De protagonistas a coadjuvantes: por que partidos perderam relevância

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/14:

A maioria tem dono, muitos estão esvaziados e alguns são cartoriais – só aparecem em tempo de eleição, para registro de candidaturas. A definição acima cabe em quase todos os partidos políticos – pequenos, médios e grandes. São 33 deles. Uns, envelhecidos pelo tempo. Outros, já nasceram velhos. Em comum têm o esvaziamento político e a pouca relevância. Tanto é assim que o prazo final para convenções partidárias desta quarta-feira (16/09) deve mostrar um cenário de disputa de prefeituras e câmaras municipais em que grandes siglas de outrora serão confirmadas em posição de coadjuvantes.

Onde e quando essa decadência começou? A resposta é multifatorial. Pode estar relacionada com a conquista do poder, seguida de acomodação. Ou o fato de não ter disposição para disputar mandatos – o que é uma grande contradição. O problema pode ser o dono, que prefere ver seu rebanho de filiados inchar, quantitativamente, sem preocupação com a qualidade de seus quadros. É uma pena, já que partidos políticos no Brasil são canais por onde, bem ou mal, escoa a democracia. As agremiações, nacionais e regionais, com as exceções de praxe, precisam ser oxigenadas e melhor conduzidas.

Em 2018, Ciro Gomes foi vítima de acordo PT-PSB

Candidatura petista de Marília Arraes foi retirada em PE e Márcio Lacerda foi rifado em MG. No acordo, Ciro ficou sem o PSB

O anúncio do apoio de Ciro Gomes à pré-candidatura de Elmano de Freitas (PT), em Caucaia, para atrair o apoio do PT em Fortaleza, em detrimento de Luizianne Lins, remete a outras tentativas do gênero, cujos desfechos não foram os mais alvissareiros.

O exemplo mais emblemático, porque ganhou repercussão nacional na última corrida presidencial, deu-se em 2018.

Candidato ao Palácio do Planalto, o ex-ministro Ciro assistiu à uma manobra do PT e PSB nacionais, pela qual os dois partidos abriram mão de candidaturas próprias – competitivas, diga-se -, para apoiar as reeleições do petista Fernando Pimentel (MG) e do peessebista Paulo Câmara (PE).

O golpe em Ciro, porém, veio do alcance do acordo: pelo acertado, o PSB ficaria neutro na eleição presidencial, sem se coligar com nenhuma outra força. No caso, com o presidenciável pedetista.

À época, PDT e PSB nacionais estavam em avançadas conversas para selarem uma aliança, que poderia ter feito a diferença ao projeto palaciano cirista.

Resultado da opereta: Paulo Câmara foi reeleito, Pimentel rodou e o presidente da República é um criador de emas.