Orçamento Federal de 2021 mostrará tamanho do impacto da Covid-19 na economia

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/31:

Novo coronavírus teve impacto fulminante na economia do País / Fotomontagem

Termina hoje (31), o prazo para que o governo de Jair Bolsonaro envie ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2021. Na prática, o Brasil saberá o tamanho oficial do estrago que a pandemia pelo novo coronavírus causou na economia nacional. Isso porque o Executivo tem de atualizar o cenário, do qual sairão as previsões de receitas e despesas para o ano que vem. É a hora da verdade, para uma gestão que entrará em seu terceiro e penúltimo ano correndo atrás do prejuízo. A boa notícia é que a proposta já deverá trazer projeções da retomada econômica.

Também alivia o fato de os prognósticos de queda do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2020, que já chegou a romper a barreira dos 9%, hoje girar entre 5,46% (mercado financeiro) e 6,2% (Moody´s). Entretanto, independentemente de a situação está “menos pior”, o debate político, sempre pesado, em torno de orçamentos públicos, deverá seguir a regra. Com números previsivelmente negativos, Bolsonaro deverá requentar críticas a governadores e prefeitos, por bloquearem atividades econômicas durante a crise sanitária – o que provocou impacto fulminante no processo econômico.

Realidade e foco na recuperação

O Brasil já tinha previsões de crescimento econômico frustrante antes da pandemia. Em abril, quando o Executivo enviou ao Congresso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Fundo Monetário Internacional (FMI) já apontava recuo de 5,3% do PIB brasileiro em 2020. É bom lembrar, portanto, que o País entrou na pandemia já patinando e tentando se recuperar – mas veio o efeito reverso e o processo degringolou. Agora, é encarar a realidade dos números, olhar para frente e buscar a recuperação.

Bolsonaro e as relíquias da morte

A partir de agora, será divulgado número de óbitos somente das últimas 24 horas

O negacionista governo Bolsonaro anuncia o mais novo método de combate à pandemia: manipular a divulgação do número de mortos.

A partir de agora, não mais será distribuída a informação sobre o total de vítimas – somente o das últimas 24 horas – e depois do horário nobre dos telejornais.

O ministério da Saúde diz que os óbitos acumulados não refletem a realidade. Para um bom entendedor, é a senha de que os números da pandemia no País, de alarmante subnotificação, poderão ser maquiados.

Como se sabe, sequestrar e violentar informações até elas admitirem o que o torturador deseja é uma prática corrente de governos autoritários.

A mudança dos critérios – ainda obscuros -, para contagem de mortos será liderada pelo novo secretário de ciência e tecnologia do ministério, Carlos Wizard.

Em inglês, “Wizard” quer dizer “bruxo” ou “feiticeiro”.

Está explicado.

Os impactos do coronavírus nas eleições municipais

De forma diferente, Covid-19 afetou estratégias de governo e oposição na disputa pelo voto

As eleições municipais acontecerão em 2020. Significa que, independentemente da extensão e distensão da pandemia, todas as forças políticas terão de se ajustar à nova realidade. Mas não está fácil para ninguém.

Governo – Antes das primeiras contaminações e mortes pelo Covid-19, prefeitos já ensaiavam regimes financeiros rígidos, por força da crise econômica pré-pandemia.

Agora, com o desafio de caixa ainda maior, terão de rever para baixo muitas expectativas na entrega de resultados – obras, por exemplo -, a clássica fórmula da musculatura eleitoral.

Muitos gestores terão em seus rastros denúncias de mau uso de verbas, uma certa antipatia da população – previsível em tempos de crise -, e a tensão política nacional, que deverá ficar cada vez mais animada.

Oposição: do outro lado não é muito diferente. Independentemente do tamanho do município, as articulações de opositores não fluem como planejadas. Com o isolamento social e o deslocamento restrito, campanhas de filiação, por exemplo, foram canceladas.

O compasso de espera da oposição derrubou eventos partidários, como anúncios de alianças e, com sessões parlamentares remotas, os que estão em mandato perderam holofotes.

Em busca de alternativas, alguns opositores denunciam supostas falhas no combate à Covid-19. É um risco. Poderão tanto lograr êxito quanto serem acusados de fazer política com um olho na urna eletrônica e o outro na urna funerária.

Tudo somado e considerado, temos, em plena pandemia, um calendário eleitoral em curso, mesmo sem sabermos quando e como será a campanha, propriamente, e governos e oposições desorientadas, com mais dúvidas do que respostas.

Mas em um ponto a maioria concorda: levará a melhor nas eleições deste 2020 quem souber reelaborar suas estratégias pós-pandemia e, principalmente, executá-las a tempo.