7 de Setembro: do complexo de vira-lata à revolução pela esperança

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/7:

Entre erros e acertos, País chega hoje a 198 anos de independência política

Virou figurinha carimbada a nostálgica aula do grito de “Independência ou Morte” por Pedro de Alcântara (Pedro I) às margens do Riacho do Ipiranga. Uma série de governos, revoluções e constituições depois, o Brasil é o que é. Mas de que país estamos falando? Da última nação que aboliu a escravatura? Do Brasil machista, racista e homofóbico, onde o sucesso, principalmente se for de uma mulher, negro ou homossexual, é uma ofensa pessoal? Estamos nos referindo ao “país do Carnaval”, do “jeitinho” ou o do auxílio emergencial? Esse é o Brasil do copo quase vazio.

Mas há um Brasil sem complexo de vira-lata. Somos a maior biodiversidade do mundo e estamos entre os principais exportadores de produtos agrícolas e proteína animal. Cérebros brasileiros estão espalhados por centros de pesquisa do planeta. Muito inventivos, “nos viramos nos trinta”. Voltando a este 7 de Setembro, precisamos falar dos rumos da nação. Sobre isso, o impossível Roberto Campos já disse que “a burrice, no Brasil, tem um passado glorioso e um futuro promissor”. Prefiro Paulo Freire: “Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário”.

Um Brasil que dá certo

No cinema, não somos Oscar, mas nos orgulhamos do brilhantismo de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Fernando Meirelles; na ciência e na literatura, o Nobel ainda não veio, mas respeite a genialidade de César Lates, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Guimarães Rosa, Machado de Assis e Rachel de Queiroz. Neste 7 de Setembro, reforce-se que “Independência” foi e sempre será imprescindível a qualquer povo. Mas o debate, aos poucos, vai se ampliando, para um Brasil que dá certo, para além dos livros de história.