Experiência e confiança política fizeram a diferença a favor de Sarto

Íntegra da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/11:

Fiel discípulo de Ciro Gomes, atual presidente da Assembleia já foi líder do governo Cid e vice-líder na gestão Camilo / Dário Gabriel-ALCE

“Líder de líderes”, como costuma se referir Ciro Gomes a presidentes de legislativo, José Sarto Nogueira (PDT), natural de Acopiara, médico, poliglota, 61 anos – 30 dos quais de vida pública -, é a aposta do grupo político hoje hegemônico no Ceará para suceder o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). No sétimo mandato de deputado estadual e discípulo fiel dos Ferreira Gomes, foi líder do governo Cid e vice-líder da gestão Camilo Santana. Em outras palavras, experiência e confiança política pesaram a favor de Sarto, assim como o bom desempenho em pesquisas internas sobre potencial eleitoral.

Desde o início do processo, o presidente da Assembleia esteve entre os mais cotados – justamente por suas ligações com Ciro. Isso quer dizer que o irmão mais velho dos Ferreira Gomes segue no grupo com inabalável poder de decisão. Significa, também, que o anticirismo em Fortaleza foi colocado em segundo plano. Para os adversários, os FGs dobraram a aposta. Mas isso é o de menos. Como disse o prefeito na live de apresentação da chapa majoritária, não será somente uma eleição. Será uma disputa por ideias, projetos, prioridades e o futuro da Capital. Isso, a dupla Sarto-Élcio tem para mostrar.

Vice consolida união do Estado e Prefeitura

Ex-colaborador das gestões Roberto Cláudio e Camilo Santana, o paranaense de Cascavel Élcio Batista, sociólogo, 46 anos, é mais do que uma solução política, num até então nebuloso cenário governista. O ex-chefe da Casa Civil do Estado representa, na aliança PDT-PSB, a simbólica fusão entre duas administrações bem avaliadas. No dia a dia dos dois governos, isso já é uma realidade. Agora, o “Juntos por Fortaleza” da futura chapa Sarto-Élcio passa a ser um mantra a ser explorado pelos estrategistas eleitorais.

Padrinhos políticos e os ecos de 2022

Ciro teve peso diferenciado na definição por Sarto. Já Camilo foi contemplado com a vice para Élcio e a linha sucessória na presidência da Assembleia. E qual parte deste latifúndio coube a Roberto Cláudio? Resposta: a chapa de 2020, sem Samuel Dias – preferido do prefeito -, deixa RC no crédito para a sucessão estadual, em 2022.

Primeira divisão está definida

Estão definidos os corredores de elite da maratona eleitoral em Fortaleza. A preço de hoje, Capitão Wagner (Pros), Luizianne Lins (PT) e Sarto Nogueira (PDT) formam a primeira divisão. Cada um tem o desafio de estar no segundo turno – se a disputa for mesmo em dois tempos. Mas isso, somente as urnas de 15 de novembro dirão.

A aposta do Capitão

O presidente do Podemos, Fernando Torres, e os candidatos a prefeito, Capitão Wagner, e a companheira de chapa, Kamila Cardoso: Fortaleza como capital nacional da inclusão

A advogada Kamila Cardoso é a candidata a vice-prefeita na chapa do agora candidato a prefeito de Fortaleza, Capitão Wagner.

Ela do Podemos, ele do Pros, foram oficializados em convenção partidária, nesta segunda/7.

Não é a chapa dos sonhos. É a possível. Um desfecho depois de muitas tentativas de ampliação da coligação.

Além de seu Pros e do Podemos do senador Eduardo Girão, Capitão Wagner vai disputar a sucessão de Roberto Cláudio (PDT) com o apoio do Republicanos, PSC, PTC, Avante, PMN e PMB.

Pelo menos três outras forças relevantes passaram pela mesa de negociações.

Heitor Freire tentou emplacar seu PSL na vice. Não conseguiu.

Em movimento inverso, Capitão tentou, sem sucesso, a adesão dos irmãos siameses PSDB e DEM.

Foram igualmente frustrantes as conversas com o MDB de Eunício Oliveira.

Restou ao Podemos indicar a então pré-candidata a vereadora.

Casada, 42 anos, mãe de dois filhos, Kamila atua a favor de portadores de deficiência e tratamentos de saúde.

O candidato a prefeito do Pros diz que Kamila, em uma eventual gestão Wagner, contribuirá para transformar Fortaleza na capital nacional da acessibilidade e inclusão.

Sem PSDB, DEM e MDB na coligação, parte do discurso manjado destes grupos políticos perde força nas estratégias da coligação Pros-Podemos.

Em seu lugar, entra um rosto novo, feminino e abraçado a bandeiras de sensibilidade social.

Essa passou a ser, portanto, a grande aposta do Capitão.

7 de Setembro: do complexo de vira-lata à revolução pela esperança

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/7:

Entre erros e acertos, País chega hoje a 198 anos de independência política

Virou figurinha carimbada a nostálgica aula do grito de “Independência ou Morte” por Pedro de Alcântara (Pedro I) às margens do Riacho do Ipiranga. Uma série de governos, revoluções e constituições depois, o Brasil é o que é. Mas de que país estamos falando? Da última nação que aboliu a escravatura? Do Brasil machista, racista e homofóbico, onde o sucesso, principalmente se for de uma mulher, negro ou homossexual, é uma ofensa pessoal? Estamos nos referindo ao “país do Carnaval”, do “jeitinho” ou o do auxílio emergencial? Esse é o Brasil do copo quase vazio.

Mas há um Brasil sem complexo de vira-lata. Somos a maior biodiversidade do mundo e estamos entre os principais exportadores de produtos agrícolas e proteína animal. Cérebros brasileiros estão espalhados por centros de pesquisa do planeta. Muito inventivos, “nos viramos nos trinta”. Voltando a este 7 de Setembro, precisamos falar dos rumos da nação. Sobre isso, o impossível Roberto Campos já disse que “a burrice, no Brasil, tem um passado glorioso e um futuro promissor”. Prefiro Paulo Freire: “Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário”.

Um Brasil que dá certo

No cinema, não somos Oscar, mas nos orgulhamos do brilhantismo de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Fernando Meirelles; na ciência e na literatura, o Nobel ainda não veio, mas respeite a genialidade de César Lates, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Guimarães Rosa, Machado de Assis e Rachel de Queiroz. Neste 7 de Setembro, reforce-se que “Independência” foi e sempre será imprescindível a qualquer povo. Mas o debate, aos poucos, vai se ampliando, para um Brasil que dá certo, para além dos livros de história.

Dez variáveis da sucessão em Fortaleza

Indefinições persistem a 11 dias do encerramento do prazo para definição de candidaturas / Divulgação

Num cenário político indefinido e bagunçado tal qual o da Capital do Ceará, tudo pode acontecer – inclusive nada. Vejamos alguns pontos.

1 – O PDT lançou cinco pré-candidatos – Idilvan Alencar, José Sarto, Salmito Filho, Samuel Dias e Ferruccio Feitosa -, mas o ungido pode ser de outro partido.

2 – Sendo o candidato governista um não pedetista, entram no páreo Élcio Batista (PSB), Alexandre Pereira (Cidadania), Anízio Melo (PCdoB) e Célio Studart (PV).

3 – Sim, Célio é um pré-candidato governista. A não ser que seja considerado um aliado de segunda categoria.

4 – Capitão Wagner vai definir o nome a vice depois de conhecida a chapa governista.

5 – O nome pedetista depende, diretamente, do imbróglio com o PT de Luizianne Lins. O impasse pode definir a chapa de 2020 e impactar na sucessão do governador Camilo Santana, em 2022.

6 – Com Luizianne candidata, o cenário é de uma forma. Sem a ex-prefeita concorrendo, as perspectivas são outras. Isso vale, inclusive, para a definição do nome pedetista.

7 – Governistas e o opositor Capitão Wagner (Pros) travam um duelo nos bastidores, cada lado querendo o apoio do PSDB, que levará o DEM a tiracolo.

8 – Só para complicar um pouco mais, o PSDB, a noiva mais cobiçada destas eleições em Fortaleza, depois do PT, diz não subir no mesmo palanque do… PT.

9 – O PT tenta atrair algum nome para vice – do PCdoB de Anízio ao MDB de Eunício Oliveira, passando pelo Solidariedade de Heitor Férrer.

10 – O MDB conversa com todas as forças. Seu controlador, Eunício tem arestas com os Ferreira Gomes e o prefeito Roberto Cláudio.

Tudo isso a 11 dias do fim do prazo de convenções partidárias – que definem as chapas.

Reforma administrativa de Bolsonaro vai impactar indústria de concursos públicos

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/4:

Com novas regras, ter o governo como patrão ficará menos atrativo / Digulgação

Fim de uma era. Assim pode ser definida a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa, enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso Nacional. O imaginário de milhões de brasileiros “concurseiros”, que sonham com vultosos salários, valorização progressiva da carreira e a certeza de estabilidade no emprego, pode ter ficado para trás. A PEC deixa de fora parlamentares, juízes e militares, e vale somente para novos funcionários. Ou seja, o foco são as próximas gerações do Executivo, Legislativo e Judiciário da União e Estados, assim como o funcionalismo municipal.

É justamente onde está o oásis do governo como patrão. E é o que justifica o esforço hercúleo em maratonas de estudo. A proposta pretende criar cinco tipos de vínculo com servidores – somente um com estabilidade. A PEC atinge a gigantesca indústria de concursos. A área ficará menos atrativa. O Planalto diz querer modernizar a administração, com mais eficiência e menos gastos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já levantou o debate para um serviço público de mais qualidade e melhor atendimento. Do outro lado, a oposição já solta fogo pelas narinas. O embate será duro.

Areninhas como embriões do empreendedorismo nos bairros

Pela proposta, as estruturas, que já transformam pelo esporte, agregariam a cultura de negócios locais

A recorrente ideia de uma Fortaleza policêntrica voltou com força nesta pré-campanha eleitoral de 2020.

O conceito é simples: ampliar o sentido de localidade na Cidade, em que a moradia fique próxima do trabalho, estudo, serviços, comércio e outras estruturas.

Alexandre Pereira, pré-candidato à sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT), quer ir além.

Até mesmo pela experiência acumulada à frente da Secretaria Municipal de Turismo e Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado.

O concorrente pelo Cidadania pretende construir polos empreendedores nos 121 bairros da Capital.

O embrião da proposta está nas atuais 51 areninhas, espalhadas por Fortaleza.

“A ideia é transformar as estruturas em Areninhas Empreendedoras, nas quais, além da transformação pelo esporte, também seja inserido o ensino de empreendedorismo”, explica o pré-candidato.

De acordo com o representante do Cidadania na corrida eleitoral, o processo iria do Ensino Fundamental à formação profissionalizante.

Batizado de Território Organizado e Produtivo (TOP), a proposta se integraria aos Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cucas).

O objetivo, enfatiza o concorrente à sucessão municipal, é fazer o dinheiro circular localmente, tornando os bairros autossustentáveis.

Com alianças ainda em aberto, Capitão Wagner prestigia aliados do Podemos

Senador Eduardo Girão, Capitão Wagner, General Theophilo e Fernando Torres: ideias para Fortaleza / Divulgação

Principal pré-candidato da oposição na disputa pela sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT), o deputado federal Capitão Wagner (Pros) corre contra o tempo, com todos os esforços, para atrair partidos relevantes para seu palanque.

Até agora, além da própria legenda, estão garantidos o Podemos, Avante, PSC, PMN, PTC e PMB.

É uma composição irrisória, tendo em vista a força da coligação governista, liderada pelo PDT, juntamente com PSD, PSB, Cidadania, PCdoB e PV, para citar alguns.

Isso explica o prestígio que partidos aliados, como o Podemos, vem usufruindo junto ao Capitão.

O partido, presidido no Ceará pelo engenheiro Fernando Torres, elaborou e entregou ao pré-candidato do Pros propostas de seus doze núcleos temáticos.

São ideias voltadas para educação, sustentabilidade, segurança; economia, empreendedorismo e inovação, social, cultura, justiça social, esporte, jovem, mulher, saúde e diversidade.

Outras forças políticas estão na mira do Capitão – o PSDB e o DEM, por exemplo -, embora estas sejam possibilidades cada vez mais distantes.

Entretanto, enquanto o desfecho não acontece, faz parte do script dar atenção a quem já está no arco de aliança.

Orçamento Federal de 2021 mostrará tamanho do impacto da Covid-19 na economia

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/31:

Novo coronavírus teve impacto fulminante na economia do País / Fotomontagem

Termina hoje (31), o prazo para que o governo de Jair Bolsonaro envie ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2021. Na prática, o Brasil saberá o tamanho oficial do estrago que a pandemia pelo novo coronavírus causou na economia nacional. Isso porque o Executivo tem de atualizar o cenário, do qual sairão as previsões de receitas e despesas para o ano que vem. É a hora da verdade, para uma gestão que entrará em seu terceiro e penúltimo ano correndo atrás do prejuízo. A boa notícia é que a proposta já deverá trazer projeções da retomada econômica.

Também alivia o fato de os prognósticos de queda do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2020, que já chegou a romper a barreira dos 9%, hoje girar entre 5,46% (mercado financeiro) e 6,2% (Moody´s). Entretanto, independentemente de a situação está “menos pior”, o debate político, sempre pesado, em torno de orçamentos públicos, deverá seguir a regra. Com números previsivelmente negativos, Bolsonaro deverá requentar críticas a governadores e prefeitos, por bloquearem atividades econômicas durante a crise sanitária – o que provocou impacto fulminante no processo econômico.

Realidade e foco na recuperação

O Brasil já tinha previsões de crescimento econômico frustrante antes da pandemia. Em abril, quando o Executivo enviou ao Congresso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Fundo Monetário Internacional (FMI) já apontava recuo de 5,3% do PIB brasileiro em 2020. É bom lembrar, portanto, que o País entrou na pandemia já patinando e tentando se recuperar – mas veio o efeito reverso e o processo degringolou. Agora, é encarar a realidade dos números, olhar para frente e buscar a recuperação.