A marcha da insensatez bolsonarista

Da coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta segunda/22:

Em ritmo sempre crescente, presidente vem afrontando as instituições democráticas do País e a sociedade brasileira / DIVULGAÇÃO

Assim como a democracia vai se consolidando à medida que amadurece seus processos e fortalece as instituições, sistemas ditatoriais não nascem do dia para a noite. É um rito, que começa, basicamente, com sede de poder, métodos autoritários e desrespeito às várias formas de liberdade. É mais ou menos nesse ponto em que se encontra o governo Bolsonaro. Pior: está em movimento, parecendo saber onde quer chegar. O comportamento – palavras e atitudes – do presidente da República deixa poucas dúvidas de que há uma orquestração em curso. Somente isso explica os recados e incitações que o mandatário vem praticando, de forma cada vez mais forte.

Misturar, deliberadamente, os protocolos sanitários e decretos de isolamento social rígido dos estados brasileiros com “estado de sítio”, sugerir que seus seguidores poderão cometer desobediência civil e que “o meu Exército” não vai impedir é forçar a mão. Bolsonaro está pisando na risca, de onde é impossível ou muito difícil voltar. Um aspecto é Bolsonaro equilibrar-se, politicamente, na ideologia discordante de outras correntes de pensamento. Outro, é afrontar e ameaçar a sociedade brasileira, num frontal atropelo à Constituição Federal, que ele jurou defender. O Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional precisam reagir à altura. Antes que esse cidadão ultrapasse a linha.

Felizmente, centrão não gosta de se queimar
Os presidentes Arthur Lira (PP-AL), na Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Senado, são aliados de Bolsonaro. Entende-se, portanto, o indisfarçável esforço de pôr panos quentes na pressão que vêm sofrendo para conter os excessos do Chefe do Executivo Federal. Mas a situação é mais profunda. Bolsonaro está tentando arrastar o País para o confronto, tendo a pandemia de covid-19 como pano de fundo. O presidente corre o risco de autocombustão. Felizmente, pelo que se conhece do centrão, Lira e Pacheco fogem desse tipo de fogo.

Parcelas do eleitorado pode voltar
Riscos institucionais à parte, as jogadas de Bolsonaro no tabuleiro político unificará, cada vez mais, seus seguidores em torno de si. Estamos, dessa forma, diante de um processo de radicalização do bolsonarismo. Por outro lado, a oposição poderá ter de volta grandes parcelas do eleitorado que apoiaram o então candidato a presidente em 2018.

Radicalismo favorece oposição, mas…
Com a radicalização de Bolsonaro, o jogo sucessório de 2022 pode ficar bem mais em aberto do que está atualmente. Isso acontecendo, o mais provável é que muitos nomes sejam lançados ao Palácio do Planalto. Significa que a tão sonhada frente de oposição ficará pelo caminho – o que poderá, ironicamente, abrir uma larga estrada para o presidente, rumo à reeleição.

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