Como a saída do DEM e MDB do Centrão pode impactar na política do Ceará

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, edição desta quarta/29:

A anunciada saída do DEM e MDB do chamado “centrão” na Câmara dos Deputados tem potencial para impactar na correlação de forças políticas no Ceará. Isso por conta da proximidade do DEM do presidente da Casa, Rodrigo Maia, e o PDT de Ciro Gomes. As conversas entre os dois partidos, que também passam pelo presidente nacional da sigla, ACM Neto (DEM-BA), devem evoluir, com vistas a 2022. Antes disso, porém, haverá pelo menos três momentos em que a nova configuração será testada: reforma tributária, eleições municipais e sucessor de Maia – esta, somente em fevereiro de 2021.

Originalmente formado por cerca de 200 deputados federais, abrigados em nove partidos – PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, Pros e Avante -, o super bloco, agora sem a presença de dois dos mais tradicionais partidos da Casa, seguirá caminho diferente do traçado pelo presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A preço de hoje, o alagoano Arthur Lira, do PP, apoiado pelo Palácio do Planalto, é o nome para presidente da Câmara. A “bancada do Maia” deverá apresentar outro nome, com o esperado apoio dos aliados dos FGs no Ceará, a exemplo do PP de AJ Albuquerque e do PSD de Domingos Neto, entre outros.

Menos força, mais chá

O divórcio DEM/MDB-centrão causa imediato desconforto aos bolsonaristas. Haverá uma significativa perda do poder de fogo – a começar pela saída do presidente da Casa e definidor da agenda, Rodrigo Maia. Lembremos que Bolsonaro vinha tentando montar sua base a partir dessas forças de centro. Mas os ares brasilienses são dinâmicos. Alguns parlamentares têm acesso ao Executivo, independentemente do bloco a que pertencem. Só precisam de mais paciência no chá de cadeira.