Por dinheiro e propaganda em rádio e TV, Centrão aceita adiar eleição para novembro

Maia e Alcolumbre costuraram acordo

E eis que o Centrão – espécie de trincheira fisiológica do Congresso Nacional – que antes se mostrava resistente ao novo calendário eleitoral, vai apoiar as novas datas para o pleito.

Aprovado na semana passada, no Senado, o cronograma prevê eleição de prefeitos, vices e vereadores nos dias 15/11 (1º turno) e 29/11 (2º turno).

As demais novas datas seriam as seguintes:

  • 11/8: atuação de pré-candidatos no rádio e TV.
  • 31/8 a 16/9: convenções partidárias.
  • Até 26/9: registro de candidaturas.
  • Após 26/9: início da propaganda, inclusive internet.
  • 27/10: previsão de gastos.
  • Até 15/11: prestações de contas.
  • 18/11: diplomação.

No melhor (pior) estilo “criar dificuldade para vender facilidade”, os centristas receberam a promessa de (mais) dinheiro para prefeitos gastaram com a pandemia de Covid-19 – cita-se R$ 5 bilhões -, e a volta da propaganda no rádio e TV.

As articulações, afuniladas no final de semana, foram lideradas pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AM).

Bolsonarismo, Covid-19 e sucessão municipal são destaques do programa “De Olho na Política” desta semana

Nesta segunda edição, internautas participarão das discussões

Na segunda edição do programa “De Olho na Política”, os jornalistas Rogério Gomes (mediador) Cláudio Teran e Erivaldo Carvalho debaterão, nesta quinta-feira, 25, os principais assuntos no jogo do poder nacional, estadual e local.

O programa será transmitido ao vivo, no canal do Blog do Rogério Gomes, no Youtube, com início às 20h. A partir desta segunda edição, internautas poderão participar da discussão.

Serão destacados o novo calendário eleitoral de 2020, a polêmica indicação do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, para o Banco Mundial, e a possível vinda do presidente Jair Bolsonaro ao Ceará.

Em nível de Ceará, os três jornalistas discutirão a tentativa de punição ao deputado estadual bolsonarista André Fernandes. No mesmo circuito, também serão debatidos os desdobramentos do jantar político, em Fortaleza, do qual participaram os deputados federais Carla Zambelli (PSL) e Capitão Wagner (Pros) – pré-candidato a prefeito.

Os desdobramentos da pandemia do novo coronavírus segue em análise no programa “De Olho na Política”. No plano econômico, o governador Camilo Santana deverá anunciar incentivos para a classe empresarial. Por outro lado, pelo menos cinco municípios cearenses devem entrar em lockdown.

Rogério Gomes, Erivaldo Carvalho e Cláudio Teran focarão, ainda, a retomada das obras públicas pelo Município de Fortaleza e seus possíveis efeitos nesta pré-temporada da sucessão eleitoral do prefeito Roberto Cláudio (PDT).

SERVIÇO
Programa “De Olho na Política”, com os jornalistas Rogério Gomes, Erivaldo Carvalho e Cláudio Teran.
Quinta-feira, a partir das 20h
www.youtube.com/jornalistarogeriogomes

Consórcio NE e respiradores: o benefício da dúvida e o risco de politicagem

Deputado Delegado Cavalcante (PSL) é alinhado ao governo Bolsonaro / Reprodução Facebook

A conturbada relação dos governadores do Nordeste com o Palácio do Planalto já é uma marca dos atuais mandatos, e nada indica que será superada.

Pelo contrário. O mais recente embate, envolvendo a compra de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste, tem potencial para se estender ao pós-pandemia de Covid-19.

Sob intensa pressão em seus estados e correndo contra o tempo, os nove governadores desembolsaram, em abril, juntos, R$ 48 milhões para a compra dos equipamentos.

O Ceará de Camilo Santana (PT) entrou com R$ 5,4 milhões – uma cota-parte correspondente a 50 respiradores.

Até aí, tudo bem, não fosse o fato de a empresa Hemp Care nem entregar os equipamentos já pagos nem devolver o dinheiro. Chamando pelo nome certo, há forte cheiro de calote.

Há, por óbvio, o benefício da dúvida e muitas perguntas sobre como se deram as tratativas entre o Consórcio Nordeste e a Hemp Care.

Parlamentares bolsonaristas dos nove estados nordestinos já se articulam em torno do episódio. No Ceará, Delegado Cavalcante (PSL) integra o comitê interestadual.

Em Brasília, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) subscreveu ofício, enviado ao governador da Bahia, Rui Costa (PT), presidente do Consórcio Nordeste, pedindo informações sobre as ações no combate à Covid-19.

Faz-se necessário virem todos os esclarecimentos sobre o que, efetivamente, aconteceu, o mais brevemente possível, para não cairmos no risco de, mais uma vez, a politicagem se sobrepor à luta contra o novo coronavírus.

O Blog do Erivaldo Carvalho voltará ao assunto.

STF obriga Ministério da Saúde a restabelecer divulgação integral de dados sobre Covid-19

Moraes destacou obrigatoriedade de publicidade e transparência Nelson Jr./STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Ministério da Saúde restabeleça, na integralidade, a divulgação diária dos dados epidemiológicos sobre a pandemia da Covid-19, inclusive no site do órgão.

Na prática, Moraes jogou por terra a decisão da pasta, que vinha manobrando para escamotear quantitativos sobre contaminados e mortos pelo novo coronavírus.

Antes da tentativa de manipular os dados, o governo Bolsonaro já havia mudado horários de divulgação das informações, publicado números contraditórios e até mesmo admitido recontagem de mortos.

Alexandre de Moraes destacou que o status constitucional da publicidade e da transparência resulta na obrigatoriedade do Estado em fornecer as informações necessárias à sociedade.

A decisão de Moraes foi uma resposta a uma ação da Rede Sustentabilidade, PCdoB e Psol.

A dor e a queda do “feiticeiro”

Wizard sofreu, na internet, movimentos de boicote Fabiano Accorsi/Divulgação

Carlos Wizard, o “feiticeiro”, não é mais conselheiro do ministério da Saúde, onde assumiria a secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Neste final de semana, o empresário defendeu a recontagem de mortos pela Covid-19.

O agora ex-conselheiro chegou a afirmar que secretarias estaduais da saúde estariam inflacionando números de óbitos em busca de mais orçamento do governo federal.

Com fortes e imediatas reações, a situação de Wizard ficou insustentável.

O Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), por exemplo, acusou o empresário de “tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19”.

No Ceará, um dos cenários mais dramáticos na guerra contra o coronavírus, uma nota de repúdio, alinhada ao CONASS, reuniu mais de 180 médicos.

Sérgio Pessoa, da Associação Cearense de Gastroenterologia (ACG), um dos organizadores do abaixo-assinado, chamou a atenção para a falta de transparência e o obscurantismo do governo Bolsonaro.

Esse é o ponto. Em meio a uma montanha de cadáveres, o ministério da Saúde está sendo acusado de sonegar e omitir informações. Se confirmada, a prática pode caracterizar crime.

Além da gravidade em si da suposta manipulação de dados, é inadmissível que se insira no cenário já muito tenso, politicamente, a discussão entre número de mortos e repasses financeiros a estados.

Bilionário, Carlos Wizard é do tempo em que empresário só entendia de ganhar dinheiro.

Fiel a este princípio, o “feiticeiro” deixou o ministério após surgirem na internet movimentos de boicotes a marcas ligadas a ele.

Diz a máxima de que “o bolso é o órgão do corpo humano mais sensível à dor”. Wizard não é médico, mas entendeu rapidinho que a situação tinha ficado dolorosa demais para ele.

O funcionamento do Judiciário durante a pandemia

Judiciário brasileiro: atendimento com restrições/José Cruz/Agência Brasil

O Judiciário brasileiro continua em funcionamento mesmo durante o período da pandemia de covid-19. No entanto, as atividades estão sendo realizadas com restrições. O cidadão que pretende buscar a Justiça para resolver algum problema durante esse período deve ficar atento ao horário especial de funcionamento dos tribunais, da Defensoria Pública e dos cartórios de sua cidade.

O atendimento de plantão da Justiça e das defensorias em todo o país vem sendo demandado por pacientes com covid-19, que buscam garantia de internação em uma unidade de terapia intensiva (UTI) ou que procuram recorrer para receber o auxílio emergencial de R$ 600 que foi negado.

No caso dos cartórios, as pessoas têm buscado a finalização de negócios, como a compra e venda de imóveis, e a realização de casamentos que estavam marcados antes da pandemia.

Tribunais – serviços essenciais, como a distribuição de processos urgentes e o atendimento a advogados e defensores públicos, continuam em regime de plantão.

Defensoria Pública da União – regime de plantão.

Cartórios – atendendo presencialmente por integrar as atividades essenciais à população.