Copa América, Yamaguchi, Luana, pronunciamento e Pazuello

A médica, que depôs no último dia 2, foi um dos pontos altos da semana / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A semana, embora com feriado, de curta não teve nada. Principalmente, na política, onde vai chegando ao fim com fortes emoções. Já no primeiro dia útil, ainda sob o calor dos protestos do final de semana contra o governo do presidente Bolsonaro, o país da covid foi balançado com a notícia de que sediaria a Copa América de Futebol. Por questões óbvias, “inacreditável” foi um dos termos mais lidos e ouvidos. Não pelo esporte mais popular do mundo e do Brasil, mas por uma gritante questão de saúde pública, colocada em segundo plano. Veio terça-feira e, com ela, a bolsonarista Nise Yamaguchi, na CPI da Covid. Dispensa comentários.

Na quarta-feira, Luana Araújo, na mesma CPI, jantou o obscurantismo bolsonariano. Educada, mas firme, de forma técnica e didática, ao mesmo tempo, a mineira desmontou o lego governista, peça por peça. Com lucidez e objetividade sem precedentes na comissão, só faltou desenhar para os senadores e os milhões de brasileiros que acompanharam o depoimento-palestra. Na noite da mesma quarta ainda teríamos o pronunciamento do presidente, numa mistura de desfaçatez e reação à batata assada. Pula para esta quinta-feira (3), em que o Exército, sob pressão do presidente da República, decide não punir Eduardo Pazuello por ato político no Rio.

Para não jogar no campo do adversário
O alto comando do condomínio governista que dá as cartas na política do Ceará só deverá começar a se movimentar, efetivamente, no segundo trimestre do ano que vem. A não ser que o alinhamento partidário nacional precipite a montagem de palanques locais. Mas, não é esse o cronograma oficial esperado. Quem está no poder sempre tentará, de preferência, impor o próprio calendário. O contrário é, literalmente, entrar no jogo jogando no campo do adversário – um começo reativo complicador. Meu governo, minhas regras, no meu tempo. Simples assim.

Os rumos da sucessão de Camilo Santana
Pela lógica do revezamento, o PDT, maior partido dentro do grupo cirista, deverá lançar o sucessor do governador petista Camilo Santana. Ao atual chefe do Executivo caberá a vaga de senador. A tese é defendida pelo presidente pedetista no Ceará, deputado federal André Figueiredo. O desenho deixa de fora o senador em reta final de mandato, Tasso Jereissati (PSDB).

Sobre apoio de prefeitos a deputados
Prefeitos de municípios de médio porte para cima deveriam ser mais criteriosos para com seus candidatos a deputado estadual e federal. Assediados, costumam fazer palanque para mais de um postulante. No final das contas, pulverizam o apoio eleitoral, fragilizando-se, politicamente, diante de seus representantes nos parlamentos. A gestão sofre e ele não pode reclamar.

CPI e Bolsonaro: saldo negativo e sinais preocupantes

Renan já teria elementos para relatório contundente / LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO

A CPI da Covid está programada para durar 90 dias – quase 13 semanas, das quais somente duas se passaram até agora. Ainda há pela frente, portanto, muitos depoimentos, bate-bocas e baixarias, assim como colheitas de evidências – ou não – de eventuais responsabilidades políticas e judiciais do governo Bolsonaro no manejo da pandemia. Mas, tomando-se como base o que já foi ouvido e visto até aqui, os trabalhos começaram muito bem para a oposição e muito mal para o governo. Assessoramento paralelo no Palácio do Planalto, tentativa de fraudar bula da cloroquina e a comprometedora carta da Pfizer às autoridades brasileiras são somente parte do problema.

Para além destes elementos concretos, os sinais menos tangíveis, emitidos pelos aliados, são ainda mais preocupantes. A começar pelo posicionamento pouco aguerrido na CPI. Em menor número, a defesa do governo tem dificuldade em se contrapor à narrativa que está sendo construída, segundo a qual, de duas, uma: ou Bolsonaro foi omisso por incompetência ou não atuou de caso pensado, dentro de uma estratégia traçada, para se alcançar a tal imunidade de rebanho. Isso, às custas de centenas de milhares de vidas humanas brasileiras. Some-se a isso a verborragia de baixo calão do presidente e companhia contra a CPI e a rota de fuga do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Tem cearense no Conselho da ABI
O Ceará tem, desde esta quinta-feira (13), assento no Conselho Deliberativo da centenária Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com a posse do jornalista Salomão de Castro, presidente da entidade em nível de Estado. É uma conquista, haja vista ser a ABI, historicamente, dominada por profissionais do Rio de Janeiro. No Nordeste, somente dois estados – o outro é Pernambuco -, conseguiram o feito. Em tempo: a ABI mantém inflamado discurso pela liberdade de expressão. Apoiado. Mas deveria dar o bom exemplo e se permitir democratizar, com vozes de todo o Brasil.

E assim se passou um quarto de século
Os 25 anos da urna eletrônica, comemorados esta semana, é um marco na linha do tempo democrático do País. Velho conhecido de pelo menos duas gerações de eleitores brasileiros, o sistema segue firme, forte, seguro e auditável. Nosso modelo de votação e apuração é reconhecido mundialmente. À exceção dos obtusos plantonistas do atraso.

As paredes como testemunhas
O edifício Deputado Adauto Bezerra, sede do Poder Legislativo no Ceará, fez 44 anos nesta quinta-feira (13). Como bem metaforizou o presidente da Casa, Evandro Leitão (PDT), o prédio “é testemunha de uma história recente do Ceará”. Sem dúvidas. Não foram poucos os embates, acordos, votações, alegrias e surpresas ali vividos, frutos dessa coisa chamada democracia.

CPI da Covid no Senado vai dividir atenção com licenciamento ambiental na Câmara

Novo marco será votado na próxima semana / MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Com todos os holofotes nacionais – e até internacionais -, direcionados para a CPI da Covid no Senado Federal, a Câmara dos Deputados vem sendo ofuscada no noticiário, uma vez que saiu do centro do debate político nacional. Mas isso deve mudar esta semana. Segundo consta na pauta definida pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), deverá ser votado o novo licenciamento ambiental do País. A ideia é estabelecer normas gerais para empreendimentos ou atividades que use recursos ambientais e possa, efetiva ou potencialmente, sob quaisquer formas, poluir ou causar degradação do meio ambiente. Eis o tamanho da polêmica e potencial de embates.

Por outro lado, embora também importantes, os depoimentos marcados para esta semana na CPI passam longe do peso de ex-ministros e do atual titular da pasta da Saúde, sobre mandos e desmandos no manejo da pandemia de covid-19 que colaboraram para a mortandade humana que se verifica. A não ser que o também ex-chefe da área, o general Eduardo Pazuello, a cereja do bolo, sente-se diante dos senadores nos próximos dias. A possibilidade é remota, embora seja forte a vontade de alguns parlamentares, considerando-se a desfaçatez com que o estrelado verde-oliva justificou o adiamento do depoimento. Mas tudo indica que o “Dia D” seja mesmo 19 próximo.

O reality show da vida real
Com todas as data maxima venia, CPIs funcionam no modelo reality show: no início atraem muita audiência, para a divulgação da lista de participantes, definição de regras – algumas novas -, e primeiras atrações. Nesse período, há, inclusive, muitas transmissões ao vivo pelos canais de televisão. A atenção se mantém por mais uma ou duas semanas. Depois, passa a sustentar-se nos pontos altos, que podem ser brigas e intrigas entre os próprios participantes, quem vai ou não para o sacrifício e, principalmente, quem será o grande vitorioso ou derrotado.

Próximos capítulos
Estão na prancheta da CPI da Covid para os próximos dias Fábio Wajngarten (ex-Comunicação), Ernesto Araújo (ex-Itamaraty) e os atuais Antonio Barra Torres (Anvisa) e Mayra Pinheiro (Gestão do ministério). Esta última, ex-filiada ao PSDB-CE e atualmente próxima do senador Eduardo Girão (Podemos), terá muito o que explicar no polêmico uso da cloroquina.

O pecado do pregador
É preceito bíblico: a quem muito foi dado, muito será pedido. Foi assim com o então ex-juiz Sérgio Moro, que tomou partido nas decisões judiciais, e o governador cassado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ímprobo. Bem vindo à lista Marcelo Queiroga, que antes de ser ministro da Saúde, é médico, sob cujo juramento comprometeu-se a defender a vida, de forma ética.

Semana na CPI da Covid pode ser decisiva para Bolsonaro

Os médicos Teich e Mandetta foram ministros da Saúde do governo Bolsonaro/AGÊNCIA BRASIL

Esta semana será uma das mais longas e complicadas – provavelmente, também decisivas -, do governo Bolsonaro. Nesta terça-feira (4), sentarão no banco das testemunhas da CPI da Covid no Senado os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. O primeiro, principalmente, por ser profundo conhecedor dos bastidores da dramática crise sanitária nacional e, político de carreira, ter explícitos interesses eleitorais em 2022. O segundo, que teve passagem relâmpago pela pasta, deverá somente cumprir a tabela dos depoimentos – afora o fato de ter desenvolvido uma espécie de fetiche por testes anticovid-19 – era o monotema do então ministro.

A atração principal, entretanto, se dará na quarta-feira (5) quando, diante dos senadores, deverá estar o general da reserva Eduardo Pazuello que, por ter juízo, obedeceu a quem podia mandar, como o próprio chegou a afirmar publicamente. Será um dia de CPI inteiramente reservado ao especialista em logística do Exército Brasileiro. Pode até nem ser o suficiente. Terá muito o que explicar um chefe de ministério que recebeu o posto (16/maio/2020) com 233 mil casos e 15.633 óbitos e o entregou (15/março/2021) com 11,5 milhões de infectados e quase 280 mil mortes. Desde então, o Brasil passou a ocupar o 2º lugar em letalidade e fatalidade na pandemia.

A galinha, a pata e as gestões públicas
É conhecida no mercado de comunicação a “lição de marketing”, segundo a qual ovo de galinha não é tão nutritivo quanto o de pata, além de ser menor. Mesmo assim, é muito mais consumido e está em todo supermercado, e não somente na feirinha de rua. A explicação estaria no cacarejo da primeira e no silêncio da segunda, quando cada uma produz o respectivo ovo. Nos governos em geral acontece muito isso. Nos bastidores, não é raro se ouvir lamentações de ações exitosas, mas de pouca ou nenhuma visibilidade. Sempre há uma ou outra galinha rodeada de patas.

Política e religião 1
Líderes de centro-esquerda nacionais articulam ofensivas com foco em um nicho estratégico para Bolsonaro: o público evangélico, que garante em torno de um terço do eleitorado ao presidente. Nas mensagens, em vários formatos e plataformas, deverá estar a defesa da vida – um ponto central de todos os credos -, em meio à trágica pandemia, minimizada pelo Planalto.

Política e religião 2
Bolsonaro e os seus não pretendem esperar o desgaste chegar. Numa espécie de antecipação à estratégia dos adversários, já planeja uma aproximação ainda maior com este público, onde é franco favorito à reeleição, com visitas a grandes templos de todo o País. Mas muito vai depender, claro, do andamento da CPI, que pode, no pior dos mundos, afastar o fiel eleitorado. 

Com culpa de Bolsonaro, centrão discutirá termos do contrato

Os presidentes Pacheco, Bolsonaro e Lira: de mãos dadas com o centrão

O governo Bolsonaro vem sofrendo uma derrota atrás da outra no manejo da trágica crise sanitária provocada pela pandemia de covid-19. No Congresso Nacional, líderes do centrão, aliados de última hora, sentaram em cima dos pedidos de CPI – até o Supremo Tribunal Federal mandar instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado. Na sequência, o Planalto não conseguiu construir maioria no colegiado. Depois, não impediu que a relatoria ficasse com o emedebista Renan Calheiros – que dispensa apresentação. Agora, vê ministro e ex-ministros da Saúde fazerem fila indiana para depôr. Isso é o começo. O pior ainda está por vir.

Sem base aliada orgânica, Bolsonaro foi ao mercado político e locou o apoio do centrão. Em princípio, a operação parecia ser o suficiente. Mas vieram as variáveis, que como o próprio nome supõe, são de difícil controle – quando o são. Pelos primeiros sinais da CPI, indícios e narrativa que se forma em torno da culpabilidade do presidente, será muito difícil o governo, ao final do processo, não ser ferido gravemente. Voltando ao centrão: levante a mão quem considerar, nas condições acima, incondicional e devotado o apoio ao Executivo do grupo que hoje controla o Congresso. Mais do que subir o preço do aluguel, o grupo poderá discutir ou rescindir o contrato.

Um líder que cuida do futuro e do presente
Quem acompanhou o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no Capitólio, por ocasião dos 100 primeiros dias de governo, sentiu o gostinho de nação que tem líder, no melhor e mais amplo sentido do termo. O democrata tem um ambicioso e envolvente plano de futuro para o país, a maior economia do mundo. Nesse sentido, destacou a forte atenção que dará à infância escolar, onde tudo começa. Mas não se esquivou do presente, anunciando severos ajustes na taxação de grandes fortunas e salários. Foi aplaudido de pé, dezenas de vezes.

Negacionismo pode ser abandonado
Mesmo diante das evidências, é imenso o contingente de bolsonaristas – por definição, negacionistas. No conjunto, são pregadores de tratamento precoce, não aceitam protocolos sanitários, criticam decretos de isolamento social e, por consequência, são contra a vacinação como forma mais segura e estável de controle da pandemia. Mas isso parece estar mudando.

Seguidores locais já defendem vacina
Cada vez mais isolados, defensores de métodos bolsonaristas contra a covid-19 já sentem o cheiro da derrota na guerra verbal. Tanto que, no Ceará, já é cada vez mais explícita a defesa da vacinação, como mostram vídeos e depoimentos online de vereadores, deputados e assemelhados seguidores do presidente da República, na chegada de imunizantes no Aeroporto de Fortaleza.

STF, Senado, CPI e Anvisa: argumentos e incoerências

A sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em Brasília

Nunca tivemos, no Brasil, ambiente político tão judicializado nem decisões judiciais tão politizadas. A preocupante troca de sinais demonstra que, no jogo do poder, o interesse público foi deixado de lado, assim como a boa técnica perdeu espaço para o subjetivismo. Tudo isso, com força para arrastar quase toda a sociedade brasileira para a reducionista triagem, que separa “os contra” dos “a favor”. A partir deste princípio, os arautos do “nós contra eles” tentam organizar o restante, não importando quanta incoerência ou visão distorcida isso possa representar. Vejamos quatro exemplos recentes, no âmbito do STF e da Anvisa, que atestam a cegueira ideológica por que passa o País.

Muitos aplaudiram quando o ministro Luiz Roberto Barroso (STF) determinou a instalação da CPI da Covid pelo Senado. Mas foram contra quando um governista foi ao mesmo Supremo impedir que um dos membros da comissão ocupasse um dos postos mais relevantes do colegiado. Argumento: invasão de questões Interna Corporis. Em janeiro, quando a Agência de Vigilância acatou o pedido do Butantan e autorizou a produção e aplicação no Brasil da chinesa CoronaVac, o aspecto técnico foi enaltecido. O discurso em defesa da agência, entretanto, mudou, quando a mesma agência, também citando aspectos técnicos, negou aval à russa Sputnik V.

A reforma tributária, by Ciro Gomes
A 3ª edição do “Ciclo de Estudos sobre a Reforma Tributária – CERT” abordará as propostas em tramitação no Congresso Nacional. No centro das atenções, o ex-ministro e pré-presidenciável Ciro Gomes (PDT) abordará “Reforma Tributária na perspectiva do Ministério da Economia”. Professor de Direito Tributário e Constitucional, o pedetista elencará vantagens e desvantagens, para o comércio e sociedade em geral, da proposta em curso. A promoção é da CDL-Fortaleza e Faculdade CDL. Nesta quinta-feira (29), às 18h, no canal da CDL no Youtube.

Quando novembro chegar
Segundo dados da OAB-CE, a ESA, braço educacional da instituição, fez bonito de janeiro até aqui, com milhares de alunos inscritos em vários cursos. Mas isso é o de menos. Importante é a política de descontos na anuidade, paridade de gênero e participação feminina, temas que deverão ser explorados pela oposição, na campanha eleitoral de novembro.

Sobre palavras e exemplos
Numa corrente do bem e contra a covid-19, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Regional Ceará (Sbot-CE) associou-se à Associação Médica Cearense (AMC) na doação de capacetes Elmos a instituições públicas do Estado. Na pandemia, a sociedade vem mostrando o que tem de melhor. Palavras convencem, exemplos arrastam.

CPI da Covid pode ser o início do fim do atual ciclo de poder

Os senadores Randolfe (em pé), Aziz e Calheiros, que formam a cúpula da comissão

A semana começa com todas as atenções voltadas para o início dos trabalhos da CPI da Covid, no Senado, previsto para esta terça-feira (27). As investigações pretendem dissecar os mandos e desmandos que produziram uma tragédia humanitária dentro da já trágica pandemia pelo novo coronavírus. Sem ascendência sobre o colegiado, desorganizado politicamente no Congresso Nacional, e com potenciais adversários se movimentando de olho no Palácio do Planalto, em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá pela frente dias, semanas e meses muito difíceis. No pior dos mundos, poderá ser o início do fim do atual ciclo de poder do clã mais poderoso do País.

Para além de que governo algum, por muito menos, sentir-se confortável com um canhão apontado para si, a própria ginástica que o governo fez para evitar a CPI diz muito do temor que ronda o Executivo. O último lance foi a nomeação do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para a Secretaria-Geral do Exército. Trata-se de um arquivo ambulante. Mas as investigações serão irrestritas, incluindo estados e municípios, correto? Sim e não. Há nítidos sinais de que os aliados manterão o esforço para dividir o foco do Governo Federal. Mas há controvérsias, como já captam os índices de pesquisas sobre a responsabilização dos culpados e as narrativas do entorno.

Debate aborda sustentabilidade econômica
Em momento mais do que oportuno, quando o mundo acaba de assistir a uma conferência global sobre o clima e o futuro do planeta, a Assembleia Legislativa do Ceará promove hoje mais uma edição do projeto Grandes Debates – Parlamento Protagonista, com o tema “Sustentabilidade: o caminho para o desenvolvimento”. À mesa virtual estarão Leonardo Boff (teólogo), Alessandro Molon (deputado federal-RJ), Artur Bruno (Sema-CE), Eudoro Santana (PMF) e Leonardo Pinheiro (deputado estadual-CE). Às 16h, em várias plataformas.

Fundeb no Ceará: R$ 215 milhões em prejuízos
Um erro em repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para municípios cearenses pode render prejuízos que beiram os R$ 215 milhões. Mais de 190 mil matrículas de alunos do ensino fundamental em tempo integral do Ceará deixaram de ser computadas, impactando 114 municípios. Cálculos do deputado estadual Queiroz Filho (PDT).

Sobre desenvolvimento e política no Ceará
É dominante a crítica de que o desenvolvimento econômico no Estado do Ceará vem se concentrando, cada vez mais, na Região Metropolitana de Fortaleza e em alguns pedaços do litoral. Prefeitos dos rincões do Interior que o digam. Eis um bom mote, tanto para o Governo do Estado, a quem cabe o planejamento, quanto para a oposição, que certamente pretende explorar.

Qual o lugar do Brasil no negócio do clima?

Evento foi tentativa de firmar novo pacto ecoambiental no planeta

No maior evento do tipo dos últimos tempos, o poder decisório do mundo – a quase totalidade do PIB mundial -, reuniu-se, remotamente, na Cúpula do Clima, para debater e alinhar mecanismos de contenção da devastação ecoambiental. No centro da discussão esteve, para além da preservação da vida humana no planeta, o modelo de desenvolvimento econômico e social. Leia-se a busca de uma nova matriz energética, sobre a qual negócios, tradicionais ou disruptivos, terão de se assentar. Não se trata de opção ou alternativa benevolente ou humanitária de líderes ao redor do globo, abraçadores de árvores. Trata-se de uma conta que há décadas não fecha.

Para além de protocolos de intenção e discursos politicamente corretos, alguns para inglês ver – a exemplo do proferido pelo presidente Jair Bolsonaro -, há fortes sinalizações de mudanças concretas. Exemplo: a partir de 2030, países europeus deixarão de fabricar automóveis com tração baseada na combustão fóssil, assim como escalar plantas de energia limpa, tipo eólica e solar, já é realidade. Diante disso, pergunta-se: que lugar a essa mesa cabe ao Brasil? Como parte da resposta, é importante considerar que somente preservar a Amazônia é insuficiente. Grande parte do modelo precisa ser repensado, sob pena de ficarmos presos à máxima “fazendas lá, florestas aqui”.

Atividades essenciais e vacinação
É cada vez maior a pressão para que mais segmentos econômicos e categorias socioprofissionais entrem na lista de flexibilização dos decretos de isolamento social rígido ou no Programa Nacional de Imunização. Em nível federal, o deputado Pedro Bezerra (PTB) quer incluir entregadores de delivery e motoristas de transporte público entre as atividades essenciais. Por aqui, o Sindicato das Autoescolas defende que os instrutores de trânsito, considerados pela entidade como profissionais da educação, sejam contemplados na fase 4 da vacinação.

Sinal dos tempos eleitorais
A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Ceará (OAB-CE) aprovou a regularização de anuidade sem multas e juros. Além disso, faz expediente junto à cúpula nacional da entidade para reduzir o valor. A proposta é da lavra do presidente Erinaldo Dantas, que deve disputar mais um mandato à frente da instituição. Data maxima venia, mas é jogo jogado.

Memória e história política
O Memorial da Assembleia do Estado do Ceará (Malce), na pessoa do seu presidente, Osmar Diógenes, está junto com equipe, em fase de elaboração de mais um livro. A obra será o resultado de uma criteriosa pesquisa sobre a memória política do Ceará, com foco no Poder Legislativo, dissecando fatos relevantes da nossa história, desde o Período Imperial.

Notas sobre Tasso Jereissati

Senador em segundo mandato, tucano é cotado para disputa nacional

Em seu segundo mandato de senador da República, o três vezes governador do Estado, Tasso Ribeiro Jereissati, 72, entrou para os livros de história pelas portas da frente: esteve no lugar certo, no momento certo e fez a coisa certa; administrador de empresas, buscou, na gestão pública, sempre que possível, parametrizá-la com modelos de negócios privados: foco em planejamento, busca de resultados, ousadia em projetos, visão de longo alcance e perpetuação. Hoje, trinta e cinco anos depois do longínquo 1986, o modelo implantado no Ceará é aplaudido Brasil afora. Mais do que isso, foi o alicerce que possibilitou ao Ceará projetar-se para o mundo.

Mas nem sempre foi assim. O início foi muito difícil e desafiador. O primeiro choque de gestão de Tasso na máquina estadual, que exorcizou milhares de funcionários fantasmas e eliminou privilégios, foi como mexer em vespeiro. O jovem governador perdeu popularidade numa rapidez fulminante; virou inimigo número um do funcionalismo público – particularmente, em Fortaleza – e viu a base aliada minguar na Assembleia Legislativa. Aos poucos, com persistência, foi virando o jogo na gestão e na opinião pública cearense – tanto que fez o sucessor, Ciro Gomes, e depois foi eleito outras duas vezes – sempre com coerência, austeridade e princípios.

Senado fez bem à cabeça de Tasso
Em 2002, quando Tasso foi eleito senador pela primeira vez, o Ceará ficou diante de uma grande interrogação: como seria o mandato de um político de biografia já histórica, ex-chefe do Executivo com fama de atuação rígida e autossuficiente em termos eleitorais? Para a surpresa da grande maioria, o então debutante senador surpreendeu a todos – mais uma vez. O exercício do contraditório, próprio da gênese dos legislativos, fez muito bem não somente à cabeça do hoje veterano parlamentar: projetou-o como reserva política da República.

Imagem com potencial para agregar
Conforme lembrou o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo (PE), a imagem política de Tasso transcende o ninho tucano. É voz ouvida dentro e fora do Senado. Isso o credenciaria, em termos de aderência de outras forças políticas, a entrar na disputa pela Presidência da República. Inclusive pelo potencial de atrair outros nomes de peso do cenário nacional, a exemplo de Ciro.

Tucano não tem do que reclamar
Entrando na reta final de mais um mandato, Tasso tem emitido sinais de que deseja voltar a Brasília em 2023 – a depender do desenho do palanque governista no Ceará. Mas, até aqui, o tucano não tem do que reclamar. Não é todo dia que um político que só pretende renovar o mandato toma tanto banho de mídia – local, nacional e internacional -, de forma espontânea e alvissareira.

Inteligência artificial: as transformações na saúde

Logo mais, a partir das 18h desta quarta/18, especialistas da área debatem o tema “Inteligência Artificial Transforma a Saúde”.

Convidados:
Marianna Ferreira, pesquisadora
Ticiana Linhares, cientista de dados
Ney Paranaguá, sócio da Maida.health
Mediação: Pery Negreiros, jornalista

Promoção: TrendsCE

Transmissão: YouTube.com/TrendsCE