Fake news: qual o equilíbrio entre controle e liberdade?

Há um consenso de que, na média geral, abrimos mão de nossa privacidade em nome da segurança. O mundo big brother no qual vivemos que o diga. A mesma lógica pode ser utilizada na comunicação?

Sendo mais específico: no debate sobre fake news, como será e qual o limite do controle? Que preço estamos dispostos a pagar para seguirmos na trilha do razoável, sem violar direitos e criminalizar usuários?

Tramita, no Congresso Nacional, o chamado PL das Fake News. Segue a síntese do que está sendo proposto:

Obrigatoriedade de transparência das plataformas, com produção de relatórios trimestrais;

– Identificação de conteúdo patrocinado e de contas automatizadas;

– Notificação do usuário na abertura de processos de análise de conteúdo e de contas violadoras dos padrões de uso;

– Rotulação de bots (aplicações de programa de computador que simulam ações humanas);

Restrições ao uso e comercialização de ferramentas externas voltadas ao disparo em massa de mensagens;

Publicidade em relação aos anúncios e conteúdos impulsionados por órgãos públicos.

Mais de trinta empresas e entidades, entre elas Facebook, Google, Twitter, WhatsApp, agência Aos Fatos e Transparência Brasil, se uniram no início de junho para pedir o adiamento da votação.

As entidades, que possuem interesses divergentes em torno da matéria, consideraram que a análise está ocorrendo de modo precipitado e coloca em risco a liberdade de expressão online.

No limite e na prática, o feixe de restrições permitiria a identificação em massa dos usuários, com a consequente possibilidade de criminalizá-los.

O clima no Congresso Nacional, a começar pelos presidentes das duas casas, é de aprovação da legislação o mais rapidamente possível.

Uma das leituras para a pressa é o fato de que parlamentares – alguns vítimas, outros envolvidos na proliferação de fake news -, estariam preocupados com o processo eleitoral que se aproxima.

Com informações do Congresso em Foco. Íntegra do conteúdo aqui.

O bom jornalismo e o ovo da serpente

Teria o jornalismo deixado de ser social e investigativo?

Uma vez ouvi uma explicação bem peculiar para a expressão “mídia social”.

Era para fazer frente, dizia o interlocutor – entre um tom professoral e uma pose jocosa -, ao jornalismo convencional.

Segundo o mestre observador, há tempos o jornalismo teria deixado de perceber os interesses da sociedade como palco e pano de fundo.

De fato, com redução de aderência ao social – entre outros gargalos -, o jornalismo viu a “mídia social” ocupar o espaço.

Quase que paralelamente, veio o “jornalismo investigativo”. Para investigar, segundo a mesma lógica da “mídia social”.

Faz certo sentido. Se um dia ficarmos sem assessorias de imprensa, deixaremos de ter o que ler, ouvir e assistir em muitos veículos – pequenos, médios e grandes.

Sem drama. Sabemos que quanto mais releases, menos jornalismo. Aqui meu apreço a quem olha o apoio de assessores como ponto de partida e não como ponto de chegada.

Resumindo até aqui: com uma cobertura sofrível, o ex-bom jornalismo, que já padecia da ausência do “social” também teria deixado de ser “investigativo”.

Agora, o mundo se debruça sobre as famigeradas fake news.

Uma provocação: não teria sido a transformação para pior, do jornalismo de outrora no atual, o ovo da serpente que desafia governos, instituições e a própria democracia?

Haveria espaço para o acachapante fenômeno das fake news se, atualmente, existisse jornalismo – sem segunda palavra ou aspas -, relevante, consistente e com credibilidade, a que o jocoso professor se referiu?

A guerra por corações e mentes

Aspectos sociais, políticos, econômicos e comportamentais mudaram ao longo do tempo

Você confia no conteúdo que consome hoje como há 20 anos? Como entender as “crises dentro da crise” por que passa a imprensa convencional? As mídias sociais são, efetivamente, o futuro da comunicação? Por que as fake news desafiam governos, instituições e a própria democracia?

Não são questões simples nem há uma só explicação – para algumas, nem respostas há. São consequências dos próprios ciclos sociais, políticos, econômicos e comportamentais. Mas isso não impede que estejamos sempre atentos aos seus contextos, dinâmicas e consequências.

Por estas e outras razões, o Blog do Erivaldo Carvalho, vez por outra, vai fazer provocações na linha da cobertura jornalística, especificamente, e das mídias em geral.

Isenção, imparcialidade, liberdade de expressão e outros termos pétreos do jornalismo, assim como fenômenos mais recentes, tipo bolhas e pós-verdade, serão ganchos ou estarão no pano de fundo dos comentários.

Espaço que procura ter visão larga do processo, o Blog do Erivaldo Carvalho parte do princípio de que discutir a própria atividade é salutar, já que isso é uma das formas de se jogar luz sobre temas – alguns incômodos -, que não podem e nem devem ficar à sombra.

O leitor/internauta, de mediano para cima, não tem dúvida de que estamos no meio de uma guerra por corações e mentes, que passa, fundamentalmente, pelos processos comunicacionais de todo tipo. Sabe também que disso depende quem somos, o que seremos e para onde vamos.

Um dos problemas das guerras é que quase nunca podemos escolher de que lado da trincheira estaremos. E no calor dos conflitos, a primeira vítima sempre é a verdade. Por isso que muitos lutam em guerras que não são suas e por motivações que não se põem em pé.

Entender os elementos da comunicação nestes cenários de confronto nos ajudará a captar os principais movimentos de pretensos aliados e supostos inimigos. Isso pode representar a diferença entre a vida e a morte – simbólica ou real -, em ambientes hostis.

Toda guerra é feita de várias batalhas. Essa é uma das que o Blog do Erivaldo Carvalho enfrentará.