a montar palanques sobre pilhas de cadáveres. O fato é que a pandemia do novo coronavírus não alterou somente o calendário eleitoral de 2020. As filas de eleitores, até a cabine de votação, serão organizadas sob protocolos de distanciamento social. Seguirão, lentamente, com tempo suficiente para que cada eleitor e eleitora pense bem em quem merecerá seu voto.

Aprovado no Senado, novo calendário eleitoral sofre resistência do Centrão na Câmara

Câmara dos Deputados também votará a PEC das Eleições

Se – e somente se -, o calendário eleitoral de 2020, aprovado pelos senadores, for confirmado pelos deputados federais, prefeitos e vereadores serão eleitos nos dia 15/11 (1º turno) e 29/11 (2º).

As demais novas datas seriam as seguintes:

11/8: atuação de pré-candidatos no rádio e TV.

31/8 a 16/9: convenções partidárias.

Até 26/9: registro de candidaturas.

Após 26/9: início da propaganda, inclusive internet.

27/10: previsão de gastos.

Até 15/11: prestações de contas.

18/11: diplomação.

Ocorre que os neobolsonaristas da Câmara – portanto, negacionistas desde criancinhas da pandemia e de seus efeitos -, resiste à ideia de alteração do atual calendário.

Efeito pandemia: sem prorrogar mandatos, Congresso vota novo calendário eleitoral

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, no jornal O Otimista, desta segunda-feira, 22/6:

Câmara e Senado vão discutir calendário eleitoral nos próximos dias / Ag. Brasil

A semana que começa promete ser uma das mais importantes do calendário eleitoral de 2020. Depois de muitas especulações e desencontros, o Congresso Nacional deverá unificar várias Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e definir as novas datas do primeiro e segundo turnos de votação. Uma das possibilidades é 15 de novembro (domingo) para o primeiro round. Os domingos iniciais de dezembro caem nos dias 6 e 13. Para minimizar aglomerações nos locais de votação, é possível que o horário seja elastecido. Atualmente, acontece das 8h às 17h. Uma vez determinadas as duas principais datas, deverá haver efeito retroativo nos principais pontos do cronograma do pleito, como início e término da campanha, propriamente, período da propaganda no rádio e televisão e até mesmo das convenções partidárias.

Para se quedar à evidência de que deveria alterar o calendário eleitoral deste ano – algo histórico no País -, o Congresso Nacional orientou-se por pelo menos três parâmetros: não prorrogar os atuais mandatos de prefeitos municipais e vereadores; priorizar a saúde dos cerca de 150 milhões de eleitores, e pautar-se pelos protocolos epidemiológicos que cercam o enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Clima de sucessão

Uma vez redefinido o novo calendário eleitoral, a grande tendência será, aos poucos, o clima de sucessão eleitoral passar a dominar a cena pública, ao lado do noticiário sobre recuperação econômica. Até mesmo porque, tudo dando certo e nada dando errado, mais cedo ou mais tarde, os indicadores da pandemia recuarão. Particularmente, em Fortaleza, de onde estão saindo os melhores indicativos no Ceará. Com isso, outras etapas de flexibilização virão, apontando, lentamente, para a nova normalidade.

Obras e eleições

A gestão Roberto Cláudio (PDT) retomou, de forma gradual, dezenas de obras públicas espalhadas pela Cidade. São bons sinais. O principal deles é a convicção, por parte da gestão municipal, de que já é possível, com os cuidados necessários, o início do retorno da construção civil, um dos setores mais estratégicos e impactante para a economia. E há, claro, o efeito político positivo sobre a administração pedetista, que poderá refazer o cronograma de entregas e inaugurações, diante de um processo eleitoral que aponta no horizonte. “São atos normativos da gestão”, explica.

Saneamento universal

Está na pauta do Senado, para votação esta semana, o marco regulatório do saneamento básico. Relatado por Tasso Jereissati (PSDB-CE), o projeto de lei, originário da Câmara, tem pontos polêmicos, como prorrogação para o fim dos lixões e facilitação para privatização de estatais. Mas, a essência, conforme destaca o senador cearense, é a universalização do serviço, com modelos que podem alcançar municípios pobres e desassistidos. Se a prática se revelar exitosa como está no papel, o PL do Saneamento poderá reduzir o vexame do Brasil – uma das maiores economias do mundo, com 35 milhões de pessoas sem acesso a água tratada e metade da população sem coleta de esgoto.

Em reunião remota, Cidadania de Alexandre Pereira traça estratégias para 2020

O político e empresário é ex-secretário de Turismo de Fortaleza / Divulgação PMF

Com o calendário eleitoral de 2020 mantido – pelo menos até aqui -, e diante das restrições impostas pela pandemia de Covid-19, partidos políticos tentam se ajustar aos novos tempos, lançando mão de ferramentais online disponíveis.

É o caso do Cidadania (antigo PPS), que se reúne nesta terça, 16, de forma remota, a partir das 16h.

Presidente do partido no Ceará, Alexandre Pereira, um experiente militante, sabe que todo processo eleitoral é uma corrida contra o tempo. Principalmente em situações de indefinição – o caso deste ano -, quando tudo pode acontecer.

Ex-secretário de Turismo de Fortaleza, Alexandre Pereira deixou a gestão Roberto Cláudio, no último dia 4. Desincompatibilizou-se, de olho nas eleições deste ano. Também empresário, o político circula bem nas rodas do poder e no mundo dos negócios.

Alexandre e seu Cidadania estão no jogo de 2020. Mas ele sabe que suas chances dependem de muitas variáveis. Uma delas: o grau de organicidade, unidade interna e capilaridade do grupo político que lidera.

As conjunturas nacional e estadual, assim como questões ligadas à disputa municipal de 2020, são pontos previstos na pauta da reunião remota de logo mais.

O Cidadania de Alexandre fechou questão em torno da reeleição do prefeito Tiago Ribeiro, de Cascavel, e pretende lançar candidatura própria em alguns dos principais municípios do Estado, como Maracanaú, Juazeiro do Norte e Quixadá.

Na pauta também constará a apresentação oficial do advogado Leandro Vasques, que se filiou à legenda.

Ex-presidente do Pros, partido atualmente dirigido pelo pré-candidato a prefeito em Fortaleza, Capitão Wagner, Vasques é visto como importante reforço na musculatura do grupo de Alexandre.

“Sem dúvidas, mais um grande cearense que se junta a nós”, resume o presidente do Cidadania, sobre a nova aquisição do partido.

PT versus PT em Fortaleza

Luizianne é pré-candidata à sucessão de Roberto Cláudio / Diego Camelo/Divulgação

No Roda Viva desta segunda-feira, 8, o governador Camilo Santana, petista-cirista, defendeu uma coligação PDT-PT para a disputa da sucessão de Roberto Cláudio. “Pelo bem de Fortaleza, da democracia, seria importante uma aliança”, disse.

Mas foi o finalzinho da fala do governador, na mesma declaração, que mais chamou a atenção deste blogueiro: “Se isso ocorrerá, só o tempo dirá”, afirmou Camilo, parecendo profetizar a queda de braço que surge no horizonte.

Controlado por alas ligadas aos deputados federais Luizianne Lins e José Nobre Guimarães e outros menos vistosos, o PT da Capital segue célere, rumo à candidatura própria. A tese é apoiada pelo ex-presidente Lula, que vê no protagonismo eleitoral do PT, em capitais e maiores cidades, agora em 2020, uma espécie de ensaio geral para 2022.

Conforme dito pelo Blog do Erivaldo Carvalho, a ex-prefeita e pré-candidata Luizianne, anticirista, poderá se beneficiar da rejeição de Ciro Gomes ao lulopetismo. Agora, com a declaração de Camilo, já há sinais de que o movimento de resistência aumentará, o que consolidaria a unidade em torno do PT na cabeça de chapa.

Por óbvio, petistas graúdos defensores da aliança, que orbitam em torno do Abolição, não assistirão parados nem calados aos desdobramentos. Entre eles, Nelson Martins, ex-articulador-mor de Camilo, e Acrísio Sena, defensor de uma frente partidária ampla em Fortaleza.

Com remotas chances de recuo de ambos os lados, a tendência é termos PT contra PT em Fortaleza – por candidatura própria, aliança com o PDT ou mesmo por uma candidatura blasé.

Luizianne conhece o jogo que será jogado. Ela costuma crescer na briga. Faltava-lhe, entretanto, a figura do inimigo externo, maior e mais poderoso. Faltava. Agora, ela e seus seguidores tentarão reeditar o Davi contra Golias – a famosa aula de como vencer um gigante.

Por falar em ensinamentos, sabe-se que a história jamais se repete. Por outro lado, é totalmente inseguro dizer, a preço de hoje, que o PT subirá no palanque do PDT em Fortaleza. Como ponderou o próprio governador, ““Se isso ocorrerá, só o tempo dirá”.

Candidato governista em Fortaleza: os critérios de escolha

O Palácio do Bispo, sede da Prefeitura da Capital

Conhecida a lista de onde poderá – não, necessariamente, deverá – sair os candidatos governistas a prefeito e vice de Fortaleza, vale uma leitura mais pragmática sobre os critérios de escolha.

Para isso, recorre-se ao manual dos Ferreira Gomes, cujo histórico é muito linear em pelo menos três características: capacidade de gestão e liderança, inteligência política e potencial eleitoral.

A esse filtro triplo serão submetidos Samuel Dias, Ferrucio Feitosa, Alexandre Pereira, Élcio Batista e Nelson Martins – que deixaram as gestões municipal e estadual -, José Sarto e outros menos cotados.

Capacidade de gestão e liderança: uns mais e outros menos, os citados acima conhecem, tocam ou já tocaram a burocracia pública. Mas uma coisa é gerir uma lojinha no final do corredor. Outra é administrar um mega shopping center.

Um sucessor de Roberto Cláudio – supondo que seja um continuista -, que frustre resultados esperados da gestão abre uma fissura no projeto do grupo.

Inteligência política: aqui entra a ampla capacidade de articulação, convergência e definição de rumos, dado o tamanho do condomínio político, interesses pontuais e projetos pessoais. Isso vai muito além da máquina partidária, tempo de filiação e mandatos já exercidos.

Todos na lista têm essa visão, habilidade e sensibilidade?

Potencial eleitoral: por óbvio, não adianta o ungido passar pelos dois critérios acima sem ter competitividade e chances de sentar na cadeira de prefeito a partir do próximo 1º de janeiro.

Na lista há veteranos e novatos, com seus respectivos bônus e ônus. Isso é o de menos. O fato é que não há estratégia de campanha que resista a um candidato muito ruim de voto.

Dito isso, registre-se que o próximo prefeito de Fortaleza vai pegar uma Cidade com muitas conquistas e legados – e outros tantos gargalos. Com o agravante de uma crise econômica sem precedentes e um distante ponto de luz no fim do túnel.

Até lá, haverá muitas análises de cenário, simulações, balões de ensaio, pesquisas qualitativas, plantação de notas na imprensa e outros tipos de especulação, para finalmente, o martelo ser batido.

Cabe, ainda, registrar que a palavra final caberá aos FGs – particularmente Ciro e Cid -, com base em muitas conversas – internas e externas ao grupo -, sondagens e observações. Tudo isso em sintonia com o próprio feeling e instinto político.

Mas isso eles têm de sobra.

Os impactos do coronavírus nas eleições municipais

De forma diferente, Covid-19 afetou estratégias de governo e oposição na disputa pelo voto

As eleições municipais acontecerão em 2020. Significa que, independentemente da extensão e distensão da pandemia, todas as forças políticas terão de se ajustar à nova realidade. Mas não está fácil para ninguém.

Governo – Antes das primeiras contaminações e mortes pelo Covid-19, prefeitos já ensaiavam regimes financeiros rígidos, por força da crise econômica pré-pandemia.

Agora, com o desafio de caixa ainda maior, terão de rever para baixo muitas expectativas na entrega de resultados – obras, por exemplo -, a clássica fórmula da musculatura eleitoral.

Muitos gestores terão em seus rastros denúncias de mau uso de verbas, uma certa antipatia da população – previsível em tempos de crise -, e a tensão política nacional, que deverá ficar cada vez mais animada.

Oposição: do outro lado não é muito diferente. Independentemente do tamanho do município, as articulações de opositores não fluem como planejadas. Com o isolamento social e o deslocamento restrito, campanhas de filiação, por exemplo, foram canceladas.

O compasso de espera da oposição derrubou eventos partidários, como anúncios de alianças e, com sessões parlamentares remotas, os que estão em mandato perderam holofotes.

Em busca de alternativas, alguns opositores denunciam supostas falhas no combate à Covid-19. É um risco. Poderão tanto lograr êxito quanto serem acusados de fazer política com um olho na urna eletrônica e o outro na urna funerária.

Tudo somado e considerado, temos, em plena pandemia, um calendário eleitoral em curso, mesmo sem sabermos quando e como será a campanha, propriamente, e governos e oposições desorientadas, com mais dúvidas do que respostas.

Mas em um ponto a maioria concorda: levará a melhor nas eleições deste 2020 quem souber reelaborar suas estratégias pós-pandemia e, principalmente, executá-las a tempo.

Rejeição de Ciro Gomes ao lulopetismo pode beneficiar Luizianne Lins em Fortaleza

Ex-ministro prega aliança com PT em Fortaleza, mas rejeita aproximação com lulopetismo nacional

O cirismo disputa com o lulopetismo o protagonismo da centro-esquerda no Brasil. Foi assim em 2018 e deverá ser em 2022 – com uma eleição municipal no meio.

No jogo de xadrez que está sendo jogado, Lula acenou para Ciro, no âmbito nacional, enquanto Ciro sinalizou aliança com o PT, em Fortaleza, neste 2020.

Ao gesticular para Ciro, o lulopetismo quer ser o carro-chefe antibolsonarista em 2022, tendo Lula como estrela maior.

Já em Fortaleza, ao acenar para uma aliança com o PT, Ciro pretende galvanizar para si a simbologia de uma eventual vitória sobre o bolsonarismo em seu berço político.

Também de olho em 2022.

Em entrevista ao jornalista Mino Carta (assista aqui), poucas horas depois de defender aliança com o PT, Ciro mandou os “fanáticos do lulopetismo” para a PQP – por extenso e em bom áudio.

A centro-esquerda tem muitas histórias de derrotas para contar, sempre que o umbigo falou mais alto do que o perigo do inimigo comum.

Então, fica assim: com a reação de Ciro, a aliança nacional PT-PDT, que já era improvável, para 2022, andou algumas casinhas para trás.

Já a pré-candidatura de Luizianne Lins – anticirista -, em Fortaleza, andou algumas casinhas para frente.