Em 2018, Ciro Gomes foi vítima de acordo PT-PSB

Candidatura petista de Marília Arraes foi retirada em PE e Márcio Lacerda foi rifado em MG. No acordo, Ciro ficou sem o PSB

O anúncio do apoio de Ciro Gomes à pré-candidatura de Elmano de Freitas (PT), em Caucaia, para atrair o apoio do PT em Fortaleza, em detrimento de Luizianne Lins, remete a outras tentativas do gênero, cujos desfechos não foram os mais alvissareiros.

O exemplo mais emblemático, porque ganhou repercussão nacional na última corrida presidencial, deu-se em 2018.

Candidato ao Palácio do Planalto, o ex-ministro Ciro assistiu à uma manobra do PT e PSB nacionais, pela qual os dois partidos abriram mão de candidaturas próprias – competitivas, diga-se -, para apoiar as reeleições do petista Fernando Pimentel (MG) e do peessebista Paulo Câmara (PE).

O golpe em Ciro, porém, veio do alcance do acordo: pelo acertado, o PSB ficaria neutro na eleição presidencial, sem se coligar com nenhuma outra força. No caso, com o presidenciável pedetista.

À época, PDT e PSB nacionais estavam em avançadas conversas para selarem uma aliança, que poderia ter feito a diferença ao projeto palaciano cirista.

Resultado da opereta: Paulo Câmara foi reeleito, Pimentel rodou e o presidente da República é um criador de emas.

Como a saída do DEM e MDB do Centrão pode impactar na política do Ceará

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, edição desta quarta/29:

A anunciada saída do DEM e MDB do chamado “centrão” na Câmara dos Deputados tem potencial para impactar na correlação de forças políticas no Ceará. Isso por conta da proximidade do DEM do presidente da Casa, Rodrigo Maia, e o PDT de Ciro Gomes. As conversas entre os dois partidos, que também passam pelo presidente nacional da sigla, ACM Neto (DEM-BA), devem evoluir, com vistas a 2022. Antes disso, porém, haverá pelo menos três momentos em que a nova configuração será testada: reforma tributária, eleições municipais e sucessor de Maia – esta, somente em fevereiro de 2021.

Originalmente formado por cerca de 200 deputados federais, abrigados em nove partidos – PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, Pros e Avante -, o super bloco, agora sem a presença de dois dos mais tradicionais partidos da Casa, seguirá caminho diferente do traçado pelo presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A preço de hoje, o alagoano Arthur Lira, do PP, apoiado pelo Palácio do Planalto, é o nome para presidente da Câmara. A “bancada do Maia” deverá apresentar outro nome, com o esperado apoio dos aliados dos FGs no Ceará, a exemplo do PP de AJ Albuquerque e do PSD de Domingos Neto, entre outros.

Menos força, mais chá

O divórcio DEM/MDB-centrão causa imediato desconforto aos bolsonaristas. Haverá uma significativa perda do poder de fogo – a começar pela saída do presidente da Casa e definidor da agenda, Rodrigo Maia. Lembremos que Bolsonaro vinha tentando montar sua base a partir dessas forças de centro. Mas os ares brasilienses são dinâmicos. Alguns parlamentares têm acesso ao Executivo, independentemente do bloco a que pertencem. Só precisam de mais paciência no chá de cadeira.

Rejeição de Ciro Gomes ao lulopetismo pode beneficiar Luizianne Lins em Fortaleza

Ex-ministro prega aliança com PT em Fortaleza, mas rejeita aproximação com lulopetismo nacional

O cirismo disputa com o lulopetismo o protagonismo da centro-esquerda no Brasil. Foi assim em 2018 e deverá ser em 2022 – com uma eleição municipal no meio.

No jogo de xadrez que está sendo jogado, Lula acenou para Ciro, no âmbito nacional, enquanto Ciro sinalizou aliança com o PT, em Fortaleza, neste 2020.

Ao gesticular para Ciro, o lulopetismo quer ser o carro-chefe antibolsonarista em 2022, tendo Lula como estrela maior.

Já em Fortaleza, ao acenar para uma aliança com o PT, Ciro pretende galvanizar para si a simbologia de uma eventual vitória sobre o bolsonarismo em seu berço político.

Também de olho em 2022.

Em entrevista ao jornalista Mino Carta (assista aqui), poucas horas depois de defender aliança com o PT, Ciro mandou os “fanáticos do lulopetismo” para a PQP – por extenso e em bom áudio.

A centro-esquerda tem muitas histórias de derrotas para contar, sempre que o umbigo falou mais alto do que o perigo do inimigo comum.

Então, fica assim: com a reação de Ciro, a aliança nacional PT-PDT, que já era improvável, para 2022, andou algumas casinhas para trás.

Já a pré-candidatura de Luizianne Lins – anticirista -, em Fortaleza, andou algumas casinhas para frente.