Para entender a briga entre as big techs e o governo Lula

Para entender a briga entre as big techs e o governo Lula

Grupo fatura trilhões / Reprodução

Há várias pontas soltas e pouco explicadas no projeto de Lei das Fake News, em vias de entrar em votação na Câmara dos Deputados.

A proposta está nas mãos do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

O chefe dos parlamentares está em dúvida se coloca em pauta, a partir desta terça-feira (2).

Há receio na base governista – e animação entre opositores -, de não haver votos suficientes para aprovar a matéria.

Questão ideológica
Um dos motivos – e esse é o primeiro ponto -, é a guerra ideológica em que se transformou a discussão.

A iniciativa, e isso é o lado bom, poderia colocar um pouco de ordem no velho oeste digital brasileiro.

Mas foi ideologizada. O PL do ex-presidente Jair Bolsonaro e o Republicanos da bancada evangélica ergueram trincheiras.

Em linhas gerais, bolsonaristas enxergam no projeto uma ofensiva do lulopetismo contra a principal arma que os levou ao poder, em 2018.

Já os evangélicos consideram a proposta uma potencial trava à liberdade de expressão que, no limite, poderia cerceá-los.

Motivos para desconfiar
Mesmo que por linhas tortas, a história recente dá razão ao PL e Republicanos.

Não seria a primeira vez que Lula, o PT e seus seguidores tentam controlar o fluxo de informação no Brasil.

Quem não se lembra da proposta do Conselho de Comunicação e outras peripécias do Palácio do Planalto, sob o comando do grupo que está de volta ao poder, a fim de fiscalizar a imprensa e o jornalismo?

Mas por que, justamente, a grande imprensa, especificamente nesta pauta, está do lado do governo Lula e contra as big techs?

Muito simples. O advento da internet e redes sociais quebrou a hegemonia do modelo jornalístico, como o conhecíamos, até os anos 2000.

O formato convencional do negócio, já em crise, entrou em bancarrota. E a publicidade de internet não consegue compensar a sangria.

Mais um agravante
Nos últimos anos, entrou em campo um agravante.

Os veículos produzem conteúdo, são obrigados, por sobrevivência, a colocar nas redes, mas são as big techs que faturam alto.

Estamos falando do trilionário grupo GAFA (Google, Amazon, Facebook (atual Meta, que também controla Instagram e WhatsApp) e Apple

O projeto do governo trata essa questão com uma série de mecanismos que, em síntese, favorecem os grandes grupos de comunicação convencionais.

Motivos da guerra
Por isso, as big techs se aliaram à oposição na Câmara e passaram a detonar a regulamentação das redes.

Isso também explica porque a imprensa convencional abriu fogo contra as big techs.

No final do dia, a discussão terá sido somente por controle político, reserva de mercado e faturamento. Com dois detalhes:

1 – Assim como no mundo offline, no virtual também vale a máxima de que amigo de meu inimigo é meu inimigo e inimigo de meu inimigo é meu amigo.

2 – Na guerra, a primeira vítima é a verdade.

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